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Créditos: Ivo Tavares Studio

Arquitectura

A Casa ou o lado menos visível da arquitectura

Cerca de 70% do trabalho do arquitecto nunca chega a ser construído e, na maioria das vezes, esse trabalho nunca chega a ser visível. Foi esta vontade de mostrar ‘o outro lado’ da arquitectura que impulsionou a criação da Casa da Arquitectura (CA) enquanto “instituição de promoção da arquitectura”. Hoje, mais do que nunca, a CA tem um papel de consciencialização junto da população

Cidália Lopes

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A Casa ou o lado menos visível da arquitectura

Cerca de 70% do trabalho do arquitecto nunca chega a ser construído e, na maioria das vezes, esse trabalho nunca chega a ser visível. Foi esta vontade de mostrar ‘o outro lado’ da arquitectura que impulsionou a criação da Casa da Arquitectura (CA) enquanto “instituição de promoção da arquitectura”. Hoje, mais do que nunca, a CA tem um papel de consciencialização junto da população

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Constituída como associação desde 2007, foi em 2017 que a Casa da Arquitectura se instalou na recuperada Real Vinícola, em Matosinhos. Cinco anos volvidos, este espaço tornou-se a Casa de alguns dos mais importantes acervos nacionais e internacionais. Em conversa com a Traço, Nuno Sampaio, director executivo, falou sobre o trabalho realizado até aqui, os projectos futuros da CA, enquanto interlocutor entre os arquitectos e a sociedade, mas também, sobre a importância de ‘fazer’ arquitectura.

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Traço: Como surgiu a ideia, a vontade de criar esta Casa?

Nuno Sampaio (NS): A Casa da Arquitectura surgiu pela necessidade de curadoria de uma instituição nacional de promoção da arquitectura e pela vontade de cuidar de um património arquitectónico documental, isto porque cerca de 70% do trabalho do arquitecto nunca chega a ser construído. Portanto existe uma forma de reutilizarmos essa experiência de vida dos arquitectos que de outra forma nunca chega a ser visível nem aproveitada. Surgiu, assim, a vontade de fazer uma instituição de promoção da arquitectura.

A iniciativa surge por parte da Câmara Municipal de Matosinhos (CMM), que viu a oportunidade de a Casa ficar em Matosinhos e curiosamente de ser na terra do arquitecto Álvaro Siza, sendo o local ideal para poder apoiar uma instituição que se queria desde logo uma instituição nacional e até de âmbito internacional.

Depois de uma reunião com entidades como o IPPAR, a Ordem dos Arquitectos e outras ligadas à arquitectura e à cultura, além de um conjunto de empresários, a ideia do nome da CA surgiu na sequência de uma conversa entre o Belmiro de Azevedo e o Álvaro Siza. Foi Belmiro de Azevedo que disse que não podia chamar-se museu da arquitectura porque “essa coisa dos museus parece uma coisa muito morta. Vamos chamar-lhe Casa, a Casa onde nós podemos reunir os amigos”. E assim foi. Na altura, pela mão do principal empresário português, que surgiu esta instituição, que começou por ser uma associação.

Ou seja, sendo uma jovem instituição, tem na Real Vinícola, enquanto Centro Português de Arquitectura cinco anos, apesar de ter tido uma vida de ‘gestação’, de preparação, de quase sete anos.

A partir do momento em que ficou pronto o quarteirão da Real Vinícola, feito pela CMM, com um investimento de mais de 10 milhões de euros, a Casa da Arquitectura passou a ter as condições físicas que lhe possibilitaram ser o Centro Português da Arquitectura. Este centro actua em várias áreas, começando pela base, que é o tratamento de acervo, um trabalho profundo, silencioso, moroso, caro de se fazer, que é cuidar do património documental dos arquitectos.

Quando vamos a um museu de arte, nós vemos a peça de arte, o quadro ou a escultura, quando vamos a um museu de arquitectura vemos representações dessas arquitectura – filmes, desenhos, fotografias, maquetes. A arquitectura está lá fora, são os edifícios e o espaço público, mas este material também é preciso preservar. Portanto, o primeiro trabalho da Casa da Arquitectura é receber, fisicamente, trabalhar, cuidar, preservar, recuperar e preservar o património documental dos arquitectos.

A segunda área é, naturalmente, uma grande responsabilidade para que esse acervo se torne disponível para a sociedade. No fundo, o dinheiro que se gasta para conservar e tratar e documentar e catalogar os acervos de arquitectura tinham que ser postos à disposição das pessoas, seja em formato físico, seja de forma digital, algo que conseguimos este ano.  Neste momento, temos um edifício digital, o chamado ‘second building’ onde colocamos tudo aquilo que arquivamos para que todos os acervos que lá se encontram possam ser visitáveis e consultáveis a partir de qualquer parte do Mundo.

O terceiro trabalho é o da promoção da investigação. A CA fez um protocolo com o Estado em que está a desenvolver, com a Fundação de Ciências e Tecnologias, mais de 200 anos de investigação. Ou seja, durante cinco anos, 10 investigadores podem ganhar bolsas que vão até quatro anos pagas para poderem investigar os acervos da Casa. E depois temos, ainda, outras políticas de apoio à investigação e ao estudo, como por exemplo, a criação de uma residência artística, na antiga casa de família de Álvaro Siza, onde o arquitecto realizou o seu primeiro projecto (um pavilhão no quintal) a pedido de seu pai, quando tinha 16 anos, e que irá permitir que outros venham de fora e possam estar com melhores condições a trabalharem na Casa, sejam investigadores estrangeiros, curadores e até jornalistas.

