Edição digital
Assine já
    PUB
    Imobiliário

    Maior projecto da Habitat Invest nasce em Almada

    Com um investimento total na ordem dos 120 milhões de euros, o Almar South Living, um projecto da Saraiva e Associados, será construído em quatro fases. A primeira terá início ainda este ano, com conclusão prevista para 2025

    Cidália Lopes
    Imobiliário

    Maior projecto da Habitat Invest nasce em Almada

    Com um investimento total na ordem dos 120 milhões de euros, o Almar South Living, um projecto da Saraiva e Associados, será construído em quatro fases. A primeira terá início ainda este ano, com conclusão prevista para 2025

    Cidália Lopes
    Sobre o autor
    Cidália Lopes
    Artigos relacionados
    Metro de Lisboa: Ministro admite atrasos irrecuperáveis e ajustes do programa
    Construção
    Dstgroup vence concurso para construção de 5 centrais fotovoltaicas flutuantes
    Construção
    Iberdrola recebe luz verde para avançar com “maior parque eólico” em Portugal
    Engenharia
    Startup portuguesa Bandora integra Agenda ILLIANCE
    Empresas
    Lisboa é a 100.ª cidade mais cara do mundo para expatriados
    Imobiliário
    Maior projecto de hibridização do país com luz verde para avançar
    Engenharia
    Expansão da Vista Alegre e Bordallo Pinheiro na Ásia com ajuda de Cristiano Ronaldo
    Empresas
    “Trabalhamos para que a CONSTRUMAT seja um ponto de encontro para mostrar o presente e vislumbrar o futuro”
    Empresas
    Industrialização com forte presença num evento onde portugueses marcam pontos
    Empresas
    Century 21 Portugal no Rock in Rio com “casa ecológica”
    Empresas

    Com um investimento total na ordem dos 120 milhões de euros, o Almar South Living, um projecto da Saraiva e Associados, será construído em quatro fases. A primeira terá início ainda este ano, com conclusão prevista para 2025

    A promotora imobiliária, Habitat Invest, prepara-se para dar início à comercialização daquele que será o seu maior investimento até ao momento. O Almar South Living vai nascer em Almada, junto ao Parque da Paz, e conta com um investimento total de 120 milhões de euros. “O maior investimento da Habitat Invest até ao momento”, afirmou ao CONSTRUIR, Daniel Tareco, administrador da promotora, que confirmou, ainda, a vontade de “continuar a investir na Margem Sul”.

    O novo empreendimento procura contribuir para a criação de oferta residencial na área metropolitana de Lisboa e dinamizar a zona de Almada, tendo em conta a oferta da cidade.

     

    Pensado para famílias, com mais de 80% das suas tipologias T2 e T3, o empreendimento  pretende introduzir o “conceito de bairro”, como indica o arquitecto Miguel Saraiva, da Saraiva + Associados, autor do projecto arquitectónico.

    Para Duarte Soares Franco, director comercial da Habitat Invest, “O Almar South Living é um projecto bastante interessante que vem dar resposta à procura de habitação de qualidade para a classe média, e que conjuga diversas atractividades que o tornam convidativo, tais como a proximidade do centro de Lisboa, mas com a vantagem de ter a natureza e a praia por perto”.

    O empreendimento irá contar com 514 novos apartamentos, divididos por cinco a oito andares de 13 edifícios, com todos os equipamentos e serviços que incidem nas novas tendências urbanas: lazer, sustentabilidade e saúde. Desenvolvido em quatro fases, estende-se por uma área de 9.600 m2, com uma capacidade de construção de aproximadamente 51 mil m2. A primeira fase da construção, correspondente ao lote 12, deverá ter início até ao final deste ano e a entrega das primeiras casas está prevista para 2025.

    A segunda fase deverá ter início em 2024, mas tal vai depender do ritmo da procura.

    Sobre o autorCidália Lopes

    Cidália Lopes

    Jornalista
    Mais artigos
    Artigos relacionados
    Metro de Lisboa: Ministro admite atrasos irrecuperáveis e ajustes do programa
    Construção
    Dstgroup vence concurso para construção de 5 centrais fotovoltaicas flutuantes
    Construção
    Iberdrola recebe luz verde para avançar com “maior parque eólico” em Portugal
    Engenharia
    Startup portuguesa Bandora integra Agenda ILLIANCE
    Empresas
    Lisboa é a 100.ª cidade mais cara do mundo para expatriados
    Imobiliário
    Maior projecto de hibridização do país com luz verde para avançar
    Engenharia
    Expansão da Vista Alegre e Bordallo Pinheiro na Ásia com ajuda de Cristiano Ronaldo
    Empresas
    “Trabalhamos para que a CONSTRUMAT seja um ponto de encontro para mostrar o presente e vislumbrar o futuro”
    Empresas
    Industrialização com forte presença num evento onde portugueses marcam pontos
    Empresas
    Century 21 Portugal no Rock in Rio com “casa ecológica”
    Empresas
    PUB
    Construção

    Metro de Lisboa: Ministro admite atrasos irrecuperáveis e ajustes do programa

    “A tuneladora não faz mais do que aqueles metros por dia. E, portanto, não é fácil recuperar o atraso. Está atrasado, e não se vai recuperar o atraso”, assegura o ministro da Coesão

    O ministro da Coesão admite que o Metropolitano de Lisboa está a trabalhar no reajustamento do programa das obras da Linha Circular, atendendo a que os trabalhos estão atrasados “e não se vai recuperar o atraso” a tempo de assegurar que a intervenção tenha financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

    Em entrevista ao Jornal de Notícias e à radio TSF, Castro Almeida admite que trabalhos como os do Metro “são obras que estão atrasadas, e é o tipo de obras onde não é fácil acelerar o ritmo”. “A tuneladora não faz mais do que aqueles metros por dia. E, portanto, não é fácil recuperar o atraso. Está atrasado, e não se vai recuperar o atraso”, assegura o governante, admitindo que “apesar disso, a Metropolitano de Lisboa está a ajustar o programa para que nós possamos fazer uma pequena reformulação no PRR de forma a não perder dinheiro”.

