Edição digital
Assine já
Arquitectura

“Podemos afirmar claramente que só não se faz Passive House se não se quiser”

Com um balanço “extremamente positivo”, a 10ª conferência Passivhaus Portugal, que se realizou em Aveiro, juntou os diversos parceiros da rede. Embora a evolução seja notória na última década, “há ainda muito trabalho a fazer”. Tornar o parque edificado eficiente de acordo com os elevados níveis de desempenho da Passive House é o manifesto da associação e, neste sentido, os projectistas e consultores têm um papel decisivo na escolha de opções mais ‘passivas’

Cidália Lopes
Arquitectura

“Podemos afirmar claramente que só não se faz Passive House se não se quiser”

Com um balanço “extremamente positivo”, a 10ª conferência Passivhaus Portugal, que se realizou em Aveiro, juntou os diversos parceiros da rede. Embora a evolução seja notória na última década, “há ainda muito trabalho a fazer”. Tornar o parque edificado eficiente de acordo com os elevados níveis de desempenho da Passive House é o manifesto da associação e, neste sentido, os projectistas e consultores têm um papel decisivo na escolha de opções mais ‘passivas’

Cidália Lopes
Sobre o autor
Cidália Lopes
Artigos relacionados
Renováveis: Eurowind Energy quer investir 400M€ em Portugal
Engenharia
Requalificação do Parque Tejo-Trancão arranca em dias
Construção
Ponta Delgada recebe 16º congresso da Ordem dos Arquitectos
Arquitectura
Inipol adquire unidade industrial na Marinha Grande
Imobiliário
CPP em análise nos 3ºs Estados Gerais do Sector de Construção
Construção
Betão Verdi Zero é eleito Produto do Ano 2023
Empresas
CBRE assessora transacção do maior portefólio de supermercados em Portugal
Imobiliário
Home Tailors Real Estate comercializa empreendimento Vale do Pereiro
Imobiliário
Kronos Real Estate Group anuncia expansão do seu portefólio em Portugal
Imobiliário
IHRU premeia reabilitação e trabalhos científicos
Arquitectura

O trabalho realizado junto das empresas do sector, a importância dos projectistas para implementar o conceito desde a fase de projecto, a legislação e o ‘exemplo’ do Governo no que diz respeito aos edifícios públicos foram alguns dos temas falados com João Gavião, arquitecto e membro fundador da Associação Passivhaus Portugal e da Homegrid. Entre outras iniciativas, a Associação prevê para 2023 a abertura do Passive House Center. Um espaço onde será possível testar as soluções que já existem e dar formação

Que balanço faz da 10ª conferência?

O balanço que fizemos da 10ª Conferência Passivhaus Portugal 2022 é extremamente positivo. Também o feedback obtido junto dos parceiros e dos participantes na conferência acompanha a nossa análise. Este resultado deve-se à qualidade das apresentações na conferência e nos workshops e à dinâmica que houve na exposição e pela participação do público.

Fazendo uma retrospectiva das últimas edições, quais as principais diferenças? 

Exceptuando as edições de 2020 e 2021, que decorreram de forma remota devido ao estado de pandemia, na Conferência deste ano apostámos na continuidade em relação às últimas edições presenciais com o contínuo crescimento da qualidade e da dimensão. Procuramos nas nossas conferências anuais apresentar o estado da arte da Passive House em Portugal através dos projectos que estão a ser desenvolvidos, da investigação que está a acontecer, das soluções dos parceiros da rede. Procuramos também fazer das conferências um momento de discussão colectiva e alargada de modo a obtermos contributos para ajustarmos a estratégia de implementação da Passive House em Portugal.

Que evolução têm sentido junto das empresas e do sector a receptividade aos conceitos de construção passiva?

A ligação às empresas do sector foi uma das principais preocupações desde o início. Procurámos estabelecer e fortalecer gradualmente a ligação aos fabricantes e detentores de sistemas.  Eles são um dos pilares da rede Passive House em Portugal. Temos empresas multinacionais como parceiras onde a Passive House já está no seu core mas também muitas empresas nacionais a apostarem na diferenciação através da Passive House. Temos já alguns componentes Passive House certificados de empresas portuguesas.

Este envolvimento dos parceiros é benéfico para todas as partes porque finalmente começa a haver a valorização, tecnicamente fundamentada, dos bons componentes construtivos e porque os parceiros são também um privilegiado veículo de disseminação da Passive House.

Tendo em conta a urgência climática e as metas a atingir até 2030, são cada vez mais as empresas a apresentarem soluções adequadas à construção passiva. Pode dizer-se que estamos definitivamente perante um novo paradigma?

Podemos afirmar claramente que só não se faz Passive House se não se quiser. Tem estado a ser aumentada a capacidade instalada para implementar a Passive House em Portugal e este é um trabalho que tem de ser continuado, sobretudo ao nível do projecto e da capacitação dos projectistas, que tem de acontecer logo no seu percurso académico.

Também podemos afirmar que a Passive House é cada vez mais reconhecida como o expoente máximo ao nível do desempenho dos edifícios, ao nível do conforto, bem-estar e eficiência energética. Se por um lado temos assistido a um interesse cada vez maior pela Passive House, por parte de clientes finais ou promotores, por outro lado sabemos que ainda há muito trabalho a fazer na disseminação do conceito e desmistificação de alguns preconceitos e ideias feitas.

Por outro lado, aquele que deveria dar o exemplo, o Estado, nem sempre o faz. Este cenário, que era assim antes da pandemia, mantém-se? Ou terá havido um maior alerta para estas questões na fase em que vivemos?

Assistimos actualmente a uma mudança no modo como o estado, nas suas diversas dimensões e entidades, começa a olhar para a intervenção no território e no parque edificado. Talvez seja ainda uma tímida mudança de atitude, mas as preocupações com o desempenho dos edifícios, nomeadamente ao nível da saúde e conforto e também ao nível da eficiência energética e sustentabilidade, começam a ser mais tidas em conta. É, porventura, ainda um movimento insuficiente para responder à necessidade que temos de fazer a transição do parque edificado para elevados níveis de desempenho.