Depois existe uma outra dimensão, mais publica, que se divide em algumas alíneas, que é a promoção da arquitectura junto do grande público. Esta vertente, até de serviço público de levar a arquitectura até à sociedade, para que a arquitectura seja entendida pelas pessoas, na forma como decorre o processo gerador dessa arquitectura. Normalmente quando se contrata um arquitecto não nos dão nem o orçamento, nem o tempo para fazer um projecto, porque as pessoas não sabem o que é um projecto, nem muitas vezes qual é o benefício de terem um arquitecto a fazer o projecto de sua casa, do espaço onde trabalham ou até, num plano mais público, ter o espaço público cuidado, desenhado por um arquitecto. Nessa perspectiva, é muito importante o papel da CA, ou seja, a criação de uma consciência pública sobre a importância da arquitectura para a sociedade para que haja uma maior exigência da população perante os operadores, quer os públicos, quer os privados (imobiliários).

Quanto mais consciente for um autarca da importância do seu espaço público ser feito por um arquitecto, mais facilmente discute e exige o melhor projecto, o que leva naturalmente a um melhor espaço público e quem beneficia é a população.

O mecanismo que a CA encontra é trabalhar este universo, que somos todos nós, os consumidores da boa ou da má arquitectura, para que entendam, reflictam e se tornem conscientes e simultaneamente mais exigentes. É preciso não esquecer que a habitação, por exemplo, é o primeiro direito constitucional. Nós entendemos que, nada nem melhor, preparado para poder desenhar essa habitação que os arquitectos. Este trabalho da CA é naturalmente conservar o material, permitir que seja investigado e estudado, mas dirige-se essencialmente à população em geral para aumentar a consciência de que uma boa arquitectura influencia na vida de cada um de nós.

E este trabalho é feito com exposições, seminários, coisas onde nos possamos falar de arquitectura e de território, mas de uma forma que as pessoas possam entender, ver e que seja acessível.

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Que balanço faz destes cinco anos?

É um balanço muito positivo. A CA conseguiu, num curtíssimo espaço de tempo, consciencializar e dar a entender à sociedade que é um espaço aberto para falar de arquitectura para toda a gente e este aspecto foi muito bem entendido pela própria população.

Por outro lado, conseguiu afirmar-se na sua dimensão nacional. O Centro Português de Arquitectura tem como objectivo actuar em todo o território nacional. Isto é fundamental. E uma prova disso é o recém-criado o ‘Tours’, uma iniciativa conjunta com o Turismo de Portugal, em que estarão abertos para visita um conjunto de espaços, que até Agosto do próximo ano serão no total 150, em todo o território nacional, continente e ilhas. Foram criados percursos em todo o País com edifícios abertos e gente competente para poder explicar essa arquitectura, ou seja, de forma descomplicada e descodificada.

Outro grande objectivo que a CA atingiu foi a sua dimensão internacional, nomeadamente, com um acervo de mais de 200 doadores proveniente do Brasil. Em consequência deste trabalho, a CA tornou-se a primeira instituição do mundo a receber colecções de acervo territoriais com curadoria, ou seja, de um determinado território, de um determinado arco temporal, discutido e escolhido por quem sabe e conhece.

Actualmente quantos acervos é que têm?

Só do Brasil temos cerca de 60 nomes envolvidos, entre eles Paulo Mendes da Rocha e Lúcio Costa, o que deu uma dimensão internacional à CA. Dos arquitectos portugueses, além do Eduardo Souto de Moura, do Pedro Ramalho, o Carrilho da Graça, Teresa Fonseca, temos, recentemente, mais dois nomes, a Teresa Seixas e o Manuel Correia Fernandes e, ainda, o José Gigante, que ofereceu não só o seu acervo de arquitectura, como o acervo fotográfico do seu pai, Jorge Gigante. Temos, também, o acervo do fotografo Luís Ferreira Alves, ligado à arquitectura e à cidade.

Importância da arquitectura

Quais os planos para o futuro da CA?

Vamos começar a actuar sobre o espaço da visita da arquitectura com este novo projecto com o Turismo de Portugal que se soma a uma outra iniciativa que já tínhamos que era o Porto Open House.

Para o próximo ano iremos ter uma grande exposição do arquitecto Paulo Mendes da Rocha, também na óptica de mostrar aquilo que arquivamos. Com curadoria do arquitecto e historiador de arquitectura Jean-Louis Cohen e de Vanessa Grossman, arquitecta brasileira sediada em Roterdão, esta será uma exposição única, porque é a oportunidade que de se ver tantos originais do arquitecto brasileiro num só espaço e que já fazem parte do acervo da Casa.

Outra área para nós muito importante, é o lançamento de publicações de referência de forma regular. A ideia que nós queremos mostrar é que com a CA se podem decidir reflexões de estudos, de investigações, que depois possam ser compradas em livro e que sejam de grande referência a nível mundial.

Estes livros serão produzidos e comercializados pela CA e depois distribuídos pelas diferentes livrarias em Portugal e no estrangeiro, também noutras línguas em co-produção com outras editoras.

Outra área que temos assumido, é a possibilidade da CA promover novos estudos. Seja pelas exposições, sejam momentos onde chamamos várias pessoas a estudarem a arquitectura sobre um determinado problema ou um conjunto de problemas sobre uma determinada matéria. O próximo que estamos a organizar é sobre os contextos de emergência e como é que a arquitectura pode ajudar nestes contextos.

Falamos, por exemplo, em contextos de suburbanidade, como as favelas, ou em situações onde existe falta de água, como África, ou então em cidades, que pelo contrário têm um conjunto de acidentes climáticos cada vez mais comuns e que criam em alguns momentos destruições maciças e que, portanto, é preciso que a arquitectura dê uma resposta e de forma rápida, eficiente, concreta. Outras são, naturalmente, os grandes êxodos que temos na Europa ou em contextos de guerra e que não têm lugar onde ficar e que é preciso resolver e com condições condignas. Estes sistemas vão ser abordados numa exposição, chamada ‘Arquitectura em contexto de emergência’, e num conjunto de actividades, onde serão chamados peritos mundiais, activistas inclusivamente, para pensarem como é que a arquitectura pode ajudar essas pessoas.

