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INAIN: 30 anos de arquitectura de interiores em crescendo [c/galeria imagens]

A completar três décadas de actividade, o gabinete de arquitectura de interiores deverá fechar o ano com um volume de negócios superior a dois milhões de euros. Um número que revela o forte dinamismo do gabinete liderado pelo arquitecto Mário Azevedo. O mais recente trabalho em carteira é o centro desportivo e administrativo do Sporting Clube de Braga, um projecto de 30 mil m2, que inclui uma unidade hoteleira

Manuela Sousa Guerreiro
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INAIN: 30 anos de arquitectura de interiores em crescendo [c/galeria imagens]

A completar três décadas de actividade, o gabinete de arquitectura de interiores deverá fechar o ano com um volume de negócios superior a dois milhões de euros. Um número que revela o forte dinamismo do gabinete liderado pelo arquitecto Mário Azevedo. O mais recente trabalho em carteira é o centro desportivo e administrativo do Sporting Clube de Braga, um projecto de 30 mil m2, que inclui uma unidade hoteleira

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(na imagem: Mário Azevedo e Paula Ferreira Alves, fundadores do atelier)

Arquitectura de interiores, mobiliário indoor e outdoor, decoração e iluminação, a completar 30 anos muitos projectos e desafios passaram pelas mãos da dupla dos arquitectos Mário Azevedo e Paula Ferreira Alves, fundadores do INAIN, o gabinete de arquitectura de interiores e decoração nasceu a norte, mas o seu trabalho não conhece fronteiras. Mais do que seguir tendência, o atelier habituou-nos a um cunho, e uma identidade, próprios, nascido de uma “gramática de sintaxe moderna” e da influência “da pintura, do artesanato” ou de “peças de época escolhidas a rigor”. Irreverencia com um cunho clássico, que confere uma leitura muito própria aos espaços. Daí às parcerias nacionais e internacionais foi um passo. Finibanco, Smartenergy (Matosinhos, Porto, Milão, Valencia), Banco de Fomento de Angola (Luanda), Ecorede, Iperplano, Tania Heath Paris, Fundo Soberano de Angola (Luanda), Lusitânia Seguros, Cerealis, Barbosa & Almeida, Amorim Revestimentos e Beldi Lab (Rio de Janeiro) fazem parte do percurso criativo do gabinete portuense.

Às mãos da equipa criativa da INAIN chegou recentemente o projecto de interiores das instalações desportivas e administrativas do Sporting Clube de Braga, numa intervenção que se distribuirá por cerca de 30 mil m2, onde se inclui os balneários das equipas A e B, zonas de lazer, restauração, exteriores e, também, um hotel com 50 quartos. Este não é o primeiro trabalho do género desenvolvido pelo INAIN, pelo gabinete já passaram o centro de estágios (do Olival) do Futebol Clube do Porto, bem como no Estádio, Museu e Casa do Dragão são exemplos paradigmáticos.
Mário Azevedo não tem dúvidas: “estamos a atravessar aquele que poderá ser o nosso melhor ano”, refere em conversa com o CONSTRUIR. A INAIN prevê ultrapassar em 2022 o que, até agora, tinha sido o melhor ano (2003), altura em que facturou 1,7 milhões de euros. “Esperamos atingir este ano os dois milhões de euros em projectos”, avança, falando de uma facturação acumulada nos dois últimos anos que ultrapassa os 2,5 milhões de euros.

30 anos de actividade em arquitectura de interiores. Escusado será perguntar se é paixão para a vida. O que vos fascina nesta vertente da arquitectura?
O mais fascinante nesta actividade é conseguir conjugar a arquitectura que nos dão, respeitá-la, e ao mesmo tempo satisfazer os clientes com ambientes que vão ao encontro dos seus anseios. É por isso que continuamos a desenvolver esta actividade, não há um interior igual ao outro.

Consideram que é dada hoje à arquitectura interior um maior reconhecimento e valorização do que há uns anos? Foi uma conquista?
Sim, claramente. A arquitectura de interiores é o resultado da conquista das liberdades, da evolução cultural e do aumento da capacidade económica.

Que papel ocupa a arquitectura e o design de interiores na valorização de um activo?
É uma mais-valia na valorização dos imóveis quer nos novos quer na reabilitação!

Quais os momentos ou projectos mais marcantes desta vossa história?
Todos são e foram importantes, quer os residenciais quer os institucionais, sendo que para mim o mais marcante foi fazer parte da construção de um banco e a criação de toda a sua rede nacional, para além da grande paixão que foi tratar a “caverna do Dragão”, FCPorto.

Quais as marcas com quem trabalham habitualmente e como se desenvolve essas parcerias?
As marcas são internacionais e várias, sendo que a opção recaiu sempre pelas que adicionam algo ao culto do design de autor.

Têm em mãos o desenvolvimento de mais um centro desportivo. Quais os maiores desafios que estes projectos colocam? Pode desvendar-nos um pouco o trabalho que está a ser desenvolvido para as instalações desportivas/hotel de Braga?
Normalmente, o maior desafio é a dimensão vs a uniformidade da linguagem. Quanto ao novo centro desportivo só poderemos adiantar que é um projecto que se desenvolve numa área de 30.000m2 e tem várias vertentes, desde zonas administrativas, lazer, desportivas e um espaço privado destinado ao alojamento dos atletas em estágio e à formação.

Quais são as principais tendências, actuais, de design que influenciam o vosso trabalho? A sustentabilidade é assumidamente uma tendência?
É claro que o mainstream social e o momento delicado que o mundo atravessa marcam a forma como nos vestiremos e vestiremos as nossas casas. Cada vez mais escolhemos materiais e marcas que respeitam a pegada ecológica e fugimos como gato da água do chamado “greenwash”, de que o mercado agora se trasvestiu. Cada vez usamos mais o que já existia, reabilitando e evitamos colocar nos nossos trabalhos elementos que não tenham função, excluindo obviamente os trabalhos plásticos.