A Passivhaus Portugal tem demonstrado sempre a total abertura para o estabelecimento de parcerias e estratégias comuns. Há alguns avanços feitos ao nível de alguns organismos públicos que estão a dar frutos. A Passivhaus Portugal tem também participado de forma voluntária, e também quando solicitada, a apresentar a sua visão e a dar o seu contributo, nomeadamente aquando da definição do nZEB, ou seja, do edifício com necessidades de energia quase nulas, da discussão da Estratégia de Longo Prazo para a Renovação dos Edifícios (ELPRE) e mais recentemente na discussão do Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030.

O que defendemos, duma forma fundamentada, é simples e passa por fazer a necessária transição do parque edificado para os elevados níveis de desempenho da Passive House. Temos de ter objectivos ambiciosos para que haja capacidade real de transformar a realidade.

É esta visão que está refletida no Manifesto Passive House Para Todos.

Qual o papel da arquitectura e da engenharia neste processo?

Os projectistas e consultores têm o papel mais decisivo para conseguirmos alcançar o óptimo desempenho dum edifício, novo ou reabilitado. Com o bom projecto, esta optimização ocorre também ao nível do custo-benefício. Sabe-se que é nas diferentes fases de projecto, em particular nas iniciais, onde se tomam as decisões mais importantes para o sucesso do empreendimento. Porque em projecto, e quanto mais cedo melhor, custa mais ou menos o mesmo fazer bem ou fazer mal. No entanto, com o avançar no processo (conclusão do projecto, medições e orçamentos, consulta ao mercado, preparação da obra, execução da obra…) as melhorias no desempenho do edifício terão um esforço exponencialmente maior.

É por isso crucial que tanto os engenheiros como sobretudo os arquitectos, porque são estes normalmente os primeiros intervenientes no projecto, tenham as ferramentas e as competências necessárias para colocar a inteligência no projecto e para projectar para o desempenho.

Quais os principais desafios que as empresas hoje se deparam? O aumento dos custos dos materiais, da mão de obra e do imobiliário, de uma forma geral poderá ter consequências?

A subida dos custos gerais de construção afecta tanto o processo de construção dum edifício convencional como o de uma Passive House. Este facto deve levar-nos a valorizar cada vez mais a qualidade do produto final e a sermos mais cuidadosos e criteriosos nas escolhas que fazemos no projecto. Cada vez mais se aplica uma velha máxima da Passive House: se é para fazer então vamos fazer bem… à primeira.

Em relação aos custos do investimento, há outro aspecto muito relevante: se colocarmos a nossa inteligência no projecto e se aplicarmos os princípios Passive House nas fases iniciais do processo podemos ter no final uma Passive House até com menores custos de investimento que um edifício convencional.

A regulamentação nacional obriga à definição de níveis de isolamento que, por vezes, já respondem àquilo que a Passive House pode exigir. E numa Passive House o número de equipamentos e sistemas a instalar será mais reduzido que num edifício convencional. Por exemplo, numa fase inicial do projecto, definir a boa orientação do edifício, optimizando a exposição solar, tem o mesmo custo que orientá-lo mal. Por isso é possível, e está a ser conseguido, construir Passive Houses com preços de construção correntes.

Relativamente ao custo de operação, com uma Passive House as poupanças de energia para aquecer e arrefecer o edifício podem variar entre 75 e 90% em comparação com edifícios convencionais. E isso pode levar a poupanças anuais de algumas centenas de euros em habitações até bastantes milhares de euros em edifícios de serviços.

No que diz respeito à Passivhaus, quais as iniciativas que prevêem para o futuro?

A Passivhaus Portugal vai prosseguir o trabalho de divulgação e disseminação direccionada para os agentes do sector, para o público em geral e para os decisores.

Vamos continuar a disponibilizar o máximo de informação de qualidade no nosso site de forma totalmente livre e acessível a todos. Falamos, por exemplo, de todo o conteúdo das conferências, seminários e workshops, da base de dados de soluções construtivas dos parceiros da rede, ou das muitas dezenas de artigos do blog.

Como foi anunciado na 10ª Conferência Passivhaus Portugal 2022, será concluído durante o 1º semestre de 2023 o projecto pioneiro e inovador do Passive House Center onde teremos em funcionamento um espaço destinado à implementação de soluções e respectivos testes e ensaios e à formação prática especializada. Este será um importante momento para a afirmação da Passive House.

Exemplos de projectos Passive House desenvolvidos pela Homegrid:

Cestaria (Alojamento Local)

Este projecto, desenvolvido pela Homegrid, refere-se ao primeiro edifício com Certificação Passive House no sector do turismo em Portugal. A obra localiza-se na Costa Nova, concelho de Ílhavo, foi concluída em 2015 e é o resultado de um projecto de reconstrução. O edifício existente foi demolido, uma vez que a estrutura existente não permitia uma intervenção profunda devido ao estado de degradação e às alterações ocorridas no edifício ao longo dos anos. A área de construção e volumetria foram mantidas tendo sido mantidas as características da fachada e recuperadas alguns aspectos da traça do edifício original, como o dimensionamento dos vãos da fachada principal e as cores dos elementos da fachada.
A estrutura do edifício é em betão armado com uma estrutura de madeira na cobertura. As janelas aplicadas são de madeira (lacada pelo exterior e à cor natural pelo interior) e vidro triplo de baixa emissividade, sobretudo por motivos acústicos, uma vez que se trata dum edifício turístico.
Foi também definido para cada habitação um sistema de ventilação com recuperação de calor, para assegurar a renovação e a qualidade do ar de forma constante, com a essencial filtragem do ar, e com o mínimo de transferência de calor e com o máximo de conforto acústico.