    Na entrevista, Castro Almeida salienta que “há essa preocupação de não perder dinheiro, e se não fizermos quatro estações, vamos fazer duas estações. Desde que estejam a operar, serão financiadas pelo PRR. Não queremos fazer grandes reformulações no PRR. Tenho a ideia que o Governo anterior desenhou PRR, e a este Governo compete-lhe executar. Não vamos estar sempre a pensar no que está pensado e a dar passos atrás e à frente. O País não ganha nada com isso. Mas há pequenos ajustamentos que vamos ter que fazer para não perder dinheiro. E estas obras de que lhe falo, estas alterações no programa do Metropolitano de Lisboa, são desses casos. Eu não estou com isto a dizer que as obras vão deixar de ser feitas. A natureza ou a origem do financiamento é podem ter de alteradas”.

    As alterações podem, no entanto, representar encargos para os cofres públicos, ora porque os trabalhos em falta serão pagos pelo Banco Europeu de Investimento ou com recurso ao Orçamento de Estado.n

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos

    Xavier Vilajoana, presidente da CONSTRUMAT

    Empresas

    “Trabalhamos para que a CONSTRUMAT seja um ponto de encontro para mostrar o presente e vislumbrar o futuro”

    Em entrevista exclusiva ao CONSTRUIR, o presidente da CONSTRUMAT explica a importância de uma maior aposta em áreas como a industrialização ou a construção em madeira, atendendo a que Portugal e Espanha estão hoje perante um cenário de transformação. Xavier Vilajoana fala da importância da presença de empresas portuguesas num evento que procura aproximar-se da referência europeia na fileira da construção

    Ricardo Batista

    Ao CONSTRUIR, enquanto decorria a edição deste ano da CONSTRUMAT, o presidente do salão explicou que os expositores marcam presença no evento porque têm a garantia de que se trata de uma iniciativa de negócio, mais do que uma mostra de produtos. Xavier Vilajoana  ainda digere a edição deste ano sem, no entanto, ambicionar que o evento, promovido pela Fira de Barcelona, possa crescer tanto em espaço como qualitativamente.

    Abertas as portas da CONSTRUMAT deste ano, em que ponto do mercado estamos, da economia, no mercado deste negócio de construção?

    Estamos num bom momento. Continuamos a crescer de forma sustentada e, além disso, estamos em plena transformação. Ou seja, estamos em um momento em que é preciso construir mais e de forma mais sustentável. É necessário construir pensando no presente, mas sobretudo no futuro. E, além disso, há muitas necessidades do nosso sector, tanto a nível residencial como a nível de infraestruturas.  Portanto, estamos numa fase particularmente positiva, de crescimento. E mais: estamos numa fase de expansão tanto quantitativamente quanto qualitativamente, o que também é muito importante.

    Esta foi há alguns anos uma das melhores e maiores feiras de construção na Europa. Que caminho importa percorrer agora para recuperar esse posicionamento?
    Acho que ainda somos uma feira de referência. O que é certo é que, evidentemente, não estamos nos níveis em que estivemos no início do Século e estou certo de que esses são tempos que não voltarão mais. Mas também porque queremos voltar às origens. Procuramos ser uma Feira muito profissional, onde o networking e as oportunidades de negócio sejam muito fortes, tanto na perspectiva dos expositores como dos visitantes, mas que também seja uma montra de soluções tão transversal como era naquela altura. Aqui pode-se encontrar desde inovação em maquinaria, em materiais, novos sistemas construtivos, novas tecnologias, startups, ou seja, muitos subsectores da construção que são muito importantes estão aqui representados, neste que é um ponto de encontro para todos os que querem ver onde estamos e sobretudo para onde vamos.

    Falando com alguns dos expositores, sublinharam que esta é uma feira muito especial porque, diziam, “aqui não somos meros expositores, somos negociantes. Aqui faz-se negócio”. É assim?

    Exactamente. De facto, é um dos valores acrescentados que tem a CONSTRUMAT. Os expositores, no final, o que vêm procurar é isso. Campanhas de marketing e de promoção de marca quase todas as empresas já o fazem fora das Feiras. Portanto, aqui, principalmente, o que eles vêm procurar é negócio. E se crescemos em relação à edição anterior em 50%, é porque a resposta é muito positiva e a satisfação também. “De boca em boca” é o que melhor funciona quando se trata de uma campanha de marketing. E esperamos que a edição do próximo ano seja ainda melhor do que foi a deste ano e possamos ocupar, se possível, outro pavilhão maior. No final, se conseguirmos que os expositores e visitantes se sintam bem e estejam, pelo menos, tão satisfeitos quanto na edição anterior, eu acredito que continuaremos a crescer e poderemos voltar a ser o salão de referência de construção em Espanha e, por que não, rivalizar com outras feiras de referência na Europa como a Batimat (Paris, França) ou a Bauma (Munique, Alemanha).

    Xavier Vilajoana, presidente da CONSTRUMAT

    Percorrendo a feira, percebi que há uma mudança efectiva até ao nível dos expositores.
    Falamos de novos sistemas construtivos, construção em madeira, novos métodos de construção, industrialização da construção. Isso é mudança comum tanto em Portugal como em Espanha, desde logo porque partilhamos um problema derivado da falta de mão-de-obra. Seria também uma mudança na forma de fazer construção?

    Sim. Veja: sempre disse que este é um sector muito resiliente. Sempre foi. É um sector que sempre olhou para o futuro, sempre antecipou as necessidades do futuro, tanto da sociedade como do planeta, e a industrialização é uma parte da solução. Além disso, a industrialização pode ter muitos níveis: pode ser na totalidade, pode ser em módulos, pode ser em pequenos detalhes ou espaços como cozinhas, casas-de-banho. Além disso, a industrialização tem uma vantagem, que é permitir a incorporação de mão de obra, por exemplo, do sector feminino, mas, além disso, reduzir tempos de obra. Por outro lado, em cidades muito consolidadas é mais complicado de fazer. Ocupar um espaço entre dois edifícios existentes é difícil recorrendo a um processo industrial. Mas é verdade que é um sector que é uma soma de muitas soluções. Felizmente, aqui na CONSTRUMAT, podemos ver muitas dessas soluções. E há mais: este é um sector onde os diferentes actores colaboram e cooperam muito entre si. Não é a primeira vez que vêm duas empresas diferentes, com produtos diferentes, e se olham, falam, trocam ideias e dessa colaboração surge um novo produto como consequência dessa transmissão de conhecimento. E isso para nós também gera um valor agregado muito alto. Depois, a sustentabilidade. É evidente que agora não só se olha os edifícios pensando no presente, ou seja, quando estiverem construídos, mas também se tem em conta a sua vida útil, o consumo que sustentam, as emissões de CO2, como também ao nível de manutenção. Ou seja, os edifícios têm que ser sustentáveis economicamente, ambientalmente e socialmente.