2022 foi um ano de crescimento exponencial para a INAIN. Um crescimento que se deveu a que factores? E qual a vossa perspectiva para 2023?
Foi sem dúvida um ano muito positivo. A primeira razão prende-se com a vontade que os nossos clientes (pós-pandemia) sentiram de se virar para dentro das suas habitações e fazer remodelações, aproveitar espaços exteriores que estavam ao Deus dará, assim como toda uma nova vaga de estrangeiros que descobriram esta “jangada de pedra”! A sudoeste nada de novo é uma frase que já passou à história. Estamos nos confins da Europa, é certo, mas a Europa e outros povos estão a descobrir este cantinho à beira-mar plantado e como é bom e seguro aqui viver. Para além disso, e mais importante do que tudo, a parceria com a UN-ICON trouxe-nos um pulmão (e que pulmão) jovem, altamente qualificado que na pessoa da arquitecta Joana Azevedo, que tem sido um upgrade e um abrir de caminho para um futuro que se prevê ganhador.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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Coimbra recebe III Fórum Regional de Arquitectura

Naquela que será a futura sede da SR-CTR, a Casa das Caldeiras debate, nos dia 3 e 4 de Junho, a “visão territorial, ambiental e cultural” da região Centro, assim como a aproximação dos arquitectos ao conhecimento produzido nas universidades

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As particularidades territoriais da Região Centro dão tema ao III Fórum Regional de Arquitectura, organizado pela Secção Regional do Centro da Ordem dos Arquitectos (SR-CTR). Coimbra é a cidade escolhida para esta edição, a decorrer nos dias 3 e 4 de Junho. A abrir o primeiro dia do evento, a SR-CTR inaugura a sua sede na cidade, na Casa das Caldeiras.

Sob o tema “Território e Comunidades – A Região Centro”, o fórum pretende promover o debate sobre uma região que continua a seguir um caminho de desertificação, sofrendo com a ausência de planeamento e parca valorização patrimonial. “Além de factores sociais, esta é uma região fustigada pela alteração das condições climáticas, com o consequente agravamento da situação de seca e do número de incêndios, bem como pela ameaça à diversidade decorrente de sistemas florestais de monocultura”, refere a Ordem.

No âmbito do II Fórum Regional de Arquitectura, será, também, inaugurada a nova sede da SR-CTR, na Casa das Caldeiras, em Coimbra e lançada a revista ‘Arquitectura ao Centro’, a recém-criada publicação trienal da SR-CTR que nesta edição retrata 19 arquitectos e 24 projectos, cuja exposição estará patente na Casa das Caldeiras até Setembro.

No dia 3 de Junho, o debate sobre a Região Centro irá focar-se no que considera ser “uma visão territorial, ambiental e cultural”. A partir das 14h30, em dois painéis, a SR-CTR junta especialistas de áreas como o planeamento regional e urbano, ordenamento do território, paisagismo, turismo e ambiente. “Através de uma caracterização multidisciplinar, será possível identificar necessidades, vantagens e desvantagens associadas ao conceito daquilo que se idealiza quando se fala da região centro de Portugal”.

Já no dia 4 de Junho, “Desenhar, promover e governar uma região” é o tema em discussão. Numa tentativa de “aproximar os arquitectos do conhecimento produzido nas universidades”, os dois painéis da segunda manhã do fórum juntam investigadores de diversas áreas do conhecimento. O espaço público, o design urbano, o planeamento urbano e do território, a engenharia, a hidráulica e a economia são apenas algumas das dimensões que os especialistas trarão a debate, sempre em articulação com a arquitectura.

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Projecto sobre residências artísticas em viagem em ‘conversa’ no Palácio Sinel de Cordes

As travessias terrestres a solo, percorrendo no total mais de 20 cidades e 10.000 km em meios colectivos de transporte sobre carris ou rodas, e as reflexões e trabalhos daí resultantes são partilhados esta sexta-feira, dia 26 de Maio, com a participação do artista Pedro Tropa e da realizadora Graça Castanheira

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No início de 2023, a Trienal escolheu um conjunto de finalistas de entre as candidaturas emergentes para bolsas do programa europeu LINA (Learning, Interacting and Networking in Architecture) para a criação de um projecto a que deu o título de Periple Duet. Foi assim que Ajda Bračič, uma arquitecta e editora eslovena, e Tevi Allan Mensah, um arquitecto e artista natural de Lomé (Togo) que vive em França, empreenderam cada um uma residência em movimento pelo território europeu entre a cidade onde vivem e Lisboa. Este trabalho será apresentado esta sexta-feira, dia 26 de Maio, no Palácio Sinel de Cordes, pelas 18h30, numa conversa sobre “As residências artísticas em viagem”.

“Foi com o intuito de desafiar modelos estabelecidos que a Trienal de Lisboa apostou na criação deste formato de residência na qual a viagem é a matéria-prima para um exercício de observação: atravessar fronteiras, vivenciar a diversidade territorial, reduzir distâncias e alargar limites são elementos-chave abordados num diário de viagem como ferramenta essencial para a formação contínua em arquitectura”, indica em comunicado.

As suas travessias terrestres a solo, percorrendo no total mais de 20 cidades e 10.000 km em meios colectivos de transporte sobre carris ou rodas, e as reflexões e trabalhos daí resultantes são agora partilhados com o público numa conversa no Palácio Sinel de Cordes com a participação do artista Pedro Tropa e da realizadora Graça Castanheira.

Ajda, crítica e editora de cultura em vários meios de comunicação e escritora de ficção, apresenta o seu trabalho intimista ‘Universalmente Específico’ onde a partir de 12 fragmentos, um por cada dia de viagem, desenvolve uma observação não linear sobre identidade e paisagem. Allan, cuja prática de arquitectura e criação artística se divide entre os imaginários nos territórios fronteiriços e o potencial da arquitectura como meio de comunicação colectiva, apresenta 80 artefactos e imagens coleccionados durante a viagem para construir uma reflexão intitulada A Volta ao Dia em 80 Mundos inspirado no livro de Julio Cortázar.