Casa da Palmeira

Este projecto refere-se à reabilitação Passive House dum edifício de habitação bifamiliar que se encontrava devoluto. O edifício localizado em Ílhavo foi alvo duma reabilitação profunda. A Casa da Palmeira irá obter a Certificação Passive House após a sua conclusão e será a primeira reabilitação em Portugal com a Certificação Passive House.

Foram apenas mantidas as paredes exteriores em adobe, tendo sido isoladas termicamente com um sistema ETICS pelo exterior e com lã mineral pelo interior. A cobertura foi executada com uma estrutura de madeira com isolamento em lã mineral entre os barrotes.
Foi aumentada a área de cada uma das habitações com o aproveitamento do desvão da cobertura e a definição dum acesso vertical em escadas.
As janelas aplicadas são em PVC e têm certificação Passive House e foi definido um vidro duplo de baixa emissividade. O sombreamento na fachada a sul foi definido com estores pelo exterior.
Em cada habitação foi instalado um sistema de ventilação com recuperação de calor, para assegurar a renovação e a qualidade do ar de forma constante, com a essencial filtragem do ar, e com o mínimo de transferência de calor e com o máximo de conforto acústico.

nZEBoffice+

A obra localiza-se em Ílhavo e foi concluída em 2018. O escritório, que faz parte dum edifício de escritórios construído nos anos 90 sem qualquer tipo de preocupação energética e ambiental, foi objecto de uma intervenção exclusivamente pelo interior cumprindo o desempenho EnerPHit. As necessidades de aquecimento e de arrefecimento foram reduzidas em 75 %, garantindo elevados níveis de conforto térmico e qualidade do ar interior.

O isolamento foi definido em XPS em toda a envolvente opaca (paredes: 60 mm; tecto: 60 mm; pavimento: 20 mm), assegurando a estanquidade ao ar e resolvendo o problema das pontes térmicas. As novas janelas aplicadas são em PVC com vidro duplo de baixa emissividade, aplicadas pelo interior, e foram mantidas as janelas existentes em alumínio simples e com vidro simples. Foi instalado um sistema de ventilação com recuperação de calor, para assegurar a renovação e a qualidade do ar de forma constante, com a essencial filtragem do ar, e com o mínimo de transferência de calor e com o máximo de conforto acústico. As baixas necessidades de arrefecimento e de aquecimento são satisfeitas com uma unidade mini-split (ar condicionado).

Moradia Santa Maria da Feira

No projecto foram integradas soluções da arquitectura solar passivas, mostrando o seu potencial na integração com o desempenho Passive House. As necessidades de energia previstas são tão reduzidas que este projecto após a conclusão será um dos edifícios de maior desempenho a nível nacional e internacional. Tratando-se duma obra de raiz, num terreno desafogado e sem grandes limitações urbanísticas, foi possível optimizar o desempenho do edifício de modo a reduzir drasticamente as necessidades de climatização. A chave para este resultado passou pela aplicação dos princípios da arquitectura solar passiva.
As soluções construtivas são relativamente comuns (estrutura de betão armado, paredes em alvenaria de bloco térmico, sistema ETICS, janelas em PVC (com certificação Passive House) e vidro duplo de baixa emissividade. Foi também definido um sistema de ventilação com recuperação de calor, para assegurar a renovação e a qualidade do ar de forma constante, com a essencial filtragem do ar, e com o mínimo de transferência de calor e com o máximo de conforto acústico.
Quando comparado com um edifício convencional talvez a maior diferença esteja no cuidado em assegurar a estanquidade ao ar da envolvente do edifício, o que permite reduzir as trocas de calor com o exterior, melhorar o conforto térmico e acústico, assegurar a ausência de patologias e melhorar a ventilação do edifício, uma vez que a ventilação só ocorre através dos meios e sistemas definidos para tal.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

Jornalista
Mais artigos
Artigos relacionados
Renováveis: Eurowind Energy quer investir 400M€ em Portugal
Engenharia
Requalificação do Parque Tejo-Trancão arranca em dias
Construção
Ponta Delgada recebe 16º congresso da Ordem dos Arquitectos
Arquitectura
Inipol adquire unidade industrial na Marinha Grande
Imobiliário
CPP em análise nos 3ºs Estados Gerais do Sector de Construção
Construção
Betão Verdi Zero é eleito Produto do Ano 2023
Empresas
CBRE assessora transacção do maior portefólio de supermercados em Portugal
Imobiliário
Home Tailors Real Estate comercializa empreendimento Vale do Pereiro
Imobiliário
Kronos Real Estate Group anuncia expansão do seu portefólio em Portugal
Imobiliário
IHRU premeia reabilitação e trabalhos científicos
Arquitectura
Arquitectura

Ponta Delgada recebe 16º congresso da Ordem dos Arquitectos

Com um programa que inclui vários painéis de debate, dedicados a repensar os recursos, a resiliência, inclusividade e saúde ou a colaborar pelo compromisso com a qualidade da arquitectura. Em jeito de antecipação, a OA lançou, ainda, programa “Warm Up” a 9, 16 e 23 de Fevereiro, através do qual o comité organizativo do congresso convoca as escolas de arquitectura para o debate e a construção de uma agenda da prática da arquitectura com atenção à sustentabilidade ambiental, social, económica e cultural

“Qualidade e Sustentabilidade: construir o [nosso] futuro” é o tema do 16º congresso da Ordem dos Arquitectos que, pela primeira vez, vai acontecer fora de Portugal Continental. Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, é o local escolhido, para receber as temáticas ligadas à arquitectura, construção e sustentabilidade, nos próximos dias 2, 3 e 4 de Março de 2023.

Um local que não foi escolhido por acaso, mas porque sendo “um ecossistema frágil e diverso representa um exemplo daquilo que importa conservar”, sendo por isso a “escolha perfeita” para reflectir sobre questões incontornáveis que a todos afectarão no futuro próximo”.