    Há um ciclo de vida muito longo de um edifício…
    Exactamente. E tem de ser levado em conta. As pessoas já olham quanto vai custar a manutenção e os custos que vai ter esse edifício, ou a casa, ou o apartamento onde vai morar.

    E considerar também o processo de eventual demolição
    A reciclagem e a reabilitação são muito importantes. Actualmente avançou-se muito. Há empresas de demolição que já implementam, no mesmo terreno onde se demoliu, pequenas estações de reciclagem dos materiais, que depois são reutilizados na nova construção. Isso já funciona há algum tempo e cada vez a economia circular na construção está mais difundida.

    Procuramos ser uma feira muito profissional, onde o networking e as oportunidades de negócio sejam muito fortes, tanto na perspectiva dos expositores como dos visitantes, mas que também seja uma montra de soluções tão transversal como era naquela altura

    O que Portugal pode trazer para CONSTRUMAT? Que valor acrescentado podem ter os expositores de Portugal?
    Portugal e Espanha são pontos de união entre a América e a Europa. São pontos de entrada. Além disso, têm muitas semelhanças. Têm o mesmo tipo de cidades consolidadas mas, ao mesmo tempo, têm municípios afastados das grandes cidades que precisam dessa comunicação para que possam crescer de forma sustentável. Acredito que em Portugal também têm um problema de acesso à habitação principalmente em grandes cidades como Lisboa por exemplo, e esse é um problema comum. Isso só se resolve construindo mais e fazendo mais apartamentos, porque se a promoção de novas casas é mais célere que a construção dos mesmos é muito evidente que haverá tensões no mercado. Mas isso não se pode só limitar às grandes cidades. A resposta a estes problemas depende, também, da execução de boas redes de comunicação e de mobilidade.  É importante considerar que o cálculo de distâncias seja feito em minutos e não apenas em quilómetros. Quando conseguirmos isso teremos mais facilidade para crescer.

    Consolidar novas áreas urbanas…
    Exacto, e bem comunicadas. Dou sempre este exemplo: se planificar agora uma viagem a Londres, vou ter vários aeroportos onde aterrar. Seja Luton, Gatwick, Stansted. Para termos uma ideia: Stansted está a uma distância quase equivalente à distância entre Barcelona e Girona. E, no entanto, quando tu vens a Barcelona e aterras em Girona, não pensas que estás a vir para Barcelona. E, no entanto, estás à mesma distância que, por exemplo, o aeroporto de Stansted. De Stansted ao centro de Londres demoras 25 minutos. Quando conseguirmos isso, aliviaremos o peso e a pressão que há nas cidades como Lisboa ou Barcelona, por exemplo, que são tão solidárias e tão maduras.

    Este ano têm um país convidado, Marrocos. O que significa isso? Um piscar de olho ao Mundial, que Espanha organiza em conjunto com Marrocos e Portugal?

    Sim, também. É o primeiro ano que temos um convidado de honra. Neste caso, a escolha acabou por ser Marrocos porque na edição anterior da CONSTRUMAT, quase 30% dos visitantes era desse País, naquela que foi a nacionalidade mais representativa entre os visitantes. Além disso, se considerarmos que Espanha passou a ser o primeiro país na relação comercial com Marrocos, ultrapassando a França, também nos fez pensar nesta opção. A isto junta-se, claro, o facto de Espanha, juntamente com Portugal, organizar conjuntamente o Mundial de 2030 de futebol. Então dissemos que este era o melhor momento. Mas evidentemente, nas próximas edições haverá outros países e porque não Portugal? É um dado curioso que muitas vezes olhamos para o perfil do visitante como um perfil europeu por estarmos tão perto. Mas há um número considerável de visitantes de outros continentes. Há uma conexão muito grande com estas feiras. Eles podem trazer e beber muito desta informação que nós partilhamos neste tipo de eventos. De facto, somos a porta de entrada para a Europa para o continente africano e, portanto, eles também têm de aproveitá-lo. Somos a porta de entrada para a Europa e eles são a nossa porta de entrada para África. Portanto, é normal que com os países do norte de África tenhamos este tipo de relação. Além disso, eles também precisam crescer muito em infraestruturas. As empresas europeias, e quase todas espanholas, são especialistas. Temos grandes empresas nacionais que trabalham por todo o Mundo, muito importantes, e, portanto, é um factor a ter em conta. Mas não só o continente africano, o continente asiático também traz muitos visitantes. E o americano. Tanto o norte-americano como o sul-americano. Realmente estamos num lugar, Barcelona neste caso, que é um nexo de união de muitas culturas, de muitos países e de muitos continentes. E temos de aproveitar isso.