Estas duas experiências dão origem a duas publicações de tiragem limitada.

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‘Babel’: Souto Moura facturou 248 mil euros em projectos para a Fortera

A Fortera encomendou a Souto Moura quatro projetos de arquitetura, nomeadamente um hotel 5 estrelas, um SPA, um centro de congressos e a praça envolvente (que inclui um parque de estacionamento)

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O arquiteto Eduardo Souto de Moura, cujo gabinete foi alvo de buscas no âmbito da Operação Babel, adiantou hoje ter-lhe sido encomendada por uma das empresas visadas na investigação quatro projetos pelos quais recebeu, até agora, 248 mil euros.

“No âmbito dos contratos celebrados para o efeito e na decorrência dos trabalhos já realizados, cuja elevada complexidade é manifesta em projetos desta natureza e grandeza, foi unicamente faturada e liquidada a quantia global de 247.980,00 euros (acrescida de IVA)”, referiu o gabinete do arquiteto, em comunicado enviado às redações.

O arquiteto explicou que o Grupo Fortera, cujo diretor-executivo, Elad Dror, foi detido no âmbito desta investigação e ficado, após primeiro interrogatório judicial, em liberdade mediante pagamento de uma caução de um milhão de euros, encomendou à sociedade “Eduardo M. – Arquitecto, Lda.” quatro projetos de arquitetura, nomeadamente um hotel 5 estrelas, um SPA, um centro de congressos e a praça envolvente (que inclui um parque de estacionamento).

Contudo, os pedidos de licenciamento ainda não foram submetidos à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, sublinhou.

Eduardo Souto de Moura confirmou ainda que a PJ fez buscas a 17 de Maio no seu gabinete, no Porto, na sequência das quais facultou toda a documentação solicitada e disponibilizou “total colaboração” com a investigação em curso. Não tendo nem a sociedade “Eduardo M. – Arquitecto, Lda.”, de que o arquiteto é sócio, nem Eduardo Souto de Moura, nem os seus colaboradores sido constituídos arguidos, sublinhou.

O arquiteto garantiu pautar a sua atividade profissional “pelo respeito e cumprimento das normas legais e regulamentares que regem os projetos em que aceita participar”.

Além do gabinete de Eduardo Souto de Moura, a PJ fez buscas em vários locais como as câmaras de Vila Nova de Gaia, Porto e Braga, na Metro do Porto e na Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN).

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Ordem dos Arquitectos lança novo inquérito do Observatório da Profissão

A iniciativa em vigor até 11 de Junho, visa auscultar os diplomados em arquitectura que nunca se inscreveram na Ordem dos Arquitectos, com o intuito de compreender e valorizar a actividade em Portugal

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A Ordem dos Arquitectos (OA) lançou um novo inquérito, no âmbito do Observatório da Profissão. Destaa vez destinado, exclusivamente, aos diplomados em arquitectura que nunca se inscreveram na Ordem, trabalhem ou não no sector. O objectivo deste estudo é conhecer o estado da arquitetura em Portugal e, com recurso a dados concretos, poder desenhar o futuro da profissão.

O questionário online, desenvolvido por investigadores do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP), estará disponível até 11 de Junho e conta com as mais relevantes faculdades portuguesas e outras entidades como parceiras na sua divulgação.

Depois do sucesso alcançado com o resultado “muito positivo”, obtido no inquérito anterior, que tinha como alvo os membros da Ordem dos Arquitectos, é agora tempo de auscultar também estes profissionais e obter dados da sua realidade e actividade profissional.

“Depois do sucesso do primeiro questionário aos membros é, pois, agora essencial ouvirmos também aqueles diplomados que nunca se inscreveram na Ordem, percebermos as áreas em que actuam e as suas preocupações para que, juntos, possamos compreender a realidade da profissão, em Portugal, e desenhar perspectivas fundamentadas e eficazes para o seu futuro”, ressalva Gonçalo Byrne, presidente da OA.

As conclusões obtidas nos dois inquéritos serão anunciadas no terceiro trimestre do ano, depois de serem analisados e cruzados os principais dados. “Os resultados a apresentar vão facilitar a tomada de decisão e constituir o grande alicerce para o futuro da arquitetura”, indica, ainda, a Ordem em comunicado.

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Miguel Souza, Adriana Scartatis e Tiago Rodrigues

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A “vila criativa” que explora o potencial do metaverso

Fundado pelo empresário português, Paulo André, e a artista e empresária brasileira, Adriana Scartaris, o Coletivo 284 é o denominador comum da parceria responsável pela criação do “284 Village”, um projecto co-desenvolvido em consórcio com a Ambits e Metaphoric e teve na génese a criação de um espaço que fosse familiar, mas com algum “design”

Cidália Lopes

No “284 Village”, além do espaço “284 Meta”, que é o ponto de partida da imersão e funciona como o centro de cultura, grandes eventos, exposições e congressos, já estão instaladas as empresas titulares Ambits Arquitetura e Metaphoric, responsáveis pela concepção arquitectónica e pela implantação técnica do projecto. Somam-se as empresas Madremedia, a P55, a Traços Interiores e o artista David Reis Pinto. Cada qual tem o seu espaço onde apresenta as suas valências, produtos ou serviços, sempre numa lógica de interacção e evolução contínua.

O “284 Village” resulta também da reflexão e implementação de iniciativas por parte do Coletivo 284 em torno da inovação e de uma visão partilhada sobre o papel da arte, do património artístico e da cultura na vida das empresas e organizações e enquanto pilar de desenvolvimento económico e social.