O 16º congresso pretende, assim, investigar e reflectir sobre novas formas de intervenção como meio de promover a consciência colectiva sobre o impacto social e ambiental da arquitectura, tendo em conta que arquitectos e projectistas assumem o papel de mediador e gestor de recursos, promovendo a integração de conhecimentos e capacidades interdisciplinares e transdisciplinares.

Com um programa que inclui vários painéis de debate, dedicados a “Repensar os recursos e adaptar a casa comum”; “Planear para a resiliência, inclusividade e saúde da casa comum”; ou “Colaborar pelo compromisso com a qualidade da casa comum”, o congresso contará, também, com a participação e contributos de vários convidados nacionais e internacionais, nomeadamente Iñaqui Carnicero Alonso-Colmenares, director general de Agenda Urbana y Arquitectura do Governo de Espanha.

Destaque também para o Programa Paralelo, onde teremos o “Warm Up” a 9, 16 e 23 de Fevereiro, através do qual o comité organizativo do congresso convoca as escolas de arquitectura para o debate e a construção de uma agenda da prática da arquitectura de jovens arquitectos com atenção à necessária sustentabilidade ambiental, social, económica e cultural.

De 1 a 5 de Março tem lugar o “Debater a Mudança”, uma exposição dos trabalhos vencedores dos quatro concursos de arquitectura organizados pela Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitectos, pela promoção das boas práticas de encomenda e defesa do interesse público por uma arquitectura de qualidade.

Nos dias 1, 2 e 3 de Março terá lugar o “Mudar Film Festival”, um ciclo de filmes de uma nova geração de autores e colectivos, em Portugal continental e nos arquipélagos do Atlântico, que desenvolve um trabalho de investigação e exploração do impacto, e tomada de consciência colectiva, das manifestações no território de fenómenos que recentemente articulamos como transição ecológica, digital e carbónica. Este projeto constitui-se em parceria com Jonathan Levine (Grémio dos Arquitectos) e Tiago Bartolomeu Costa (projecto FILMar), operacionalizado pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e com o apoio do Mecanismo Financeiro Europeu EEAGrants 2020-2024.

Haverá, também, lugar ao programa “Escola da Mudança”, que consiste na exibição de artes performativas sob os conceitos que se reflectem no quotidiano de estudantes do ensino secundário sobre o tema da sustentabilidade, tendo por base a especificidade do seu território – os Açores.

A fechar o programa paralelo “Climas Paralelos”, onde terão lugar duas conversas locais, com diferentes agentes da região, para debate das especificidades locais no âmbito da sustentabilidade social, ambiental e económica, e o “Roteiro pela Mudança”, que consiste em três itinerários organizados em articulação com a Anda&Fala, associação cultural que promove novas centralidades para a criação contemporânea no campo expandido das artes visuais.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

Jornalista
Mais artigos
Arquitectura

IHRU premeia reabilitação e trabalhos científicos

O concurso, referente ao ano de 2022, recepcionou um total de 55 candidaturas, dos quais 45 foram na vertente de Reabilitação Urbana e 10 na vertente de Trabalhos de Produção Científica. Com periodicidade bienal, a próxima edição está prevista para 2024

CONSTRUIR

Foi a propósito de mais uma edição do Prémio Nuno Teotónio Pereira que o Instituto de Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) premiou arquitectos, entidades promotoras, engenheiros e construtores.

O concurso, referente ao ano de 2022, recepcionou um total de 55 candidaturas, dos quais 45 foram na vertente de Reabilitação Urbana e 10 na vertente de Trabalhos de Produção Científica.

Considerado um dos mais antigos concursos do sector imobiliário em Portugal, com o objectivo de “distinguir e incentivar as boas práticas nas áreas de actuação do IHRU”, o Prémio NTP tem periodicidade bienal, pelo que a próxima edição está prevista para 2024.

A entrega dos prémios, que decorreu no dia 30 de Janeiro, no Museu da Electricidade, contou a presença de Isabel Dias, presidente do IHRU e de Fernanda Rodrigues, secretária de Estado da Habitação.

No que diz respeito aos trabalhos de Produção Cientifica, os premiados são o arquitectos João Santa Rita, pela tese “Projectar com o Clima em Portugal: entre o Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa e a Revolução de Abril, 1955-1974” e a arquitecta Mariana Antunes, pela dissertação “Lugar Comum: Habitar (n)a cidade do Porto. Princípios de intervenção para uma área de habitação municipal”.

Já na vertente de Reabilitação Urbana foram atribuídos quatro prémios e três menções honrosas. Sobre reabilitação de edifícios de habitação, o primeiro lugar coube à recuperação do nº 339 na rua Álvares Cabral, com assinatura de Inês da Silva Pimentel. A promoção é de Daniel Lamas e Sónia Martins e a obra foi executada pela Rielza. O júri atribui, ainda, um Prémio Especial ao projecto que reabilitou a antiga sede do Diário de Notícias, na avenida da Liberdade. Promovido pela Avenue, a arquitecto teve a assinatura da Contacto Atlântico e a HCI executou a obra.

A reabilitação de edifícios para renda acessível na Rua Infante D. Henrique recebeu, ainda, uma menção honrosa nesta categoria. O projecto promovido pela Domus Social, contou com projecto de André Eduardo Tavares e execução da Expoentinédito.

Na variante de reabilitação de equipamentos, o prémio foi para o arquitecto Carrilho da graça pelo projecto do Convento de São Domingos, em Abrantes. Promovido pela Câmara Municipal, a obra foi executada por Teixeira, Pinto & Soares.

Por fim, a reabilitação de conjunto urbano ou de requalificação de espaço público coube à avenida Condestável D. Nuno Álvares Pereira. Uma obra promovida pela Câmara Municipal de Tomar e cujo projecto é de Paulo Tormenta Pinto. Carlos Gil foi o responsável pela obra.