    Pode-se saber um pouco mais sobre a próxima edição? O que têm planeado?
    De momento estamos a desfrutar desta. E estamos, felizmente, sobrecarregados porque o sucesso, por enquanto, está a ser muito alto. Está a corresponder às expectativas que tínhamos. E para o ano queremos crescer. Queremos alcançar um volume não só quantitativo, mas qualitativo, para podermos competir com feiras como a Batimat ou a Bauma. Porque se para o ano conseguirmos alcançar o volume que queremos, passaríamos a edições bienais para competir ombro a ombro com estas duas grandes feiras europeias. A intenção da CONSTRUMAT não é que se torne numa feira de mostra de produto. Ou seja, aqui tentamos que todos os expositores acrescentem valor, que apresentem soluções inovadoras, as novidades que saem no mercado, novas formas de construir. Trabalhamos para que a CONSTRUMAT seja um ponto de encontro para mostrar o presente e vislumbrar o futuro. E eu acho que isto é muito importante, porque se não, não te diferencias das outras feiras. É muito importante que haja essa diferenciação, como disse, qualitativamente em relação às outras feiras

    Sobre o autorRicardo Batista

    Ricardo Batista

    Director Editorial
    Mais artigos
    Empresas

    Industrialização com forte presença num evento onde portugueses marcam pontos

    Novas técnicas construtivas, novos processos. A industrialização enquanto motor de uma construção mais sustentável teve um forte impacto na CONSTRUMAT deste ano, num evento onde as empresas portuguesas procuraram consolidar presença num mercado em crescimento

    Ricardo Batista

    Se há áreas em que Portugal e Espanha estão manifestamente unidos e empenhados é na necessidade de encontrar soluções, emergentes, que respondam de forma eficiente e sustentável à necessidade de colocar mais casas no mercado. Se na falta de oferta de imóveis à venda incidem os elevados custos dos materiais, as dificuldades dos promotores para obter financiamento ou desenvolver as promoções, a burocracia e, fundamentalmente, a escassez de solo e de mão de obra; no caso dos imóveis para arrendamento, a oferta contrai essencialmente devido aos desincentivos dos proprietários para manter essas moradias no mercado, bem como pelas mudanças na legislação.

    Durante três dias, o parque de feiras e exposições da Gran Via, em Barcelona, foi palco de excelência para 314 empresas poderem apresentar soluções que respondem a muitos desses desafios. A construção industrializada, como ferramenta para uma actividade construtiva mais sustentável, foi a grande protagonista da 23ª edição da CONSTRUMAT, que decorreu entre 21 e 23 de Maio e que encerrou portas com um balanço muito positivo depois de três dias de grande actividade, nos quais registou um total de 21.027 visitantes, 40% a mais que na edição de 2023. Dessa forma, a CONSTRUMAT consolida sua reactivação e se reafirma como o grande evento de feira da construção espanhola, procurando espaço para rivalizar com outras feiras de referência no contexto europeu, como afirmou Xavier Vilajoana em entrevista ao CONSTRUIR.

    Na edição deste ano, uma edição marcada pelo crescimento e pela dinamização de negócios, bem como por uma clara aposta do sector na inovação e na sustentabilidade, o destaque foi mesmo a construção industrializada, que consiste na fabricação dos elementos estruturais em fábrica para sua posterior montagem na obra. Esta prática destacou-se no evento como uma das tendências presentes e futuras mais eficazes da indústria, junto com a construção em madeira, novos materiais ou sistemas para tornar os edifícios mais eficientes em termos de economia de energia e água. Além de ser uma das melhores montras comerciais do sector, a CONSTRUMAT contou com um amplo programa de conteúdos e actividades profissionais. Assim, exibiu uma casa de dois andares fabricada em madeira e outros elementos naturais, que foi um dos grandes atractivos da edição deste ano. Além disso, contou com mais de 120 palestrantes no Sustainable Building Congress, onde Marrocos, como país convidado desta edição, apresentou os seus projectos de infraestruturas para acolher o Mundial de Futebol de 2030. Mais de 20 startups na área da construção participaram no PropCon-Hub, realizaram-se 10 workshops práticos e foram entregues os Prémios CONSTRUMAT, comissariados pela Fundació Mies van der Rohe, que reconheceram duas obras, uma em Cornellà (Barcelona) e outra na Alemanha, edificadas sob critérios de sustentabilidade.

    Durante três dias, o parque de feiras e exposições da Gran Via, em Barcelona, foi palco de excelência para 314 empresas poderem apresentar soluções que respondem a muitos desses desafios

    Portugueses em destaque

    Entre os expositores, várias foram as empresas portuguesas que aproveitaram o certame não apenas para apresentar as soluções como para estreitar relações com um mercado que tem mantido um crescimento interno invejável, graças à procura interna, tanto privada como pública, já que resolveu o problema do défice de forma inteligente no período expansivo do ciclo económico. E sendo um País próximo de Portugal, tem a particularidade de funcionar como 18 mercados distintos, tantos quanto as províncias autonómicas.


    Ao CONSTRUIR, o director Técnico e de Marketing do Grupo Preceram explica que “este evento acaba a ser muito interessante porque congrega muito a arquitectura, os arquitectos técnicos espanhóis, que têm um perfil diferentes dos portugueses, com a distribuição”. Ávila e Sousa acrescenta que a CONSTRUMAT “é uma feira essencialmente profissional, uma feira de três dias, muito concentrados e que apela mesmo ao público profissional. Aqui faz-se negócio”, sublinhando que “mais do que noutros eventos em que muitas vezes nós estamos numa perspectiva mais expositiva ou mais informativa, aqui estamos presentes numa perspectiva de concretizar algumas parcerias ou abrir portas para parcerias”. Para o responsável técnico de marcas como a Gyptec, Nexclay ou Volcalis, é notória uma “grande presença da construção industrializada, da construção em madeira ou em aço leve e de muitas empresas que são integradoras dos vários materiais apresentando soluções”, explicando que materiais como a lã mineral (Volcalis) ou as placas (Gyptec) têm, efectivamente, “um papel importante neste contexto de construção industrializada”. Ávila e Sousa vai, no entanto, ainda mais longe, explicando que o sucesso da feira de Barcelona está, desde logo, ligado ao seu posicionamento geográfico. “É um local da Península Ibérica muito próximo do resto da Europa, ou seja, nós estamos aqui numa zona em que temos muitos clientes e muitos visitantes que vêm de toda esta região, como vêm do País Vasco ou Valência, das Baleares e até das Canárias”. “Há toda uma dinâmica de mercado que torna importante e interessante a nossa presença na CONSTRUMAT, a que acresce o facto de, este ano, Marrocos ser o País convidado. 2030 é ‘já ali’ e há muita obra para ser feita. Mesmo que não sejam necessariamente os estádios do Mundial, há todo um conjunto de infra-estruturas que vão ter de ser construídas tal como alojamento”. “Se olharmos bem, não é necessariamente Marrocos que está a abrir as portas, é Espanha que está a abrir caminhos para Marrocos”, conclui. Não sendo necessariamente novidades, o Grupo Preceram apostou na marca Volcalis, nomeadamente a lã mineral com um coeficiente baixíssimo de transmissão térmica e uma absorção sonora máxima. O incêndio de Valência trouxe para cima da mesa a importância de uma apertada regulamentação em matéria de isolamento do edificado, colocando em evidência, por exemplo, a incombustibilidade da lã mineral enquanto isolamento. “Somos competitivos em termos de preço, temos capacidade de produção, e isso faz com que sejamos também apetecíveis como parceiros em alguns negócios”, refere.