Segundo Souto de Moura, a arquitectura serve para resolver problemas. E, portanto, partindo desta premissa não queremos apenas mostrar o quão bonita é a arquitectura ou quão fantástico é o trabalho daquele arquitecto, no passado, nos últimos 30 anos, mas também termos uma visão, uma perspectiva do futuro, para ajudar a resolver problemas e para que as populações vivam melhor.

Tendo em conta a emergência que o planeta vive com as alterações climáticas e com as consequentes catástrofes que provocam é cada vez mais um tema que faz parte do dia-a-dia dos arquitectos. Esta é uma área que já seja estudada?

Quer dizer, a arquitectura é talvez das áreas disciplinares mais transversais no conhecimento. Nós trabalhamos com biólogos, com engenheiros de estruturas, engenheiros hidráulicos, paisagistas, com sociólogos, economistas, com construtores. No fundo, o que estamos a ver é uma tendência, que nem sempre parece positiva, mas que pode também trazer oportunidades, é a sociedade dizer que arquitectos e construtores se entendam para arranjar produtos que sirvam a sociedade.

Muitas vezes sabemos que o lucro fácil de alguns construtores pode levar a que se baixe a qualidade da arquitectura. Portanto, é ainda mais importante que este papel da CA, de ajudar a criar rapidamente uma consciência pública da importância da qualidade na arquitectura como factor de melhoramento das condições de vida das populações.

Ou seja, que, com a nova legislação que o Estado português criou sobre a concepção-construção, nós não fiquemos reféns do lucro fácil de alguns construtores que ganham ao preço mais baixo. Que o próprio Estado entenda que é preciso lançar concursos com outros objectivos que não o preço mais baixo.

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As ‘contas’ do Estado

Em teoria essa questão está prevista, mas depois na prática as coisas são bastante diferentes. Até em matéria de sustentabilidade, onde alguns concursos colocam este critério de avaliação em último…

Exactamente. Nós sabemos que alguma sustentabilidade sai cara no momento da construção, mas por outro lado, poupa-se no prazo de vida do edifício e na exploração que fazemos do edifício. Por isso, os regulamentos são cada vez mais exigentes, ao nível térmico, acústico, etc. O metro quadrado está cada vez mais caro e quando queremos construir em grande quantidade, muitas vezes há tendência para reduzir a qualidade para termos arquitecturas que tenham a capacidade de resolver os problemas, mas ‘baratinho’. E esta é uma tentação que nós não podemos ter. Nós enquanto sociedade. O facto de termos uma nova forma de encomendar arquitectura que essa não fique refém, como nós sabemos e que aconteceu no passado nos finais de 70 e inícios de 80, em que se produziam muitas coisas pelos chamados ‘patos bravos’, que eram construtores não qualificados, que nem chamavam arquitectos a fazer os projectos. Actualmente, temos construtores mais qualificados, mas não sei se é porque o mercado público assim o exige produtos mais baratos que depois nos saem mais caros a todos, nomeadamente no que diz respeito à exploração energética de quem vive nesses edifícios para ter as condições térmicas, sai muito mais caro à sociedade.

Neste momento, o Estado está a promover um conjunto de habitação para arrendamento acessível, por exemplo, e em todas as situações o preço é o critério com mais peso…

Na minha opinião está-se a fazer mal as contas. Se tivermos em conta quanto é que custa esses edifícios em boas condições construtivas a 30 anos e se somarmos os custos relativos à sua exploração energética, nomeadamente em aquecimento e arrefecimento, vai gastar-se mais seguramente. Esta é uma verdade La Palisse.

Como podem os arquitectos contornar esta situação?

Vão ter de unir esforços com os construtores, mas ao mesmo tempo tem que se trabalhar para que o Estado Português exija qualidade nas compras que faz. E não podemos comprar arquitectura ou edifícios da mesma maneira que compramos papel higiénico.

Como é que se quer atingir as metas climáticas se depois o que se está a construir neste momento não vai ao encontro desses objectivos?

Existe aqui um problema, que é também um desafio muito grande. Como é que nós podemos dar as mãos aos construtores, produzindo soluções desde pré-fabricações, a rentabilidade no teste de modelo tipológico, na medida em que já sabemos quanto é que mede uma sala, um quarto como é que se organiza, a casa de banho já vir construída e apenas acoplar.

Acredita que a pré-fabricação dos módulos em fábrica vai ser a solução no futuro?

Não tenho dúvida. Agora não pode ser feito na perspectiva, como acontece muitas vezes na indústria, em que uma pequena diferença multiplicada por milhões de unidades faz com que se reduza os custos, mas muitas vezes não é quantificável quanto essa diferença custa na qualidade de vida espacial de quem a habita, mas sem que isso retire qualidade às habitações.

Da mesma forma que o covid introduziu alterações na forma como habitamos, em que já não basta termos um escritório em casa, porque numa situação de confinamento o que precisamos é que todos os quartos tenham um espaço extra para trabalhar, agora é preciso também entender que também se tornou importante que cada quarto tenha uma suite por questões de higiene, por exemplo.

Nunca deixar ‘parar a mão’

Para terminar, gostaria de saber, além do trabalho que tem desenvolvido na CA, onde é que fica o Nuno Sampaio enquanto arquitecto?

Nós arquitectos nunca gostamos de deixar parar a mão. É fundamental para nós não perdermos o contacto com a prática. Sabemos que muito colegas pelas funções que exercem em alguns organismos públicos, como eu à frente de uma associação, temos o tempo muito limitado, mas ainda vou fazendo algumas coisas e tenho sempre esperança que possa fazer mais. A minha esperança é que um dia eu não seja necessário e que as pessoas tenham esta capacidade de entender a arquitectura. Sabemos que a construção desta consciência que nunca vai terminar.

Gostava de voltar a dedicar-se à 100% à arquitectura um dia?

Talvez um dia, porque não. Nunca ponho isso de parte.