Para esta variante o júri atribui, ainda, duas menções honrosas. Uma delas foi para o Centro de Artes e Criatividade (CAC), como projecto e promoção do Município de Torres Vedras. A obra foi da responsabilidade das Construções Pragosa. A outra menção honrosa coube ao projecto de Nuno Lopes e Sofia Mota pela requalificação do Bairro do Sobreiro, na Maia. Promovida por Espaço Municipal – Renovação Urbana e Gestão do Património e executada por Pascoal & Veneza.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Arquitectura

Dupla Rafael Montes e Miguel Acosta assinam ‘novo’ Quarteirão da Oficina do Ferro

A proposta vencedora para a revitalização do espaço, que inclui o antigo Palácio Ford, no Porto, destacou-se pela “criatividade e inovação”, assim como pela “sustentabilidade económica e ambiental”, segundo o júri

Cidália Lopes

Edifícios sustentáveis e novos arruamentos num processo de urbanização de todo o quarteirão, enquadrada num plano urbanístico e de desenvolvimento da cidade, foi a premissa para o concurso de ideias, lançado por ocasião do evento Archi Summit 2022 e que conta com a assessoria da Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos (OASRN).

Localizado na zona do Heroísmo, no Porto, o quarteirão Oficina do Ferro, ou como ainda hoje é conhecido, o Palácio Ford, tem um historial intimamente ligado ao sector industrial desde os anos 20 do século XX. Propriedade da promotora IME – Imóveis e Empreendimentos, a ideia passa por revitalizar o espaço devoluto das antigas instalações do Palácio Ford, como , também, dar uma nova vida ao espaço envolvente.

“Este será um marco na cidade do Porto, na medida em que esta área de mais de 50 mil metros quadrados em pleno coração da cidade esteve abandonado e sem qualquer utilidade. Prevê-se um processo de urbanização de todo o quarteirão, com novos arruamentos e organização daquele quarteirão”, refere a empresa.

Funcionalidade e sustentabilidade

Entre os critérios avaliados pelo júri, a proposta escolhida destacou-se pela sua “criatividade e inovação”, assim como pelos elementos de “sustentabilidade económica e ambiental” que integra.

Mas não só. A dupla Rafael Montes & Miguel Acosta apresentaram uma proposta com “uma forte concentração programática” na medida em que concentra um conjunto de soluções que procuram optimizar temas como “a funcionalidade e sustentabilidade, mas também do ponto de vista económico, especificamente na partilha de serviços entre usos e na racionalização de circulação e distribuição no interior do quarteirão”.

Em termos programáticos pretende-se a concepção de um hotel, de apartamentos turísticos e de habitação acessível, nos termos do estabelecido no Programa Preliminar do concurso. Atendendo à envolvente e aos seus condicionalismos, torna-se necessária, importante e relevante uma inserção e agregação urbana eficaz. Deseja-se, ainda, uma definição e distribuição funcional justa, associada à cidade, com um desenho urbano agregador e articulador com o existente, com a localização e caracterização de acessos, distribuições e circulações, disposição e proporção dos volumes dos diversos usos previstos, organigramas de distribuição e circulação comum para os diferentes usos e diferentes pisos que tomem em consideração a melhor gestão de domínios por diferentes entidades ou condomínios no futuro.

A área de intervenção agrega três parcelas. A maior pertence à IME, Imóveis e Empreendimentos Hoteleiros, com acesso pelo número 291 da Rua do Heroísmo. As restantes estão directamente relacionadas com a Rua do Barão de Nova Sintra e estão destinadas à abertura de uma via a implantar e viabilizar pelos concorrentes. Uma, igualmente pertencente à IME, integra a antiga fábrica Dunil e tem acesso pelo número 433. A outra, localizada entre os números 409 e 417, pertence à empresa municipal Águas e Energia do Porto.

A história do espaço

A área de intervenção integrou anteriormente a Quinta de Vilar dos Oliveiras, mais conhecida como Quinta dos Oliveiras. Em 1917, a Empreza Ferro Esmalte, decide edificar uma fábrica e todas as estruturas de apoio como, por exemplo, a chaminé, vocacionando a parcela para usos industriais, de armazenamento e fornecimento de matérias-primas. A Companhia Metalúrgica do Norte, procede em 1920 e 1922, respectivamente, a alterações da entrada pela Rua do Heroísmo e à demolição de paredes e construção de pilares. Mais tarde, em 1934, as instalações inicialmente criadas, agora ampliadas e actualizadas, são transformadas e adaptadas pela Manuel Alves de Freitas & Companhia, a Palácio Ford, com motores de automóveis, camiões e aviões, para além de tractores, com Super Serviço da Ford Motor Company em oficinas e outros serviços complementares. Das suas instalações saíram os três Ford V8 conduzidos por Manoel de Oliveira (Carro 1), o cineasta, Giles Holroyd (Carro 2) e Eduardo Ferreirinha (Carro 3). A CAMO, Carroçarias Modernas, realiza ampliações em 1965 e legalizações em 1966, localizadas a Poente da parcela.

Propostas passam ‘ao lado’ do desafio

Não obstante ter sido a solução escolhida, a OASRN destaca a “fragilidade” de todas as propostas apresentadas, as quais “revelam um fraco entendimento do lugar, não estabelecendo relações com o tecido urbano envolvente”.

Seja no campo disciplinar da arquitectura, pela oportunidade que representa para a cidade, seja pela transformação e evolução futura, na medida em que “o Quarteirão Oficina do Ferro apresenta motivações várias capazes de potenciar conceitos e ideias com elevada qualidade”, as propostas apresentadas, de uma forma geral, “não correspondem ao desafio lançado”, indica o júri.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

Jornalista
Mais artigos
Arquitectura

ENOR lança 9ª edição dos Prémios de Arquitectura Ascensores

Os Ascensores ENOR lançam uma nova edição dos seus prémios de arquitectura. Vinte anos depois do lançamento da iniciativa, continua viva a vontade de promover a “melhor arquitectura desenvolvida na Península Ibérica”

CONSTRUIR

Passados agora 20 anos sobre a realização da primeira edição do Prémio de Arquitectura Ascensores Enor, a sua nona edição terá lugar em 2023.