Numa entrevista a “três vozes”, os responsáveis pelo projecto explicaram ao CONSTRUIR a importância deste tipo de abordagem e de que forma o metaverso possibilita o crescimento das empresas

Como surgiu a ideia e a necessidade de criar este projecto?

Adriana Scartaris (AS)- Há dois anos que venho a investigar as possibilidades de criar um projecto com as características que agora se revelam. Era imperativo alargar o âmbito de acção da empresa 284, tal como se costuma dizer no Brasil, “escalar”, dentro do universo empresarial. É impossível conceber a escalada de um projecto, de uma empresa ou de um conceito, sem uma presença consistente no mundo digital. O metaverso representa um terreno novo e fértil e isso é profundamente motivador, uma vez que a inovação está enraizada no nosso ADN e é um dos nossos pilares. Contudo, o espaço virtual não poderia ser apenas um espaço para o 284. Tínhamos de reproduzir o nosso lema “Se queres ir rápido, vai sozinho; se queres ir longe, vai em grupo”. Por isso, a ideia evoluiu para uma vila criativa. A excelente notícia é que, no metaverso, podemos ir longe e rápido em grupo.

Miguel Souza (MS) – A ideia foi o resultado evolutivo de vários encontros entre as três partes criadoras do projecto. Inicialmente, a primeira ideia era ter apenas o espaço do ‘Coletivo 284’ representado no mundo digital, mas facilmente percebeu-se que era possível expandir essa ideia e criar algo inovador e único em Portugal. Percebeu-se que era uma oportunidade não só para nós como autores do projecto, mas também para os futuros envolvidos no projecto, termos a possibilidade de ter um espaço acessível e imersivo que está disponível 24 horas, isto permite tanto a grandes empresas como novos artistas de partilharem o mesmo espaço e dar conhecimento e visão dos seus trabalhos e produtos. Não pretendemos com o projecto substituir a experiência física, mas sim criar uma extensão do mundo físico para o mundo digital e estes coexistirem em harmonia.

Tiago Rodrigues (TR) – A ideia surgiu devido ao sucesso dos eventos no ‘Coletivo 284’. Ver artistas a interagir com potenciais clientes e a passar a mensagem das suas obras aos mesmo, motivou-nos a criar algo parecido em formato digital. Apesar de nunca ir substituir a experiência real, esta dá a oportunidade, de forma semelhante, ao artista de estar a vender uma obra a um potencial comprador, à distância, mantendo o factor humano activo, ao contrário de uma página de internet.

Além das empresas que constam no ‘284 Village’ têm como objetivo aumentar a ‘aldeia’ com mais empresas? Qual o objetivo?

AS – Com efeito, temos objectivos ambiciosos e dedicamo-nos a superá-los antecipadamente. O ‘284 Village’ surge com grande potencial para se tornar um espaço altamente produtivo, repleto de partilha de informações, activação de marcas, exposições de arte, eventos culturais, sinergias e oportunidades para a economia criativa. Além disso, estamos a trazer muitas empresas, um processo já em curso e acelerado, e a preparar uma programação de grandes eventos culturais e artísticos, que terão lugar a partir do segundo semestre e ocuparão todo o espaço do Village.

MS – Pretendemos criar uma comunidade criativa e empreendedora, onde é possível expor trabalhos, produtos e arte com maior facilidade e com menor logística que seria no mundo físico. Não só é interessante para os potenciais clientes/curiosos terem tudo num só espaço, também o é para quem reside na vila. Os participantes da ‘284 Village’ podem estabelecer novos contactos aumentando o seu networking, criar novas perspectivas de negócios através de outros residentes e aumentar a sua exposição e alcance do seu trabalho/produto.

TR – Somos três empresas a desenvolver este projecto com o mesmo foco. Tornar este espaço vivo, prático e ir aumento consoante a necessidade. Apesar de o centro ser focado em arte, idealmente no futuro o objectivo será ter várias indústrias de forma a gerar visualização para todo o tipo de empresas. Sendo que, se uma empresa de construção convidar um cliente a ir ao local, durante a deslocação, o cliente pudera ver outras lojas/empresas de diferentes indústrias e visitar as mesmas.

Falam num espaço “familiar”, mas que tem por base a “identidade 284”. De que forma esta identidade se torna perceptível?

AS – A nossa essência está presente em cada pormenor. A partilha é um valor que começa por estar inscrito no ‘284 Village’, situado em pleno Oceano, o que sugere o que se “vive” por lá. É possível passear pelas ruas, sentar num dos bancos sob uma árvore e realizar uma reunião, ao som do mar e das gaivotas. A sensação é profundamente agradável e reconfortante. A geometria que envolve todo o projecto é circular, e o círculo, na minha opinião, é a forma mais perfeita, pois todos os pontos são equidistantes do centro. Basta percorrer o ‘284 Village’ para sentir-se em casa, num ambiente acolhedor e amistoso. Esta é a essência do 284.

MS – A identidade 284 está ligada à essência do que é o ‘Coletivo 284’. Um espaço alternativo que se distingue pela diferença de como funciona uma galeria e a sua relação com os artistas e empresas. Houve uma preocupação de transpor essa identidade no espaço físico e no 284 Village de modo a ambos os espaços reflectirem essa identidade.

TR – Facilmente o projecto é identificado como o Coletivo 284, sendo que ao entrar no espaço irá sempre iniciar na galeria, que contem o nome em grande do 284, bem como as obras, e adicionalmente, serão feitos eventos ao vivo dentro do espaço com anúncios ao 284.

A arquitectura é provavelmente uma das indústrias que beneficiará mais em projectos de metaverso, porque permite ao cliente/investidor/empresa, experienciar o projecto final, escolher materiais com um simples toque e estar no local com um equipamento de realidade virtual, dando a sensação de espaço real e tudo isto acompanhado por uma ou várias pessoas” (Tiago Rodrigues, CEO da Metaphoric, responsável técnico pelo projecto)

Do ponto de vista da arquitectura como pode esta disciplina tirar partido desta ferramenta?