    Entre os expositores, várias foram as empresas portuguesas que aproveitaram o certame não apenas para apresentar as soluções como para estreitar relações com um mercado que tem mantido um crescimento interno invejável, graças à procura interna, tanto privada como pública, já que resolveu o problema do défice de forma inteligente no período expansivo do ciclo económico

    Quem também percebeu a importância de estar presente nesta montra de soluções foi a Efapel. A fabricante de Serpins (Coimbra), especialista em produtos para instalações eléctricas de baixa tensão, telecomunicações, som ambiente e calhas, foi também presença notada. Ao CONSTRUIR, o director comercial da Efapel em Espanha não tem dúvidas de que a CONSTRUMAT  vai voltar a ser uma das feiras de referência na Europa. Eduardo Rincón explica que esse caminho passa também pelas empresas. “A questão está na atitude que nós, enquanto fabricantes, temos perante estas iniciativas e a forma como funcionamos como motores do mercado ou apoiamos esta dinâmica”, diz, acrescentando que “esta é uma feira muito importante para o Sector da Construção e é, também, por isso que marcamos a nossa posição”.  Sobre a presença da empresa na iniciativa, Rincón explica que “a Efapel tem uma presença muito forte no mercado espanhol. Quando, em 2014, a Efapel inaugurou o armazém robotizado em Serpins com capacidade para seis mil paletes, atingiu um salto muito significativo de serviço que nos colocou num patamar muito competitivo. Neste momento temos equipas comerciais em 15 áreas de Espanha e em mais de 400 pontos de venda profissionais”. O director comercial da Efapel em Espanha salienta que ser fabricante com esta capacidade permite uma qualidade-preço impressionante, a que se junta a própria qualidade de fabrico exemplar. Esta combinação de factores permite que possamos ter uma óptima qualidade de serviço em Espanha e responder a encomendas num prazo não superior a 72 horas”, explica. Estes factores, no entender de Eduardo Rincón, representam uma séria diferenciação competitiva naquele mercado. Já Hugo Rodrigues salienta a importância da CONSTRUMAT para reforçar a presença num mercado em crescimento. O director comercial da Bragmaia, empresa com experiência no fabrico e comercialização de soluções para espaços urbanos, explica ao CONSTRUIR que aproveitam a presença na feira promovida pela Fira Barcelona para “consolidar a distribuição na região da Catalunha, além de procurarem novos distribuidores”. O director comercial da empresa explica que o mercado espanhol representa 30% da facturação do grupo, justificando que os números atestam, desde logo, “o reconhecimento de um bom produto, que pode ser customizado e à medida do cliente”.

    *O CONSTRUIR viajou a convite da Fira Barcelona

    Sobre o autorRicardo Batista

    Ricardo Batista

    Director Editorial
    Mais artigos
    Construção

    Perspectivas menos optimistas para o Investimento em Construção

    A mais recente análise da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, AICCOPN, sobre a conjuntura do sector da Construção nacional compila os principais dados sobre o sector

    CONSTRUIR

    As previsões de Primavera da Comissão Europeia, recentemente divulgadas, reviram em baixa as perspectivas, para 2024 e 2025, no que respeita à evolução do Investimento em Construção em Portugal. Com efeito, a estimativa de crescimento deste indicador para o corrente ano, passou de 2,9% para 2,5%, e para 2025, passaram de 3,3% para 2,8%. Neste âmbito, importa salientar que as Contas Nacionais Trimestrais divulgadas, pelo INE, referentes ao primeiro trimestre de 2024, revelaram um fraco arranque deste indicador, apurando-se variações de 0,9%, em termos homólogos, e de -0,3% face ao trimestre anterior.

    No que concerne à área licenciada pelas Câmaras Municipais, nos primeiros três meses de 2024, assistiu-se a uma expressiva redução, em termos homólogos, de 17,6%, nos edifícios habitacionais e de 31,7% nos edifícios não residenciais. Relativamente ao número de fogos licenciados em construções novas neste período, verificou-se uma contracção de 20,3%, em termos homólogos, para um total de apenas 7.222 alojamentos quando, há um ano, este número ascendeu a 9.060.

    Relativamente à avaliação da habitação para efeitos de crédito bancário, no mês de Março de 2024, observou-se um aumento de 6,5%, em termos homólogos, para 1580€/m2. Quanto aos custos de construção de habitação nova registou-se, naquele mês, um aumento do índice de 2,3%, em termos homólogos, em resultado de variações de -1,1% na componente dos materiais e de +6,9% na componente referente à mão de obra.

    No que diz respeito ao mercado das obras públicas, nos primeiros quatro meses de 2024, verificou-se um crescimento de 18,7%, em termos de variação homóloga temporalmente comparável, no valor dos contratos de empreitadas, celebrados e registados no Portal Base, que totalizaram 1.050 milhões de euros.

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos
    Imobiliário

    Rivage Properties investe 20 M€ em imóvel de luxo junto ao rio Douro

    O ‘The View II’ é a primeira aposta da recém criada promotora que aposta na zona do Porto, onde já tem previstos mais três empreendimentos. Com 50% das fracções pertencentes à primeira fase já vendidas, a sua construção deverá estar concluída em 2026

    CONSTRUIR

    A Rivage Properties acaba de lançar o The View II, um empreendimento de luxo com 29 apartamentos, situado na margem do Rio Douro, a 10 minutos do centro histórico do Porto, e que conta com um investimento de 20 milhões de euros.