“A inovação é um dos valores que abraçamos e que constitui uma parte central da nossa cultura empresarial. Assim é desde 1951, ano em que iniciámos a nossa actividade, e continua a sê-lo hoje, 70 anos depois. Só assim se explica porque continuamos a ser uma das empresas de referência no sector da acessibilidade e mobilidade sustentável e que, ininterruptamente desde 2005, continuamos a apostar na organização deste Prémio que reconhece, divulga e promove a melhor arquitectura construída. Na Península Ibérica”, justifica a organização.

Para a Enor a melhor arquitectura é a que dá resposta “às necessidades do presente sem desaprender tudo o que o passado nos pode oferecer e (…) abraça os desafios colectivos da sociedade, melhorando a qualidade dos espaços que habitamos, tornando-os mais acessíveis e incorporando a sustentabilidade ambiental como elemento inalienável nas fases de projecto e construção”, pode lêr-se no site oficial da iniciativa.

“Quando pensamos em organizar este Prémio, há oito edições, sempre levamos em consideração o que poderíamos aprender e nos enriquecer a nível empresarial com esta experiência. A realidade dos últimos 17 anos, com crises globais e pandemias ao longo do caminho, não apenas confirmou nossas intuições e expectativas, mas as superou em muito. Passados tantos anos, a resiliência do tecido profissional da arquitectura como um todo não deixa de nos surpreender: a capacidade de incorporar novas ideias, novas linguagens e novas formas de viver; também novas materialidades e novos compromissos éticos e ambientais e, porque não, novas condições económicas a nível global, que nos obrigam a todos a reposicionarmo-nos constantemente e a trilhar novos caminhos. Tudo isso é, sem dúvida, inovação”, justifica a Enor.

O prazo para a apresentação dos projectos a concurso termina a 14 de Fevereiro de 2023. Como é habitual, após as deliberações do júri e a entrega de prémios, será publicado um livro que apresentará em detalhe e com material gráfico todas as obras premiadas e finalistas.

O júri desta 9ª edição é presidido por Inês Lobo, e integra os arquitectos Carlos A. Pita Abad (Grande Prémio Enor 2020 ex-aequo), Francisco Vieira de Campos (Grande Prémio Enor 2020 ex-aequo), Anatxu Zabalbeascoa e Carlos Quintás.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Arquitectura

TUU responsável pelo projecto de arquitectura do RESA

O antigo Estabelecimento Prisional de Santarém vai albergar uma residência de estudantes. O projecto de reabilitação e reconversão do edifício, classificado de monumento nacional, já arrancou, tendo a TUU – Building Desing Management sido seleccionada para executar o projecto de arquitectura

CONSTRUIR

Desactivado desde 2006 e dado como abandonado em 2009, o antigo estabelecimento prisional, agora sob a alçada da ESTAMO – Participações Imobiliárias, vai dar lugar a uma residência de estudantes. O RESA, Residências ESTAMO de Santarém, terá capacidade para albergar 200 alunos. O edifício construído na segunda metade do século XIX, tem uma área aproximadamente de 7000 m2.

“Podermos estar envolvidos num projecto de reabilitação e reconversão do antigo estabelecimento prisional de Santarém, não só nos desafia como profissionais, mas também como equipa. Temos o compromisso de nos envolvermos neste trabalho com toda a dedicação por forma a conseguirmos criar uma atmosfera positiva num edifício que albergou tantas histórias de vida difíceis e onde se sente uma carga bastante negativa. Este é talvez o maior desafio de todos”, sublinha Hugo Tocha de Carvalho, fundador da TUU e director do departamento de Arquitectura. Fundada em 2016, a TUU é uma empresa de serviços de Arquitectura, Engenharia e Gestão de Projecto, especialista em modelação e serviços de arquitectura BIM.

Para a empresa um dos principais desafios será o de manter “a identidade única” do monumento localizado no centro da cidade de Santarém.

O RESA é um dos projectos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, no âmbito do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES). Dos 131 projectos contratualizados pelo PNAES em setembro e novembro de 2022, estão já em curso 54 projectos, num valor total de 158 332 133 milhões de euros, que permitirão a intervenção em 7271 camas, das quais 3765 são novas e 3506 são renovações de residências de estudantes em funcionamento.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Arquitectura

Revigrés e Archi Summit apresentam ArchiRevi Talks + Challenge

Iniciativa conjunta pretende debate abordar a temática da sustentabilidade e promover a apresentação de propostas que demonstrem como a inclusão de revestimentos e pavimentos cerâmicos nos edifícios contribuem positivamente para a qualidade do meio ambiente e dos seus utilizadores

CONSTRUIR

Em 2023, a Revigrés e o Archi Summit unem-se no projecto ArchiRevi Talks + Challenge, uma iniciativa com que as duas entidades vão marcar presença nas faculdades das áreas de Arquitectura, Design e Engenharia Civil, em todo o País.

As “ArchiRevi Talks” vão acontecer em formato roadshow, para falar sobre sustentabilidade e convidar os futuros profissionais do sector a responder aos desafios da construção sustentável através da sua participação num desafio. Os contactos com as faculdades estão ainda a ser realizados e o agendamento das Talks dependerá da disponibilidade de cada uma das instituições.

Já o “ArchiRevi Challenge” propõe a realização de um projecto de intervenção num espaço existente, sob uma perspectiva inovadora e com um impacto real e visível, integrando produtos e materiais da Revigrés.

O objectivo é demonstrar como a escolha dos revestimentos e pavimentos cerâmicos contribui positivamente para a qualidade do meio ambiente e qualidade de vida dos utilizadores, para prolongar o ciclo de vida dos edifícios e, consequentemente, para a descarbonização das cidades.