AS – Na minha perspectiva, a arquitectura, assim como as artes e o design de interiores, revelam-se como importantes vantagens desta tecnologia. No metaverso, é possível transcender as expectativas e proporcionar uma experiência quase realista, permitindo antever as sensações que o cliente irá experienciar ao habitar o espaço. O potencial de maximizar projectos arquitectónicos através de experiências no metaverso é, sem dúvida, uma revolução para a área. A possibilidade de atingir um índice de percepção do projecto muito próximo dos 100%, algo que outras ferramentas não permitem, é realmente notável. Os utilizadores podem imergir no espaço e descobrir como se sentem, antes mesmo de este ser construído, o que é extraordinário. Além disso, esta tecnologia abre novas oportunidades de negócios para profissionais da arquitectura, construtoras e outros intervenientes no sector.

MS – Em arquitectura é uma ferramenta que já está a ser usada entre arquitectos e clientes, onde os mesmos poderão experienciar os seus projectos de uma forma imersiva e ter uma maior noção da sua escala, volumetria, materiais e espaço antes de serem construídos. Esta ferramenta permite testar opções e fazer alterações em real-time no 3D, de modo a encontrar a solução ideal para o cliente, que, por conseguinte, acaba por tornar o processo entre arquitectos e clientes mais imersivo e colaborativo.

TR – A arquitectura é provavelmente uma das indústrias que beneficiará mais em projectos de metaverso, porque permite ao cliente/investidor/empresa, experienciar o projecto final, escolher materiais com um simples toque e estar no local com um equipamento de realidade virtual, dando a sensação de espaço real e tudo isto acompanhado por uma ou varias pessoas.

 

Pode esta ser uma forma de fomentar o crescimento de algumas empresas que de outra forma não o conseguiriam fazer?

AS – De facto, acredito que a entrada no metaverso traz inúmeras vantagens para a empresa, entre elas a oportunidade de consolidar a presença da marca em um ambiente virtual que perdura além das fronteiras físicas. A possibilidade de actuar em diferentes mercados simultaneamente, sem se preocupar com questões geográficas, amplia as oportunidades de negócio e de expansão da marca.

Além disso, estar no metaverso permite a criação de um vínculo mais próximo com os consumidores do futuro, influenciando o comportamento de consumo e moldando a visão de mundo desses potenciais clientes. É uma forma de preparar-se para o futuro, criando um público fiel que estará sempre presente nas iniciativas da empresa, seja no mundo físico ou virtual.

Assim, acredito que a inserção da empresa no metaverso é uma estratégia inteligente e eficaz para garantir a perenidade do negócio, pois ao criar novos modelos de negócio e interagir com o público de forma inovadora, estaremos a consolidarmo-nos como líderes de mercado e referência no sector em que actuamos.

 MS – Esta foi uma das principais razões para a criação deste projecto. O ‘284 Village’ permite fortalecer, e noutros casos aumentar, a exposição e alcance de empresas, marcas e artistas. Um artista que se tenha lançado há relativamente pouco tempo pode ter um espaço dentro do ‘284 Village’ e encaminhar futuros clientes para verem as suas obras e até apresentar amostras de futuros trabalhos. Uma marca, por exemplo, de mobiliário, pode lançar a sua nova colecção no espaço onde se poderá ver todas as peças em 3D e as opções disponíveis. Os residentes desta comunidade poderão ver o seu trabalho a ser exposto de uma forma única, imersiva e inovadora que aliando à realização de concursos, exposições, eventos e publicidade, aumentar a exposição e alcance desse mesmo trabalho.

TR – Sem duvida! E dou um exemplo: Se eu sou convidado por uma empresa construtora a visitar o seu espaço na ‘284 Village’, pelo caminho, eu posso passar por uma loja de automóveis e necessitar de um, acabando por visitar a mesma ou passar por um anúncio de take-away e aceder ao serviço, sendo que nenhum destes eram objectivos da minha adesão ao espaço. Conseguimos assim chamar a atenção de vários clientes para os diferentes tipos de negócios.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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Crédito: Marco Cremascoli

Arquitectura

O “Encontro” de Siza “no Jardim”

“Amizade social: Encontro no jardim” é o nome da exposição que marca o regresso da Santa Sé à Exposição Internacional de Arquitectura – Bienal de Veneza. Um regresso marcado também pela participação do arquitecto português Álvaro Siza que celebra a cultura do encontro

(Crédito imagem: Marco Cremascoli)
“Amizade social: Encontro no jardim” é o nome da exposição que marca o regresso da Santa Sé à Exposição Internacional de Arquitectura – Bienal de Veneza. O novo Dicastério para a Cultura e a Educação participará da 18ª Mostra Internacional de Arquitectura, que decorrerá entre 20 de Maio e 26 de Novembro, dedicando o Pavilhão Nacional da Santa Sé ao tema do encontro “Laboratório do Futuro”, proposto pela curadora, a arquitecta de origem ganesa, nascida na Escócia, Lesley Lokko.

Uma participação da qual destacamos, desde logo, dois nomes: o do Cardeal português Tolentino de Mendonça, que, enquanto perfeito do Dicastério do Vaticano para a Cultura e a Educação, é o comissário do pavilhão do Vaticano e o arquitecto Álvaro Siza cuja obra recria a visão social do Papa Francisco, neste que é o 10.º aniversário do pontificado de Francisco.

A exposição será montada nos edifícios do Mosteiro Beneditino e nos Jardins da Abadia de San Giorgio Maggiore, integrando-se no tema da mostra “O laboratório do Futuro”. Crentes, e não crentes, são convidados a “cuidar do planeta como cuidamos de nós mesmos e celebramos a cultura do encontro”. O curador, o arquitecto Roberto Cremascoli, usou estas palavras para sintetizar os ensinamentos do Papa Francisco em suas encíclicas Laudato si’ (2015) e Fratelli tuttti (2020) que, por sua vez, servem de guia para o itinerário da exposição.