    A comercialização do edifício arranca já em Junho, sendo que já se encontram vendidas 50% das fracções pertencentes à primeira fase. A sua construção deverá estar concluída em 2026.

    Com a assinatura  do arquitecto Paulo Merlini, o empreendimento de sete andares, é inspirado nos “socalcos da região vinhateira e desenhado para integrar a paisagem do Douro” e caracteriza-se por “espaços amplos, luz natural e varandas e piscinas privadas, com vista para o rio Douro”. Os futuros moradores terão, também, acesso a um ginásio totalmente equipado e um espaço de co-living.

    O The View II reflecte, também, um compromisso com a sustentabilidade, através da escolha diferenciada dos seus materiais e da sua frente virada a Sul, que diminuem a necessidade de consumo energético.

    Para João Ribeiro, CEO e fundador da Rivage Properties, o The View II espelha os objectivos da empresa enquanto promotora imobiliária de luxo. “Para nós, é importante investir em locais estratégicos que valorizem o património cultural e promovam, acima de tudo, uma boa qualidade de vida. Pretendemos expandir o nosso portfólio e realizar mais investimentos diferenciados, que se integrem no ambiente e que tenham um papel no desenvolvimento local da região, além de ser prioritário que estes tenham um sentido de comunidade, através de espaços que incentivem a interacção e a convivência”, refere o responsável.

    A arrancar no mercado imobiliário, a Rivage Properties está a apostar no Grande Porto, onde já conta com outros três projectos de luxo, dois deles na Foz do Douro e nas Antas e um terceiro também na marginal do Rio Douro, em Gondomar, com um investimento total de 45 milhões de euros.

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos
    Empresas

    Barómetro: Velux aponta medidas urgentes para melhorar qualidade de ar interior e iluminação natural

    A saúde e o conforto interior nos edifícios europeus estão seriamente comprometidos. Um em cada quatro europeus vive em edifícios onde a qualidade do ar interior é inferior às normas nacionais e mais de 30 milhões de cidadãos são afectados por viverem em espaços demasiado escuros, com um impacto negativo na saúde mental e física. O Barómetro de Edifícios Saudáveis, que a marca dinamarquesa de janelas promove desde 2015, coloca não apenas em evidência estes indicadores como aponta medidas emergentes para inverter tendência

    Ricardo Batista

    A tónica do estudo deixa antever que a necessidade de mudança é manifestamente evidente. “O contexto é de urgência”. A conclusão consta do Barómetro de Edifícios Saudáveis, uma análise elaborada pelo Instituto Europeu de Desempenho de Edifícios (BPIE) e promovida pela Velux, que se dedica, desde 2015, a identificar a necessidade de acções significativas rumo a edifícios saudáveis e apontar caminhos a seguir, incluindo uma definição e enquadramento para edifícios saudáveis, sustentáveis e resilientes. A urgência mencionada é, até, vertida em números: 1 em cada 4 europeus vive em edifícios onde a qualidade do ar interior está abaixo dos valores padrão europeus. Pior: um em casa seis adultos europeus vivem num ambiente, numa casa, cujo ambiente interior é insalubre, sendo que no caso das crianças estamos a falar de uma em cada três crianças.

    Em Madrid, numa iniciativa dedicada à imprensa e que contou com a presença do CONSTRUIR, a fabricante dinamarquesa de janelas promoveu uma conferência dedicada à apresentação das principais conclusões desta análise. “Os edifícios saudáveis e acessíveis deviam ser o único tipo de edifícios em que as pessoas vivem, aprendem, trabalham, se divertem ou recuperam. Acreditamos que este relatório pode servir tanto de inspiração como de ferramenta concreta para os decisores políticos, apresentando recomendações e exemplos concretos,” afirma Fleming Voetmann, vice-presidente de Relações Externas e Sustentabilidade do Grupo VELUX. Os edifícios saudáveis também beneficiam a economia e o clima, pois os estudos apresentados mostram um retorno do investimento de 11,5% na renovação de um edifício público, e uma redução de 30% do impacto climático. Além disso, os locais de trabalho mais saudáveis poderiam gerar um valor acrescentado bruto adicional de 40 mil milhões de euros por ano para a economia europeia por cada 1% de melhoria no desempenho dos trabalhadores.

    Almudena López, Specification Manager da Velux Espanha, explica que “começar um projecto de arquitectura ou fazer uma remodelação é uma enorme oportunidade para criar um espaço que não seja apenas sustentável para o planeta, mas que também favoreça os seus ocupantes. É da responsabilidade do arquitecto zelar pelo bem-estar dos utilizadores em cada momento do dia e dos legisladores estabelecer critérios de saúde e de energia.” O estudo BPIE/VELUX não se limita a diagnosticar o estado do edificado, mas recomenda soluções e a aplicação de boas práticas para ultrapassar o problema que atinge uma dimensão preocupante.

    UE longe das metas
    O contexto é de urgência já que a União Europeia está longe de atingir os objectivos climáticos para 2050 em matéria de energia e renovação. O mesmo se passa quando se trata de melhorar a saúde do parque imobiliário, como mostra o presente relatório. Para fazer face a esta situação, o Barómetro dos Edifícios Saudáveis introduz não só um quadro para monitorizar os edifícios saudáveis e sustentáveis na Europa, mas também um conjunto de recomendações políticas para alinhar colectivamente os esforços em matéria de edifícios saudáveis com os objectivos de descarbonização do Acordo de Paris para 2050. As políticas climáticas devem colocar as pessoas em primeiro lugar. Estabelecer um novo quadro em que a sustentabilidade, a resiliência e a acessibilidade económica possam ser alcançadas ao mesmo tempo.

    Os números revelados pelo estudo são inquietantes. Em termos de reabilitação e renovação, o atraso é enorme: “As renovações têm de ser aumentadas em 1400% para atingir os objectivos da UE” – constata o estudo. Em 2020, apesar de vivermos ainda os efeitos da pandemia, ainda assim “as emissões de CO2 foram 18% superiores ao que deveriam ter sido para atingir os objectivos climáticos da UE”.