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Ponta Delgada recebe 16º congresso da Ordem dos Arquitectos

Repensar os recursos, a resiliência, a inclusividade e saúde e colaborar pelo compromisso com a qualidade da arquitectura são alguns dos temas em destaque. Antes disso, nos dias 9, 16 e 23 de Fevereiro, o programa “Warm Up” convoca as escolas de arquitectura para o debate

Cidália Lopes

“Qualidade e Sustentabilidade: construir o [nosso] futuro” é o tema do 16º congresso da Ordem dos Arquitectos que, pela primeira vez, vai acontecer fora de Portugal Continental. Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, é o local escolhido, para receber as temáticas ligadas à arquitectura, construção e sustentabilidade, nos próximos dias 2, 3 e 4 de Março de 2023.

Um local que não foi escolhido por acaso, mas porque sendo “um ecossistema frágil e diverso representa um exemplo daquilo que importa conservar”, sendo por isso a “escolha perfeita” para reflectir sobre questões incontornáveis que a todos afectarão no futuro próximo”.

O 16º congresso pretende, assim, investigar e reflectir sobre novas formas de intervenção como meio de promover a consciência colectiva sobre o impacto social e ambiental da arquitectura, tendo em conta que arquitectos e projectistas assumem o papel de mediador e gestor de recursos, promovendo a integração de conhecimentos e capacidades interdisciplinares e transdisciplinares.

Com um programa que inclui vários painéis de debate, dedicados a “Repensar os recursos e adaptar a casa comum”; “Planear para a resiliência, inclusividade e saúde da casa comum”; ou “Colaborar pelo compromisso com a qualidade da casa comum”, o congresso contará, também, com a participação e contributos de vários convidados nacionais e internacionais, nomeadamente Iñaqui Carnicero Alonso-Colmenares, director general de Agenda Urbana y Arquitectura do Governo de Espanha.

Destaque também para o Programa Paralelo, onde teremos o “Warm Up” a 9, 16 e 23 de Fevereiro, através do qual o comité organizativo do congresso convoca as escolas de arquitectura para o debate e a construção de uma agenda da prática da arquitectura de jovens arquitectos com atenção à necessária sustentabilidade ambiental, social, económica e cultural.

De 1 a 5 de Março tem lugar o “Debater a Mudança”, uma exposição dos trabalhos vencedores dos quatro concursos de arquitectura organizados pela Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitectos, pela promoção das boas práticas de encomenda e defesa do interesse público por uma arquitectura de qualidade.

Nos dias 1, 2 e 3 de Março terá lugar o “Mudar Film Festival”, um ciclo de filmes de uma nova geração de autores e colectivos, em Portugal continental e nos arquipélagos do Atlântico, que desenvolve um trabalho de investigação e exploração do impacto, e tomada de consciência colectiva, das manifestações no território de fenómenos que recentemente articulamos como transição ecológica, digital e carbónica. Este projeto constitui-se em parceria com Jonathan Levine (Grémio dos Arquitectos) e Tiago Bartolomeu Costa (projecto FILMar), operacionalizado pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e com o apoio do Mecanismo Financeiro Europeu EEAGrants 2020-2024.

Haverá, também, lugar ao programa “Escola da Mudança”, que consiste na exibição de artes performativas sob os conceitos que se reflectem no quotidiano de estudantes do ensino secundário sobre o tema da sustentabilidade, tendo por base a especificidade do seu território – os Açores.

A fechar o programa paralelo “Climas Paralelos”, onde terão lugar duas conversas locais, com diferentes agentes da região, para debate das especificidades locais no âmbito da sustentabilidade social, ambiental e económica, e o “Roteiro pela Mudança”, que consiste em três itinerários organizados em articulação com a Anda&Fala, associação cultural que promove novas centralidades para a criação contemporânea no campo expandido das artes visuais.

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IHRU premeia reabilitação e trabalhos científicos

O concurso, referente ao ano de 2022, recepcionou um total de 55 candidaturas, dos quais 45 foram na vertente de Reabilitação Urbana e 10 na vertente de Trabalhos de Produção Científica. Com periodicidade bienal, a próxima edição está prevista para 2024

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Foi a propósito de mais uma edição do Prémio Nuno Teotónio Pereira que o Instituto de Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) premiou arquitectos, entidades promotoras, engenheiros e construtores.

O concurso, referente ao ano de 2022, recepcionou um total de 55 candidaturas, dos quais 45 foram na vertente de Reabilitação Urbana e 10 na vertente de Trabalhos de Produção Científica.

Considerado um dos mais antigos concursos do sector imobiliário em Portugal, com o objectivo de “distinguir e incentivar as boas práticas nas áreas de actuação do IHRU”, o Prémio NTP tem periodicidade bienal, pelo que a próxima edição está prevista para 2024.

A entrega dos prémios, que decorreu no dia 30 de Janeiro, no Museu da Electricidade, contou a presença de Isabel Dias, presidente do IHRU e de Fernanda Rodrigues, secretária de Estado da Habitação.

No que diz respeito aos trabalhos de Produção Cientifica, os premiados são o arquitectos João Santa Rita, pela tese “Projectar com o Clima em Portugal: entre o Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa e a Revolução de Abril, 1955-1974” e a arquitecta Mariana Antunes, pela dissertação “Lugar Comum: Habitar (n)a cidade do Porto. Princípios de intervenção para uma área de habitação municipal”.

Já na vertente de Reabilitação Urbana foram atribuídos quatro prémios e três menções honrosas. Sobre reabilitação de edifícios de habitação, o primeiro lugar coube à recuperação do nº 339 na rua Álvares Cabral, com assinatura de Inês da Silva Pimentel. A promoção é de Daniel Lamas e Sónia Martins e a obra foi executada pela Rielza. O júri atribui, ainda, um Prémio Especial ao projecto que reabilitou a antiga sede do Diário de Notícias, na avenida da Liberdade. Promovido pela Avenue, a arquitecto teve a assinatura da Contacto Atlântico e a HCI executou a obra.

A reabilitação de edifícios para renda acessível na Rua Infante D. Henrique recebeu, ainda, uma menção honrosa nesta categoria. O projecto promovido pela Domus Social, contou com projecto de André Eduardo Tavares e execução da Expoentinédito.