Os projectos podem ser submetidos até 14 de Junho de 2023, sendo que os 20 finalistas serão conhecidos a 1 de Julho através das redes sociais da Revigrés e do Archi Summit e expostos durante o evento Archi Summit 2023, que irá acontecer de 5 a 7 de Julho, na Casa da Arquitetura, no Porto. Os três melhores projectos serão premiados, com anúncio durante o evento.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Arquitectura

Trienal acolhe kick-off da Representação Oficial Portuguesa

Com curadoria de Andreia Garcia, Fertile Futures problematiza a escassez da água doce, a partir de sete distintas hidro-geografias do território português. A apresentação da representação oficial portuguesa na Bienal de Arquitectura de Veneza 2023, acontece nos dias 28 e 29 de Janeiro no Palácio Sinel de Cordes

CONSTRUIR

A Trienal de Arquitectura de Lisboa acolhe o lançamento de Fertile Futures, a representação oficial portuguesa na Bienal de Arquitectura de Veneza 2023, no Palácio Sinel de Cordes, no fim-de-semana de 28 e 29 de Janeiro. Com curadoria de Andreia Garcia, Fertile Futures problematiza a escassez da água doce, a partir de sete distintas hidro-geografias do território português.

As cinco assembleias de pensamento que compõem Fertile Futures são momentos de debate, sensibilização e mediação abertos ao público e de acesso gratuito que se realizam em Lisboa, Veneza, Braga, Faro e Porto Santo. Estas visam alimentar a reflexão em torno da água doce como elemento vital às espécies humana e não-humana, funcionam como espaços de (re)aprendizagem recíproca assente na coexistência entre saberes.

Fertile Futures convida equipas de arquitectura, em colaboração com especialistas de outras áreas, para problematizar e desenhar soluções especulativas que procuram inverter a memória recente de sobreposição e imposição de modelos, interesses e formas de actuação.

Os casos em estudo exemplificativos da acção antropocêntrica sobre recursos hídricos, naturais e finitos são: o impacto da Gigabateria na bacia do Tâmega; a quebra da convenção no Douro Internacional; a extração mineira no Médio Tejo; a imposição de interesses na Albufeira do Alqueva; a anarquia no perímetro de rega do Rio Mira; a sobrecarga das lagoas na Lagoa das Sete Cidades e o risco de aluviões nas Ribeiras Madeirenses.

Nesta primeira sessão, que decorre sábado (entre as 10h20 e as 13h30 e as 15h00 e 17h30) e domingo (das 10h20 às 13h30), participam, como consultores, Álvaro Domingues, Ana Salgueiro Rodrigues, Ana Tostões, Andres Lepik, Aurora Carapinha, Eglantina Monteiro, Érica Castanheira, Francisco Ferreira, João Mora Porteiro, João Pedro Matos Fernandes, Luca Astorri, Margarida Waco, Marina Otero, Patti Anahory, Pedro Gadanho e Pedro Ignacio Alonso.

Organizada e comissariada pela Direcção-Geral das Artes, a representação oficial portuguesa na Bienal de Arquitectura de Veneza 2023 propõe-se discutir e apresentar estratégias para a gestão, reserva e transformação da água doce e contribuir para uma discussão que é comum e global, em resposta directa à convocatória de Lesley Lokko, curadora da 18ª Exposição Internacional de Arquitectura – La Biennale di Venezia, que tem como título e tema “O Laboratório do Futuro”.

Expandindo a existência efémera de uma representação nacional na Bienal, Fertile Futures envolve as novas gerações no desenvolvimento de soluções para reservatórios de futuro e pretende defender, entre Portugal e Veneza, a pertinência do contributo da arquitectura no redesenho do futuro descarbonizado, descolonizado e colaborativo.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Arquitectura

Segunda vida do icónico Edifício Cruzeiro começa agora

72 anos depois da inauguração daquele que foi o primeiro centro comercial do país, o antigo Edifício Cruzeiro, agora designado Academia de Artes, vai ser apresentado ao público dia 28 de Janeiro

CONSTRUIR

O icónico edifício, desenhado em 1947 pelo arquitecto Filipe Nobre de Figueiredo e renascido agora pelo traço do arquitecto Miguel Arruda será o ponto de partida da Vila das Artes, que inclui um conjunto de equipamentos municipais no perímetro envolvente, como o Museu da Música Portuguesa, o Auditório Fernando Lopes-Graça, no Parque Palmela, o Conservatório de Música e Dança de Cascais, o Teatro Municipal Mirita Casimiro e o Auditório Sra. da Boa Nova, entre outros.

Mantida a histórica fachada, o seu interior foi totalmente remodelado, resultando em diferentes espaços dedicados à área educativa, uma sala de espectáculos com capacidade para 312 pessoas, um palco com 150 m2, três camarins e uma sala de projecção.

A Escola Profissional de Teatro de Cascais vai ter 10 salas para as diversas disciplinas leccionadas, assim como o Conservatório de Música e Dança de Cascais vai ocupar oito salas. Esta será também a casa da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras e da Companhia de Dança Paulo Ribeiro.

A biblioteca é outra das novidades já que é totalmente dedicada às artes performativas, a partir da colecção doada por José de Matos Cruz, especializada em cinema.

Ao longo dos anos, o espaço que chegou a dispor de 40 estabelecimentos, um rinque de patinagem, um cinema, dancings, um salão de fado e outro de jogos, foi-se degradando, chegando a um estado de autêntica inutilização. Devoluto durante vários anos, o edifício Cruzeiro esteve para ser demolido. Chegou a ter um projecto habitacional previsto pelo banco BPI, proprietário do imóvel.