    Mas o estudo BPIE/VELUX também revela perspectivas esperançosas se, entretanto, autoridades e protagonistas do mercado imobiliário europeu “arrepiarem caminho”. “O custo da renovação de todo o parque habitacional ineficiente da UE poderia ser recuperado em apenas 2 anos e poupar 194 mil milhões de euros em benefícios sociais equivalentes (como menos dias de doença, melhor desempenho no trabalho e na escola, etc.)” – adianta a publicação. Em termos habitacionais, “O cumprimento das normas de eficiência energética da UE poderia poupar 44% da energia final utilizada para aquecimento”. E renovação dos hospitais poderia conduzir à quebra de 21% de gastos médicos, a 19% da taxa de mortalidade e a uma baixa de 20% da taxa de rotatividade do pessoal hospitalar”.

    ‘Herança’ Covid
    Embora de uma forma menos evidente, a Europa vive, ainda hoje, resquícios de um período de confinamento forçado à conta da pandemia de Covid 19. Entre esses efeitos está uma maior consciencialização para as debilidades das habitações. O confinamento e o crescimento da tendência do teletrabalho permitiram a milhões de pessoas olharem para as suas casas a partir de uma nova perspectiva. De um dia para o outro, começámos a ver problemas em detalhes que antes talvez passassem mais despercebidos para muitos. Falamos de questões que agora nos parecem tão vitais quanto a falta de luz, as deficiências térmicas, o excesso de humidade… Para garantir o bem-estar de todos e a preservação do planeta, o edifício sustentável impõe-se como nova norma. É, por isso, de elementar importância destacá-lo, uma vez que a saúde e o conforto no interior dos edifícios europeus estão numa situação, no mínimo, preocupante. Os números não deixam margem para dúvidas e alertam-nos: um em cada quatro europeus reside em edifícios onde a qualidade do ar interior está abaixo dos padrões nacionais e mais de 30 milhões de cidadãos são afectados por viverem em espaços demasiado escuros, com um impacto negativo na saúde mental e física. Sem sublinhar, especificamente, a importância de janelas eficientes na equação, Almudena López alerta que a qualidade do ar interior é provavelmente o dado que mais facilmente afecta a qualidade de vida das pessoas dentro de um espaço, seja uma casa, um escritório, um hospital. “Ambientes com uma qualidade de ar adequada promovem um bem-estar maior, maior produtividade, menor propensão a erros, melhoria de capacidade de concentração e de estudo”, o mesmo se passando com a importância da luz natural promovida por uma eficiente colocação e disposição de janelas. O período de confinamento expôs um conjunto de debilidades que a maior parte das pessoas desconhecia porque, até então, não as tinha experienciado de perto. 24 horas sobre 24 horas a viver e trabalhar num mesmo espaço tornaram evidentes algumas dessas falhas, nomeadamente ao nível da iluminação natural em contexto de (tele)trabalho ou a renovação de ar interior. O mesmo se passa ao nível da climatização. “As crescentes ondas de calor que temos vindo a notar com cada vez maior frequência têm também um impacto muito importante”, assegura a Specification Manager da Velux Espanha, acrescentando que “o aumento do número de mortes nos últimos anos colocou em evidência como os edifícios não estão preparados para estes fenómenos”. “Se olharmos para a realidade de Portugal, um pouco como em Espanha, um terço dos portugueses manifestam a sua incapacidade para manter estável a temperatura nas suas casas”, acrescenta Almudena, sublinhando que uma janela ou uma porta que não isole, seja no Inverno ou no Verão, pode representar um sério problema. Estamos a falar de protelar a entrada de calor o tempo suficiente até chegar a melhor altura de voltar a ventilar o espaço”.

    Visão holística
    De acordo com a Velux, o Barómetro define um novo enquadramento inovador baseado em investigação científica sólida e ilustrado através do estudo de 12 casos práticos na Europa. O enquadramento baseia-se em cinco dimensões interrelacionadas com as seguintes características e objectivos, nomeadamente melhorar a saúde mental e física; Concebido para as necessidades humanas; Construído e gerido de forma sustentável; Resiliente e adaptável e Empoderar as pessoas. Cada dimensão compreende um conjunto de indicadores, com um total de 24, que orientam as partes interessadas no seu processo de tomada de decisões para conseguir edifícios verdadeiramente saudáveis, sustentáveis e resilientes.

    Os edifícios que cumprem as cinco dimensões delineadas no novo enquadramento têm um impacto mensurável na saúde mental e física, com menos dias de doença e um melhor desempenho no trabalho e nas salas de aula, incluindo um aumento de 10 a 18% resultante apenas de uma maior exposição à luz natural. A esse respeito, o Barómetro propõe, até 2030, uma maior colaboração entre os diferentes recursos a nível nacional e da UE para desenvolver regulamentos e normas mais holísticas para edifícios saudáveis que vão além do desempenho energético; Incluir indicadores de edifícios saudáveis no observatório do parque de edifícios (BSO) e integrá-los nos instrumentos políticos nacionais (por exemplo, legislação, aconselhamento, financiamento, ferramentas de construção, planos de renovação); Aplicar a nível nacional as novas disposições da DEEE (Directiva do Desempenho Energético dos Edifícios) sobre a qualidade do ar nos edifícios e ampliar o alcance dos passaportes de renovação de edifícios e dos planos nacionais de renovação de edifícios para integrar as avaliações da qualidade do ar e os controlos de qualidade nas novas construções e renovações; Para evitar a fragmentação nacional, introduzir um quadro harmonizado da UE para calcular a avaliação do ciclo de vida (ACV) e estabelecer limites obrigatórios de emissões de carbono a nível da UE com base na ACV para os edifícios novos, tal como solicitado na reformulação da DEEE; Introduzir uma legislação sobre edifícios mais holística, que tenha em conta o funcionamento de um edifício ao longo de todo o ano, os parâmetros de conforto tanto no Verão como no Inverno e o uso de dados climáticos futuros; Incluir indicadores de edifícios saudáveis para promover tecnologias de edifícios inteligentes como a automatização de edifícios, a detecção, a modelação de informação de edifícios e os gémeos digitais (DBL).