Na variante de reabilitação de equipamentos, o prémio foi para o arquitecto Carrilho da graça pelo projecto do Convento de São Domingos, em Abrantes. Promovido pela Câmara Municipal, a obra foi executada por Teixeira, Pinto & Soares.

Por fim, a reabilitação de conjunto urbano ou de requalificação de espaço público coube à avenida Condestável D. Nuno Álvares Pereira. Uma obra promovida pela Câmara Municipal de Tomar e cujo projecto é de Paulo Tormenta Pinto. Carlos Gil foi o responsável pela obra.

Para esta variante o júri atribui, ainda, duas menções honrosas. Uma delas foi para o Centro de Artes e Criatividade (CAC), como projecto e promoção do Município de Torres Vedras. A obra foi da responsabilidade das Construções Pragosa. A outra menção honrosa coube ao projecto de Nuno Lopes e Sofia Mota pela requalificação do Bairro do Sobreiro, na Maia. Promovida por Espaço Municipal – Renovação Urbana e Gestão do Património e executada por Pascoal & Veneza.

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Dupla Rafael Montes e Miguel Acosta assinam ‘novo’ Quarteirão da Oficina do Ferro

A proposta vencedora para a revitalização do espaço, que inclui o antigo Palácio Ford, no Porto, destacou-se pela “criatividade e inovação”, assim como pela “sustentabilidade económica e ambiental”, segundo o júri

Cidália Lopes

Edifícios sustentáveis e novos arruamentos num processo de urbanização de todo o quarteirão, enquadrada num plano urbanístico e de desenvolvimento da cidade, foi a premissa para o concurso de ideias, lançado por ocasião do evento Archi Summit 2022 e que conta com a assessoria da Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos (OASRN).

Localizado na zona do Heroísmo, no Porto, o quarteirão Oficina do Ferro, ou como ainda hoje é conhecido, o Palácio Ford, tem um historial intimamente ligado ao sector industrial desde os anos 20 do século XX. Propriedade da promotora IME – Imóveis e Empreendimentos, a ideia passa por revitalizar o espaço devoluto das antigas instalações do Palácio Ford, como , também, dar uma nova vida ao espaço envolvente.

“Este será um marco na cidade do Porto, na medida em que esta área de mais de 50 mil metros quadrados em pleno coração da cidade esteve abandonado e sem qualquer utilidade. Prevê-se um processo de urbanização de todo o quarteirão, com novos arruamentos e organização daquele quarteirão”, refere a empresa.

Funcionalidade e sustentabilidade

Entre os critérios avaliados pelo júri, a proposta escolhida destacou-se pela sua “criatividade e inovação”, assim como pelos elementos de “sustentabilidade económica e ambiental” que integra.

Mas não só. A dupla Rafael Montes & Miguel Acosta apresentaram uma proposta com “uma forte concentração programática” na medida em que concentra um conjunto de soluções que procuram optimizar temas como “a funcionalidade e sustentabilidade, mas também do ponto de vista económico, especificamente na partilha de serviços entre usos e na racionalização de circulação e distribuição no interior do quarteirão”.

Em termos programáticos pretende-se a concepção de um hotel, de apartamentos turísticos e de habitação acessível, nos termos do estabelecido no Programa Preliminar do concurso. Atendendo à envolvente e aos seus condicionalismos, torna-se necessária, importante e relevante uma inserção e agregação urbana eficaz. Deseja-se, ainda, uma definição e distribuição funcional justa, associada à cidade, com um desenho urbano agregador e articulador com o existente, com a localização e caracterização de acessos, distribuições e circulações, disposição e proporção dos volumes dos diversos usos previstos, organigramas de distribuição e circulação comum para os diferentes usos e diferentes pisos que tomem em consideração a melhor gestão de domínios por diferentes entidades ou condomínios no futuro.

A área de intervenção agrega três parcelas. A maior pertence à IME, Imóveis e Empreendimentos Hoteleiros, com acesso pelo número 291 da Rua do Heroísmo. As restantes estão directamente relacionadas com a Rua do Barão de Nova Sintra e estão destinadas à abertura de uma via a implantar e viabilizar pelos concorrentes. Uma, igualmente pertencente à IME, integra a antiga fábrica Dunil e tem acesso pelo número 433. A outra, localizada entre os números 409 e 417, pertence à empresa municipal Águas e Energia do Porto.

A história do espaço

A área de intervenção integrou anteriormente a Quinta de Vilar dos Oliveiras, mais conhecida como Quinta dos Oliveiras. Em 1917, a Empreza Ferro Esmalte, decide edificar uma fábrica e todas as estruturas de apoio como, por exemplo, a chaminé, vocacionando a parcela para usos industriais, de armazenamento e fornecimento de matérias-primas. A Companhia Metalúrgica do Norte, procede em 1920 e 1922, respectivamente, a alterações da entrada pela Rua do Heroísmo e à demolição de paredes e construção de pilares. Mais tarde, em 1934, as instalações inicialmente criadas, agora ampliadas e actualizadas, são transformadas e adaptadas pela Manuel Alves de Freitas & Companhia, a Palácio Ford, com motores de automóveis, camiões e aviões, para além de tractores, com Super Serviço da Ford Motor Company em oficinas e outros serviços complementares. Das suas instalações saíram os três Ford V8 conduzidos por Manoel de Oliveira (Carro 1), o cineasta, Giles Holroyd (Carro 2) e Eduardo Ferreirinha (Carro 3). A CAMO, Carroçarias Modernas, realiza ampliações em 1965 e legalizações em 1966, localizadas a Poente da parcela.

Propostas passam ‘ao lado’ do desafio

Não obstante ter sido a solução escolhida, a OASRN destaca a “fragilidade” de todas as propostas apresentadas, as quais “revelam um fraco entendimento do lugar, não estabelecendo relações com o tecido urbano envolvente”.