O Percurso
A primeira parte do percurso desenvolvesse nas salas de exposições do mosteiro beneditino de San Giorgio Maggiore, administrado pela Benedicti Claustra Onlus, que colabora activamente no projecto.

“Os visitantes serão recebidos por uma narração em vídeo de Mattia Borgioli, descrevendo o processo que levou à criação de todas as instalações, desde a concepção dos primeiros protótipos até a chegada à Ilha de S. Jorge (uma das que se situam à frente da emblemática Praça de S. Marcos). Esta introdução abre a área expositiva da galeria, que por meio de gráficos, croquis originais e fotografias de Marco Cremascoli estabelece a narrativa.

A instalação “O Encontro” de Álvaro Siza acolhe os visitantes e leva-os aos espaços exteriores, num permanente diálogo com as ‘figuras’ desenhadas pelo “maestro”: grandes presenças cujas geometrias e dinâmicas de movimento aludem fisicamente à visão social do Papa Francisco.

A sua interacção sugestiva gera um movimento incessante, pontuado por pausas e surpresas, rumo ao último monólito, que chega ao jardim, conduzindo-nos à horta redescoberta do mosteiro e aos espaços de acolhimento especialmente criados”, descreve o Vaticano.

A nova configuração do jardim, projectada pelo colectivo italiano Studio Albori (Emanuele Almagioni, Giacomo Borella, Francesca Riva), que aqui se junta ao arquitecto português, propõe um passeio parcialmente sombreado, graças às pérgulas de madeira e bambu, e parcialmente ao ar livre, em meio às novas plantações.
Toda a madeira utilizada neste projecto goza de uma “segunda vida”, numa analogia clara à “segunda oportunidade que deve ser oferecida a todos os lugares, culturas e seres vivos”

Este novo espaço e o seu layout permitem, assim, que os visitantes caminhem por entre as hortas, o galinheiro, depósito de sementes e áreas de descanso, num misto de reconexão e contemplação. “Este enquadramento material e espiritual aproxima-nos do quotidiano de um mosteiro beneditino e da sua Regra, abrindo a possibilidade de um diálogo renovado com aqueles espaços emblemáticos da tradição arquitectónica”, conclui o Vaticano.

Esta não é a primeira vez que a arquitectura portuguesa faz “parceria” com a Santa Sé. Já em 2018 naquela que foi a estreia do Vaticano na Bienal de Arquitectura de Veneza, Eduardo Souto de Moura integrou o projecto ‘Vatican Chapels’, um conjunto de dez capelas de arquitectos internacionais, uma das quais com a assinatura do arquitecto português.

O Futuro Fértil
Portugal integra o grupo de 63 países que marcará presença nesta 18ª edição da Bienal de Veneza. Com a curadoria de Andreia Garcia (Architectural Affairs) Fertile Futures defenderá “a pertinência do contributo da Arquitectura no redesenho do futuro descarbonizado, descolonizado e colaborativo”, numa resposta directa à convocatória de Lesley Lokko.

O projecto português foi seleccionado no âmbito de um concurso promovido pela Direcção-Geral das Artes e representa um investimento de 800 mil euros.

O foco de Fertile Futures é a escassez de água doce e o impacto da acção do homem, tendo como ponto de partida a experiência concreta de sete bacias hidrográficas localizadas em território nacional – o impacto da Gigabateria na bacia do Tâmega, a quebra da convenção no Douro Internacional, a extracção mineira no Médio Tejo, a imposição de interesses na Albufeira do Alqueva, a anarquia no perímetro de rega do Rio Mira, a sobrecarga das lagoas, na Lagoa das Sete Cidades e o risco de aluviões nas Ribeiras Madeirenses. O projecto português pretende ser um estímulo à reflexão sobre novas estratégias para a gestão dos recursos hídricos, uma reflexão para a qual é pedida a colaboração da arquitectura, a par de outras especialidades, para a apresentação de modelos “para um amanhã mais sustentável, saudável e equitativo”. Esta proposta envolve ainda a realização de um conjunto de laboratórios de debate. A Representação Oficial Portuguesa ficará instalada no Palácio Franchetti, situado nas margens do Grande Canal de Veneza.

A 18.ª Exposição Internacional de Arquitectura – Bienal de Veneza conta com representações oficiais de 63 países, a lusofonia faz-se representar por Portugal e Brasil. As exposições e projectos especiais dedicados ao “Laboratório do Futuro” contam ainda com 89 arquitectos e gabinetes de arquitectura, na maioria de África e da diáspora africana, entre os quais o Banga Colectivo, gabinete de arquitectura de Luanda e Lisboa, e o ateliê brasileiro Cartografia Negra.

“Esta será a primeira edição a experimentar um caminho para alcançar a neutralidade carbónica, ao ponto de a exposição se estruturar nos temas da descolonização e descarbonização”, explicou o presidente da Bienal, Roberto Cicutto, na abertura da apresentação da mostra.

O continente africano é o grande protagonista desta 18ª edição, “porque se há lugar neste planeta onde todas as questões de equidade, raça, esperança e medo convergem e se junta, é África”, justificou na ocasião a curadora Lesley Lokko.

Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

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18 finalistas no Prémio de Arquitectura Ascensores Enor 2023

Entre os projectos seleccionados estão obras destinadas à habitação, reabilitação e intervenções urbanas. A decisão final será anunciada em Outubro deste ano e a cerimónia de entrega de prémios será realizada em Novembro na sede da ENOR, em Vigo

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Desde que o seu início, em 2005, o Prémio Enor Elevadores de Arquitectura vem crescendo em participação, chegando neste ano aos mais de 300 projectos apresentados. Do total de candidaturas apresentadas, foram seleccionados 18 finalistas. A decisão final será anunciada em Outubro deste ano e a cerimónia de entrega de prémios será realizada em Novembro na sede da ENOR, em Vigo.