Foi adquirido pela Câmara Municipal de Cascais em Novembro de 2016 ao Fundo de Pensões do BPI pelo valor simbólico de 100.000 euros, sendo que a autarquia só obteve luz verde do Tribunal de Contas para a realização de obras de requalificação em 2019.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Arquitectura

OASRN recebe encontros “The Future Design of Streets”

Entre Janeiro e Maio de 2023, a OASRN acolhe as sessões de debate que propõem “ampliar o leque de perspectivas sobre o futuro das ruas, para melhor entender e imaginar as várias possibilidades do seu desenho”

CONSTRUIR

Entre Janeiro e Maio de 2023, a Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos (OASRN) acolhe os encontros mensais organizados pela plataforma “The Future Design of Streets”. Em formato presencial e de webinar, estas iniciativas propõem “ampliar o leque de perspectivas sobre o futuro das ruas, para melhor entender e imaginar as várias possibilidades do seu desenho”.

O objectivo passa por “definir o compromisso para o desenho urbano, na implementação de novas ruas assim como na adaptação de existentes, reconhecendo a diversidade e a complexidade da vida urbana”, indica a organização.

As sessões têm lugar a 18 de Janeiro, 15 de Fevereiro, 15 de Março, 19 de Abril e 17 de Maio deste ano, sempre às 17 horas. As apresentações pelos oradores serão feitas em inglês, seguidas de sessões de debate em português com o público presente na sede da OASRN.

A primeira sessão, sob o tema “Changing Streets”, conta com a presença de Rita CastelBranco, arquitecta do Município de Lisboa, Patrick Bernard, fundador La Republique des Hyper Voisins, em Paris e de David Sim, director criativo Gehl, em Copenhaga
A 15 fevereiro tem lugar a segunda sessão, sobre “Play & Sports”, com a participação de Cidália Silva, arquitecta e investigadora Lab2PT, Laska Nenova, BG Be Active Association, Placemaking Europe e José Llopis, UPV – Universitat Politècnica de València.
“New/Old Approaches” é o tema escolhido para 15 de Março. Holly Lewis, co-founder We made that, de Londres, Rodrigo Coelho, da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e Jasmijn Lodder, Strassen befreien (“Free the streets”), de Berlim abrem o debate.

A 19 de Abril, Joan Caba, urbanista do Barcelona Metropolitan, Niklas Aalto-Setälä, urbanista da cidade de Helsínquia e Juan Luis Rivas, da Universidade de Granada, abordam o tema “Big Streets”.

“Outside Suburbia” encerra este ciclo de sessões, com a presença de Sébastien Rolland, urbanista do Urbalyon, Helena Amaro, investigadora da CEAU-FAUP e João Leite, da Faculdade de Arquitetura Unidade de Lisboa.

The Future Design of Streets’ é uma iniciativa de Daniel Casas Valle (CEAU-FAUP), em colaboração com Ivo Oliveira (EAAD-UM), e resulta de uma parceria entre o grupo ‘Morfologias e Dinâmicas do Território do Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo’ da FAUP, da EAAD – Escola de Arquitectura, Arte e Design da Universidade do Minho, do Lab2PT – Laboratório de Paisagens, Património e Território e do departamento de Arquitectura e Multimédia Gallaecia, da Universidade Portucalense.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Arquitectura

Casa da Arquitectura antecipa documentário sobre a vida e obra do fotógrafo Luís Ferreira Alves

A anteestreia do documentário “Luís Ferreira Alves: Um Olhar Construído” é exibida, em parceria com a RTP2, na CA no próximo sábado, 21 de Janeiro, a partir das 16h30

CONSTRUIR

A Casa da Arquitectura, em parceria com a RTP2, acolhe no próximo sábado, 21 de Janeiro, a partir das 16h30, a antestreia do documentário “Luis Ferreira Alves: Um Olhar Construído”, “um trabalho sobre a vida e obra do fotógrafo portuense que oferece um olhar incisivo sobre uma personagem poliédrica da cultura arquitectónica portuguesa, fotógrafo, cineasta e amante da vida”.  

Após a exibição do documentário, terá lugar uma conversa em torno da obra e da pessoa de Luis Ferreira Alves com Teresa Paixão, directora da RTP2, Ricardo Gonçalves, realizador do documentário, Victor Neves, autor do documentário e Pedro Leão Neto, investigador em comunicação de arquitectura e fotografia. A moderação ficará a cargo da arquitecta Joana Azevedo.

A projecção do documentário na Casa da Arquitectura antecipa a sua exibição em antena na RTP2 na grelha do próximo dia 26 de Janeiro.

Luís Ferreira Alves, falecido em 2022, com uma obra que atravessa a fronteira entre o analógico e o digital, doou todo o seu espólio à Casa da Arquitectura (CA) em Novembro de 2021, tendo-lhe sido atribuída pelo Ministério da Cultura a Medalha de Mérito Cultural numa cerimónia que decorreu nesse mesmo ano na CA.

Nascido em Valadares, em 1938, Luís Ferreira Alves era um apaixonado pelo cinema, tendo sido seccionista activo do Cineclube do Porto nos anos 50 e cofundador da Secção de Formato Reduzido e Cinema Experimental. Em 1962, foi preso pela PIDE e julgado no Tribunal Plenário do Porto, tendo sido compulsivamente afastado do Banco Ferreira Alves & Pinto Leite onde até então trabalhava junto do pai.

No início dos anos 80 retomou, como amador, intensa actividade fotográfica, tendo sido convidado pelo amigo arquitecto Pedro Ramalho a apresentar num seminário da Escola Superior de Belas Artes do Porto um diaporama sobre a sua obra arquitectónica, tornan-se esse o seu ponto de partida para a actividade como fotógrafo profissional.

Especializou-se na fotografia de arquitectura, património e território tendo sido publicado regularmente em revistas de todo o mundo. Colaborou intimamente com arquitectos da chamada Escola do Porto nomeadamente Eduardo Souto Moura cuja obra tem sistematicamente acompanhado.

Realizador de vídeos de arquitectura e culturais, tem dezenas de livros editados e realizou inúmeras exposições, algumas delas em coautoria, dentro e fora do País.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos

Navegue

Sobre nós

Grupo Workmedia

Mantenha-se conectado

©2021 CONSTRUIR. Todos os direitos reservados.