Seja no campo disciplinar da arquitectura, pela oportunidade que representa para a cidade, seja pela transformação e evolução futura, na medida em que “o Quarteirão Oficina do Ferro apresenta motivações várias capazes de potenciar conceitos e ideias com elevada qualidade”, as propostas apresentadas, de uma forma geral, “não correspondem ao desafio lançado”, indica o júri.

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ENOR lança 9ª edição dos Prémios de Arquitectura Ascensores

Os Ascensores ENOR lançam uma nova edição dos seus prémios de arquitectura. Vinte anos depois do lançamento da iniciativa, continua viva a vontade de promover a “melhor arquitectura desenvolvida na Península Ibérica”

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Passados agora 20 anos sobre a realização da primeira edição do Prémio de Arquitectura Ascensores Enor, a sua nona edição terá lugar em 2023.

“A inovação é um dos valores que abraçamos e que constitui uma parte central da nossa cultura empresarial. Assim é desde 1951, ano em que iniciámos a nossa actividade, e continua a sê-lo hoje, 70 anos depois. Só assim se explica porque continuamos a ser uma das empresas de referência no sector da acessibilidade e mobilidade sustentável e que, ininterruptamente desde 2005, continuamos a apostar na organização deste Prémio que reconhece, divulga e promove a melhor arquitectura construída. Na Península Ibérica”, justifica a organização.

Para a Enor a melhor arquitectura é a que dá resposta “às necessidades do presente sem desaprender tudo o que o passado nos pode oferecer e (…) abraça os desafios colectivos da sociedade, melhorando a qualidade dos espaços que habitamos, tornando-os mais acessíveis e incorporando a sustentabilidade ambiental como elemento inalienável nas fases de projecto e construção”, pode lêr-se no site oficial da iniciativa.

“Quando pensamos em organizar este Prémio, há oito edições, sempre levamos em consideração o que poderíamos aprender e nos enriquecer a nível empresarial com esta experiência. A realidade dos últimos 17 anos, com crises globais e pandemias ao longo do caminho, não apenas confirmou nossas intuições e expectativas, mas as superou em muito. Passados tantos anos, a resiliência do tecido profissional da arquitectura como um todo não deixa de nos surpreender: a capacidade de incorporar novas ideias, novas linguagens e novas formas de viver; também novas materialidades e novos compromissos éticos e ambientais e, porque não, novas condições económicas a nível global, que nos obrigam a todos a reposicionarmo-nos constantemente e a trilhar novos caminhos. Tudo isso é, sem dúvida, inovação”, justifica a Enor.

O prazo para a apresentação dos projectos a concurso termina a 14 de Fevereiro de 2023. Como é habitual, após as deliberações do júri e a entrega de prémios, será publicado um livro que apresentará em detalhe e com material gráfico todas as obras premiadas e finalistas.

O júri desta 9ª edição é presidido por Inês Lobo, e integra os arquitectos Carlos A. Pita Abad (Grande Prémio Enor 2020 ex-aequo), Francisco Vieira de Campos (Grande Prémio Enor 2020 ex-aequo), Anatxu Zabalbeascoa e Carlos Quintás.

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TUU responsável pelo projecto de arquitectura do RESA

O antigo Estabelecimento Prisional de Santarém vai albergar uma residência de estudantes. O projecto de reabilitação e reconversão do edifício, classificado de monumento nacional, já arrancou, tendo a TUU – Building Desing Management sido seleccionada para executar o projecto de arquitectura

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Desactivado desde 2006 e dado como abandonado em 2009, o antigo estabelecimento prisional, agora sob a alçada da ESTAMO – Participações Imobiliárias, vai dar lugar a uma residência de estudantes. O RESA, Residências ESTAMO de Santarém, terá capacidade para albergar 200 alunos. O edifício construído na segunda metade do século XIX, tem uma área aproximadamente de 7000 m2.

“Podermos estar envolvidos num projecto de reabilitação e reconversão do antigo estabelecimento prisional de Santarém, não só nos desafia como profissionais, mas também como equipa. Temos o compromisso de nos envolvermos neste trabalho com toda a dedicação por forma a conseguirmos criar uma atmosfera positiva num edifício que albergou tantas histórias de vida difíceis e onde se sente uma carga bastante negativa. Este é talvez o maior desafio de todos”, sublinha Hugo Tocha de Carvalho, fundador da TUU e director do departamento de Arquitectura. Fundada em 2016, a TUU é uma empresa de serviços de Arquitectura, Engenharia e Gestão de Projecto, especialista em modelação e serviços de arquitectura BIM.

Para a empresa um dos principais desafios será o de manter “a identidade única” do monumento localizado no centro da cidade de Santarém.

O RESA é um dos projectos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, no âmbito do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES). Dos 131 projectos contratualizados pelo PNAES em setembro e novembro de 2022, estão já em curso 54 projectos, num valor total de 158 332 133 milhões de euros, que permitirão a intervenção em 7271 camas, das quais 3765 são novas e 3506 são renovações de residências de estudantes em funcionamento.

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Revigrés e Archi Summit apresentam ArchiRevi Talks + Challenge

Iniciativa conjunta pretende debate abordar a temática da sustentabilidade e promover a apresentação de propostas que demonstrem como a inclusão de revestimentos e pavimentos cerâmicos nos edifícios contribuem positivamente para a qualidade do meio ambiente e dos seus utilizadores

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Em 2023, a Revigrés e o Archi Summit unem-se no projecto ArchiRevi Talks + Challenge, uma iniciativa com que as duas entidades vão marcar presença nas faculdades das áreas de Arquitectura, Design e Engenharia Civil, em todo o País.

As “ArchiRevi Talks” vão acontecer em formato roadshow, para falar sobre sustentabilidade e convidar os futuros profissionais do sector a responder aos desafios da construção sustentável através da sua participação num desafio. Os contactos com as faculdades estão ainda a ser realizados e o agendamento das Talks dependerá da disponibilidade de cada uma das instituições.

Já o “ArchiRevi Challenge” propõe a realização de um projecto de intervenção num espaço existente, sob uma perspectiva inovadora e com um impacto real e visível, integrando produtos e materiais da Revigrés.