Entre os projectos seleccionados estão obras destinadas à habitação, reabilitação e intervenções urbanas.

O júri, composto por profissionais de diferentes áreas ligadas à arquitectura, nomeadamente Inês Lobo, Carlos A. Pita Abad, Francisco Vieira de Campos, Anatxu Zabalbeascoa e Carlos Quintáns, destacou que esta selecção de projectos “reflecte a mudança e a evolução que está a viver a arquitectura actual”.

Os prémios ENOR são divididos em duas categorias: o Grande Prémio Enor, para a melhor obra construída em Portugal e em Espanha e o Prémio Enor de Arquitetura Jovem, para o melhor projecto de arquitectura realizado por um profissional com menos de 40 anos de idade.

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‘Arquitectura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos’ em debate no CIUL

Organizado no âmbito do Doutoramento em Arquitetura os Territórios Metropolitanos Contemporâneos (ATMC) do ISCTE-IUL, o colóquio pretende abordar a arquitectura de uma perspectiva multidisciplinar

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Integrado na rubrica de “Aulas Abertas” promovidas pelo Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL) e resultante de uma estreita colaboração entre este e o ISCTE-IUL, terá lugar no próximo dia 26 de Maio mais uma edição do colóquio de Arquitectura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneo, onde serão apresentadas e discutidas as linhas temáticas de investigação em desenvolvimento no Doutoramento em Arquitetura os Territórios Metropolitanos Contemporâneos (ATMC) do ISCTE-IUL.

O Programa de Doutoramento em ATMC elege o território contemporâneo como tema central de debate, privilegiando por essa via o estabelecimento de ramificações de pesquisa numa ampla rede.

A linha científica que orienta este ciclo de estudos é acolhida pelas unidades de investigação DINAMIA’CET-IUL e ISTAR-IUL, resultando do cruzamento entre a arquitectura, a arquitectura paisagista, a arte pública e o desenvolvimento urbano. “A construção deste corpo multidisciplinar clarifica a percepção relativa aos fenómenos metropolitanos e respectiva cultura contemporânea”.

O colóquio resulta de uma componente lectiva obrigatória do segundo ano curricular do programa doutoral que se destina a enquadrar e acompanhar a investigação em curso. Integra intervenções de curta duração proferidas por alunos do curso e por docentes e investigadores do ISCTE-IUL, com o objectivo de partilhar e debater os resultados da investigação que o programa doutoral em ATMC tem originado com uma audiência abrangente, que inclua cidadãos e especialistas não-académicos.

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4ª edição do Prémio Januário Godinho em fase de candidaturas

Instituído pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, o prémio pretende “promover a salvaguarda e valorização do património edificado”

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Encontra-se a decorrer, até ao dia 12 de Junho, o prazo para entrega de candidaturas à 4ª edição do Prémio Januário Godinho, instituído pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, cuja composição do júri conta com a participação de um arquitecto designado pelo CDRN.

O Prémio, de edição bienal, pretende “promover a salvaguarda e valorização do património edificado” e “valorizar e promover a divulgação do trabalho desenvolvido por projectistas, construtores e promotores”.

Poderão candidatar-se ao Prémio todas as entidades privadas que tenham promovido intervenções de reabilitação de edifício, sendo admitidas as obras concluídas “nos dois anos anteriores ao ano civil de cada edição do Prémio”.

As candidaturas “podem ser efetuadas por iniciativa do proprietário do edifício intervencionado e/ou equipa de projecto, representada pelo coordenador dos projectos, desde que a candidatura seja acompanhada de autorização do proprietário”.

De acordo com a autarquia, o Prémio Januário Godinho tem o valor de sete mil euros, cabendo dois mil euros ao promotor e cinco mil euros à equipa projectista, havendo ainda a possibilidade de atribuição de Menções Honrosas, de carácter não pecuniário.

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Aires Mateus assina futura estação do Metro em Alcântara

Das quatro novas estações de metro, previstas no plano de expansão da Linha Vermelha, em Lisboa, apenas a de Alcântara será em viaduto e à superfície. A sua construção prevê tornar-se um interface para futuras ligações ao LIOS e à futura estação de comboio do Alvito. Com um investimento total superior a 405 M€, cerca de 304 M€ corresponde a fundos europeus

Cidália Lopes

Além de integrar o Plano de Expansão da Linha Vermelha do Metropolitano de Lisboa, numa óptica de reorganização da mobilidade urbana e incrementar as alternativas ao automóvel, a localização escolhida para receber a estrutura à superfície da nova estação vai, também, alterar por completo a forma de aceder àquele local, assim como estabelecer uma nova ligação entre o bairro de Alcântara e o bairro do Alvito que, desde a construção da Ponte 25 de Abril, em 1966, se viram separados geograficamente.

Neste sentido, passa a existir apenas duas faixas de rodagem, uma no sentido descendente e outra no sentido ascendente apenas para transportes público, sendo que será criado um novo acesso ao bairro do Alvito, no mesmo sentido. O actual acesso pedonal que liga os dois bairros vai ser retirado e essa ligação será feita através de uma plataforma pedonal que passará por baixo da estrutura criada para receber a nova estação e que ficará à cota de superfície.