O objectivo é demonstrar como a escolha dos revestimentos e pavimentos cerâmicos contribui positivamente para a qualidade do meio ambiente e qualidade de vida dos utilizadores, para prolongar o ciclo de vida dos edifícios e, consequentemente, para a descarbonização das cidades.

Os projectos podem ser submetidos até 14 de Junho de 2023, sendo que os 20 finalistas serão conhecidos a 1 de Julho através das redes sociais da Revigrés e do Archi Summit e expostos durante o evento Archi Summit 2023, que irá acontecer de 5 a 7 de Julho, na Casa da Arquitetura, no Porto. Os três melhores projectos serão premiados, com anúncio durante o evento.

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Trienal acolhe kick-off da Representação Oficial Portuguesa

Com curadoria de Andreia Garcia, Fertile Futures problematiza a escassez da água doce, a partir de sete distintas hidro-geografias do território português. A apresentação da representação oficial portuguesa na Bienal de Arquitectura de Veneza 2023, acontece nos dias 28 e 29 de Janeiro no Palácio Sinel de Cordes

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A Trienal de Arquitectura de Lisboa acolhe o lançamento de Fertile Futures, a representação oficial portuguesa na Bienal de Arquitectura de Veneza 2023, no Palácio Sinel de Cordes, no fim-de-semana de 28 e 29 de Janeiro. Com curadoria de Andreia Garcia, Fertile Futures problematiza a escassez da água doce, a partir de sete distintas hidro-geografias do território português.

As cinco assembleias de pensamento que compõem Fertile Futures são momentos de debate, sensibilização e mediação abertos ao público e de acesso gratuito que se realizam em Lisboa, Veneza, Braga, Faro e Porto Santo. Estas visam alimentar a reflexão em torno da água doce como elemento vital às espécies humana e não-humana, funcionam como espaços de (re)aprendizagem recíproca assente na coexistência entre saberes.

Fertile Futures convida equipas de arquitectura, em colaboração com especialistas de outras áreas, para problematizar e desenhar soluções especulativas que procuram inverter a memória recente de sobreposição e imposição de modelos, interesses e formas de actuação.

Os casos em estudo exemplificativos da acção antropocêntrica sobre recursos hídricos, naturais e finitos são: o impacto da Gigabateria na bacia do Tâmega; a quebra da convenção no Douro Internacional; a extração mineira no Médio Tejo; a imposição de interesses na Albufeira do Alqueva; a anarquia no perímetro de rega do Rio Mira; a sobrecarga das lagoas na Lagoa das Sete Cidades e o risco de aluviões nas Ribeiras Madeirenses.

Nesta primeira sessão, que decorre sábado (entre as 10h20 e as 13h30 e as 15h00 e 17h30) e domingo (das 10h20 às 13h30), participam, como consultores, Álvaro Domingues, Ana Salgueiro Rodrigues, Ana Tostões, Andres Lepik, Aurora Carapinha, Eglantina Monteiro, Érica Castanheira, Francisco Ferreira, João Mora Porteiro, João Pedro Matos Fernandes, Luca Astorri, Margarida Waco, Marina Otero, Patti Anahory, Pedro Gadanho e Pedro Ignacio Alonso.

Organizada e comissariada pela Direcção-Geral das Artes, a representação oficial portuguesa na Bienal de Arquitectura de Veneza 2023 propõe-se discutir e apresentar estratégias para a gestão, reserva e transformação da água doce e contribuir para uma discussão que é comum e global, em resposta directa à convocatória de Lesley Lokko, curadora da 18ª Exposição Internacional de Arquitectura – La Biennale di Venezia, que tem como título e tema “O Laboratório do Futuro”.

Expandindo a existência efémera de uma representação nacional na Bienal, Fertile Futures envolve as novas gerações no desenvolvimento de soluções para reservatórios de futuro e pretende defender, entre Portugal e Veneza, a pertinência do contributo da arquitectura no redesenho do futuro descarbonizado, descolonizado e colaborativo.

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Segunda vida do icónico Edifício Cruzeiro começa agora

72 anos depois da inauguração daquele que foi o primeiro centro comercial do país, o antigo Edifício Cruzeiro, agora designado Academia de Artes, vai ser apresentado ao público dia 28 de Janeiro

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O icónico edifício, desenhado em 1947 pelo arquitecto Filipe Nobre de Figueiredo e renascido agora pelo traço do arquitecto Miguel Arruda será o ponto de partida da Vila das Artes, que inclui um conjunto de equipamentos municipais no perímetro envolvente, como o Museu da Música Portuguesa, o Auditório Fernando Lopes-Graça, no Parque Palmela, o Conservatório de Música e Dança de Cascais, o Teatro Municipal Mirita Casimiro e o Auditório Sra. da Boa Nova, entre outros.

Mantida a histórica fachada, o seu interior foi totalmente remodelado, resultando em diferentes espaços dedicados à área educativa, uma sala de espectáculos com capacidade para 312 pessoas, um palco com 150 m2, três camarins e uma sala de projecção.

A Escola Profissional de Teatro de Cascais vai ter 10 salas para as diversas disciplinas leccionadas, assim como o Conservatório de Música e Dança de Cascais vai ocupar oito salas. Esta será também a casa da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras e da Companhia de Dança Paulo Ribeiro.

A biblioteca é outra das novidades já que é totalmente dedicada às artes performativas, a partir da colecção doada por José de Matos Cruz, especializada em cinema.

Ao longo dos anos, o espaço que chegou a dispor de 40 estabelecimentos, um rinque de patinagem, um cinema, dancings, um salão de fado e outro de jogos, foi-se degradando, chegando a um estado de autêntica inutilização. Devoluto durante vários anos, o edifício Cruzeiro esteve para ser demolido. Chegou a ter um projecto habitacional previsto pelo banco BPI, proprietário do imóvel.