O corpo principal da estação – com implantação retangular de 120mx21,19m – apresenta-se alinhado no sentido nascente / poente e que irá permitir a ligação com toda a sua envolvente através da abertura de acessos exteriores.
O projecto é assinado pelo atelier Aires Mateus e sua construção terá uma duração prevista de 25 meses, cuja obras deverão dar início no final deste ano ou até ao primeiro trimestre de 2024. O investimento total é superior a 405 milhões de euros, dos quais cerca de 304 milhões de euros correspondem a fundos europeus

Viaduto recupera memória das estações antigas
O projecto pretende relacionar-se com a envolvente nas suas várias frentes, evocando a espacialidade iconográfica inerente às estações ferroviárias históricas do século XIX e início do século XX. A sua grande escala advém das limitações impostas pelas condicionantes urbanas e viárias, assim como das necessidades funcionais internas da estação. A estação encontra-se parcialmente enterrada, com os três pisos interiores ocultos pelo terreno e por uma grande concha de proteção.

“Será inevitavelmente um marco urbano excepcional na sua função, mas também na sua forma. No seu interior propõe-se um espaço amplo que recebe o tráfego das carruagens de metro, oferecendo a condição única de uma espacialidade generosa e de grandes dimensões”. A estrutura metálica que compõe os pisos interiores permite uma eventual adaptação e evolução programática futura.

Para o troço de linha compreendido entre a Estação e o Baluarte do Livramento é proposto um viaduto em treliça com secção de 9,70m x 6,30m e apoiado em quatro conjuntos de pilares. O viaduto proposto cumpre todas as definições técnicas de cotas e de traçados recebidas de projectos mais abrangentes na cidade.

“Uma vez que passará a fazer parte da paisagem urbana, pretende-se que o viaduto seja o mais transparente possível de forma a não introduzir mais informação e ruído ao contexto urbano. Consequentemente, é desenhado tendo como referência a ligeireza, adaptabilidade e rapidez de construção presente em viadutos históricos”, indica o atelier.

Ligação à futura LIOS e apeadeiro do Alvito
A implantação dos seus pilares foi cuidadosamente analisada de maneira a respeitar as diferentes condicionantes impostas: a situação existente, o traçado viário proposto, a possível rotunda de Alcântara, o subsolo – caneiro e via-férrea, e ainda a possibilidade de prolongamento do LIOS.
O interface desenvolve-se em três níveis: nível do cais ML à cota +15.85m, nível do átrio à cota +10.35m e nível do cais LIOS à cota +5.30m e é composta por um sistema de acessos verticais de ligação cais/átrio. A solução proposta permite que os dois níveis dos cais funcionem de forma independente, garantindo a possibilidade de fechar parcialmente a estação sem comprometer o seu funcionamento.

No piso 1 – Metro Lisboa – localizam-se os cais laterais de acesso ao veículo, com um comprimento de 116.40m. Os acessos ao cais situam-se nos topos e centro, existindo três escadas mecânicas, uma escada fixa e um elevador em cada cais. Sob o nível das plataformas dos cais ML haverá ainda um sub-cais destinado ao encaminhamento das infraestruturas.

O piso 0 – Átrio – permite ligar todos os acessos da estação, facilitando o atravessamento entre a encosta do Alvito, as zonas de Alcântara Sul e Alcântara Nascente. É também neste piso que é feita a distribuição dos acessos verticais ao cais do metro e cais do LIOS, através de escadas mecânicas, escadas fixas e dois conjuntos de elevadores. Neste nível estão localizadas as bilheteiras e máquinas de validação de bilhetes e constitui passagem obrigatória para todos os passageiros que pretendam aceder à plataforma do metro.

Por último, o piso -1 – LIOS – desenvolve-se em cais laterais com comprimento de 45m. Os acessos exteriores situam-se nos extremos e no centro e os acessos verticais para o átrio encontram-se ao centro e são compostos por uma escada mecânica, uma escada fixa e um elevador em cada cais. Uma vez que o LIOS apenas ocupa 45m dos 117m de comprimento do cais da Estação, o topo Poente é ocupado por dois volumes independentes que contêm as áreas técnicas necessárias para o funcionamento do Lios. Todas as áreas técnicas necessárias ao funcionamento do Metro encontram-se enterradas ao nível do cais do metro e do átrio no topo poente da estação. A Norte estão também enterradas as instalações de pessoal ML e pessoal externo, a sala de limpeza e sala de lixo com acesso direto a partir da zona não controlada do átrio.

Além da ligação ao LIOS, o novo interface vai também ligar ao Apeadeiro do Alvito, como primeira paragem da Fertagus na margem Norte. Esta estrutura foi pensada logo aquando da construção do comboio da Ponte mas nunca chegou a ser utilizada. A mesma será alvo de uma requalificação e construção das devidas infraestruturas para possa servir de ponto de ligação com a nova estação de Alcântara.

Demolição e valorização do espaço público
Durante a fase de construção do viaduto e túnel a guarita do Baluarte do Livramento será desmontada e posteriormente será recolocada. Esta medida deve-se à necessidade de garantir a integridade da guarita durante os trabalhos no interior e exterior do Baluarte. A memória dos edifícios que se propõem demolir na Rua da Costa e na Travessa do Livramento é mantida através da reconstrução das suas fachadas simplificadas e com diminuição das suas alturas e da representação no pavimento das paredes existentes.

Desta forma, “aproveita-se a oportunidade para criar novos espaços públicos encerráveis, através de gradeamento, e de carácter comunitário, cujo programa será definido pela CML nas próximas fases de projecto. Propõe-se ainda a criação de novas ligações pedonais, em colaboração com a CML, entre a cota alta e a cota baixa melhorando a fluidez, o arejamento e a acessibilidade desta área urbana”.

Consequentemente é desenhado um circuito urbano que interliga a cota superior da Calçada da Tapada, à cota do muro avançado do Baluarte, à cota intermédia da Tv. do Livramento e às cotas mais baixas da e Rua da Costa e Rua Maria Pia. Este projecto constitui uma oportunidade de transformação e requalificação das áreas abrangidas pela estação e viaduto, através do desenho de novos percursos viários e pedonais, da requalificação do Baluarte do Livramento e ainda da criação de zonas verdes e tratadas paisagisticamente.

Sobre o autorCidália Lopes

Cidália Lopes

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