Foi adquirido pela Câmara Municipal de Cascais em Novembro de 2016 ao Fundo de Pensões do BPI pelo valor simbólico de 100.000 euros, sendo que a autarquia só obteve luz verde do Tribunal de Contas para a realização de obras de requalificação em 2019.

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OASRN recebe encontros “The Future Design of Streets”

Entre Janeiro e Maio de 2023, a OASRN acolhe as sessões de debate que propõem “ampliar o leque de perspectivas sobre o futuro das ruas, para melhor entender e imaginar as várias possibilidades do seu desenho”

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Entre Janeiro e Maio de 2023, a Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos (OASRN) acolhe os encontros mensais organizados pela plataforma “The Future Design of Streets”. Em formato presencial e de webinar, estas iniciativas propõem “ampliar o leque de perspectivas sobre o futuro das ruas, para melhor entender e imaginar as várias possibilidades do seu desenho”.

O objectivo passa por “definir o compromisso para o desenho urbano, na implementação de novas ruas assim como na adaptação de existentes, reconhecendo a diversidade e a complexidade da vida urbana”, indica a organização.

As sessões têm lugar a 18 de Janeiro, 15 de Fevereiro, 15 de Março, 19 de Abril e 17 de Maio deste ano, sempre às 17 horas. As apresentações pelos oradores serão feitas em inglês, seguidas de sessões de debate em português com o público presente na sede da OASRN.

A primeira sessão, sob o tema “Changing Streets”, conta com a presença de Rita CastelBranco, arquitecta do Município de Lisboa, Patrick Bernard, fundador La Republique des Hyper Voisins, em Paris e de David Sim, director criativo Gehl, em Copenhaga
A 15 fevereiro tem lugar a segunda sessão, sobre “Play & Sports”, com a participação de Cidália Silva, arquitecta e investigadora Lab2PT, Laska Nenova, BG Be Active Association, Placemaking Europe e José Llopis, UPV – Universitat Politècnica de València.
“New/Old Approaches” é o tema escolhido para 15 de Março. Holly Lewis, co-founder We made that, de Londres, Rodrigo Coelho, da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e Jasmijn Lodder, Strassen befreien (“Free the streets”), de Berlim abrem o debate.

A 19 de Abril, Joan Caba, urbanista do Barcelona Metropolitan, Niklas Aalto-Setälä, urbanista da cidade de Helsínquia e Juan Luis Rivas, da Universidade de Granada, abordam o tema “Big Streets”.

“Outside Suburbia” encerra este ciclo de sessões, com a presença de Sébastien Rolland, urbanista do Urbalyon, Helena Amaro, investigadora da CEAU-FAUP e João Leite, da Faculdade de Arquitetura Unidade de Lisboa.

The Future Design of Streets’ é uma iniciativa de Daniel Casas Valle (CEAU-FAUP), em colaboração com Ivo Oliveira (EAAD-UM), e resulta de uma parceria entre o grupo ‘Morfologias e Dinâmicas do Território do Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo’ da FAUP, da EAAD – Escola de Arquitectura, Arte e Design da Universidade do Minho, do Lab2PT – Laboratório de Paisagens, Património e Território e do departamento de Arquitectura e Multimédia Gallaecia, da Universidade Portucalense.

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Casa da Arquitectura antecipa documentário sobre a vida e obra do fotógrafo Luís Ferreira Alves

A anteestreia do documentário “Luís Ferreira Alves: Um Olhar Construído” é exibida, em parceria com a RTP2, na CA no próximo sábado, 21 de Janeiro, a partir das 16h30

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A Casa da Arquitectura, em parceria com a RTP2, acolhe no próximo sábado, 21 de Janeiro, a partir das 16h30, a antestreia do documentário “Luis Ferreira Alves: Um Olhar Construído”, “um trabalho sobre a vida e obra do fotógrafo portuense que oferece um olhar incisivo sobre uma personagem poliédrica da cultura arquitectónica portuguesa, fotógrafo, cineasta e amante da vida”.  

Após a exibição do documentário, terá lugar uma conversa em torno da obra e da pessoa de Luis Ferreira Alves com Teresa Paixão, directora da RTP2, Ricardo Gonçalves, realizador do documentário, Victor Neves, autor do documentário e Pedro Leão Neto, investigador em comunicação de arquitectura e fotografia. A moderação ficará a cargo da arquitecta Joana Azevedo.

A projecção do documentário na Casa da Arquitectura antecipa a sua exibição em antena na RTP2 na grelha do próximo dia 26 de Janeiro.

Luís Ferreira Alves, falecido em 2022, com uma obra que atravessa a fronteira entre o analógico e o digital, doou todo o seu espólio à Casa da Arquitectura (CA) em Novembro de 2021, tendo-lhe sido atribuída pelo Ministério da Cultura a Medalha de Mérito Cultural numa cerimónia que decorreu nesse mesmo ano na CA.

Nascido em Valadares, em 1938, Luís Ferreira Alves era um apaixonado pelo cinema, tendo sido seccionista activo do Cineclube do Porto nos anos 50 e cofundador da Secção de Formato Reduzido e Cinema Experimental. Em 1962, foi preso pela PIDE e julgado no Tribunal Plenário do Porto, tendo sido compulsivamente afastado do Banco Ferreira Alves & Pinto Leite onde até então trabalhava junto do pai.

No início dos anos 80 retomou, como amador, intensa actividade fotográfica, tendo sido convidado pelo amigo arquitecto Pedro Ramalho a apresentar num seminário da Escola Superior de Belas Artes do Porto um diaporama sobre a sua obra arquitectónica, tornan-se esse o seu ponto de partida para a actividade como fotógrafo profissional.

Especializou-se na fotografia de arquitectura, património e território tendo sido publicado regularmente em revistas de todo o mundo. Colaborou intimamente com arquitectos da chamada Escola do Porto nomeadamente Eduardo Souto Moura cuja obra tem sistematicamente acompanhado.

Realizador de vídeos de arquitectura e culturais, tem dezenas de livros editados e realizou inúmeras exposições, algumas delas em coautoria, dentro e fora do País.

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