    *O CONSTRUIR viajou a convite da Velux

     

    Sobre o autorRicardo Batista

    Ricardo Batista

    Director Editorial
    Mais artigos

    Hotel ‘Flor de Sal’, em Viana do Castelo

    Imobiliário

    The Editory Collection Hotels adiciona mais uma unidade ao seu portefólio

    O Hotel Flor de Sal, em Viana do Castelo, passa assim a ser a 11ª unidade hoteleira da marca da Sonae. Enquanto “referência no Norte do País e perfeitamente estabelecido no destino” era estratégia integrar no Grupo esta unidade”, segundo Isabel Tavares, directora geral de Vendas e Marketing da Editory Collection Hotels

    CONSTRUIR

    O Grupo The Editory Collection Hotels acaba de integrar mais uma unidade no portfólio de hotéis: o Hotel Flor de Sal, em Viana do Castelo, sendo a 11ª unidade a juntar-se à operação do Grupo a nível nacional.

    Localizado mesmo em frente ao mar e a poucos minutos do centro da cidade de Viana do Castelo, o hotel começou a sua actividade em 2004, tendo, recentemente, sido alvo de investimentos de renovação e reconversão energética.

    “O Hotel Flor de Sal é uma referência no Norte do País e perfeitamente estabelecido no destino, e para a nossa marca, é estratégico integrar esta unidade em Viana do Castelo”, afirmou Isabel Tavares, directora geral de Vendas e Marketing da Editory Collection Hotels.

    O Flor de Sal, uma unidade de 4* Estrelas, dispõe de 60 quartos, dos quais oito são suites e uma penthouse, com uma decoração “moderna e sofisticada” na qual imperam os tons claros e as madeiras, a par de muita luz natural e de janelas que permitem “apreciar a vista-mar ou a vista de montanha”.

    Vocacionado para lazer, a unidade apresenta, também, uma forte componente corporativa ao disponibilizar quatro salas de reuniões, uma delas com capacidade até 200 pessoas em plateia, com vista-mar e luz natural, assim como um ginásio e um heath club Solinca, com piscina interior.

    O restaurante Saleiro, com 40 lugares sentados, é, também, uma “referência” da gastronomia tradicional e dos sabores do Alto-Minho. Com serviço de almoços e jantares à Carta, apresenta, ainda, um menu executivo durante a semana e, ao jantar, há condições para refeições de grupos empresariais ou familiares. No bar encontra-se disponível a carta de snacks e de vinhos de várias Regiões Demarcadas.

    O Grupo The Editory Collection Hotels, detido a 100% pela SC Investments, que por sua vez é detida na quase totalidade pela Efanor, em resultado da reestruturação do portfolio da ex-Sonae Capital e agrega os negócios de Hotelaria, Fitness, Tróia e Real Estate que pertenciam à Sonae Capital.

    As restantes unidades da marca são o Porto Palácio Hotel by The Editory (Boavista, Porto), The Editory Artist (Baixa, Porto), The Editory House (Ribeira, Porto), The Editory Boulevard (Aliados, Porto), The Editory Riverside (Santa Apolónia, Lisboa), The Editory Garden (Baixa, Porto), The Editory by The Sea (Troia), Aqualuz Troia Mar & Rio by The Editory (Troia), Troia Residence by Editory (Troia) e Aqualuz Lagos by The Editory (Lagos).

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos

    LIV Santa Catarina

    Imobiliário

    Antigo edifício da CGD transformado em 13 apartamentos de “charme”

    Com promoção da Oxy Capital e da Zaphira Capital, o LIV Santa Catarina está a ser comercializado pela Quintela e Penalva l Knight Frank, em parceria com a Bloom Lifestyle

    CONSTRUIR

    O projecto, da Oxy Capital e da Zaphira Capital, comercializado pela Quintela e Penalva l Knight Frank, em parceria com a Bloom Lifestyle, resulta da transformação de um edifício histórico em 13 apartamentos de “charme”.  A renovação integral inspirou-se na “alma tradicional portuguesa” e no “espírito boémio” de bairro.

    Localizado no centro de Santa Catarina, em Lisboa, entre os bairros da Bica, Bairro Alto, Santos-o-Velho e Chiado, o LIV Santa Catarina, no antigo número 5 da Rua Marechal Saldanha, onde em tempos funcionou uma das dependências da Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a ser alvo de uma reabilitação que combina a “rica história da arquitectura do século XIX com um design de interiores contemporâneo e a solidez estrutural de uma nova construção”.

    “Assistimos a um momento especial assente na notoriedade que Lisboa foi granjeando ao longo dos últimos anos um pouco por todo o mundo. A intenção do comprador internacional já não está condicionada apenas pelo preço. A qualidade da habitação, assim como a oferta de um conjunto de valências que se estendem além das fachadas de um imóvel, tem um papel decisivo na escolha da propriedade e, cada vez mais, terão que estar alinhados com os padrões internacionais de luxo e de vivência das principais capitais do mundo”, salienta Francisco Quintela, sócio fundador da Quintela e Penalva.

    A procura por produtos de excelência é “uma tendência que se irá manter”, não só pelo “conhecimento que os mercados internacionais vão tendo da cidade de Lisboa, mas igualmente pela constante procura de casas no tradicional triângulo associado ao luxo em Lisboa (Chiado-Príncipe Real-Avenida da Liberdade) e face à escassez de produto”, acrescentou Francisco Quintela.

    Foi a pensar neste cliente, “que conhece Lisboa e procura uma arquitectura tradicional sem descurar da qualidade esperada num produto imobiliário ao nível das principais cidades europeias e mundiais”, que foi concebido o LIV Santa Catarina.

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos
    Construção

    Câmara de Sintra avança para construção de Multiusos em Fitares por 2,5M€

    Para o presidente da autarquia de Sintra, Basílio Horta, este investimento é “a cara de uma estratégia de descentralização e de proximidade e vem humanizar o território. Com esta obra pretendemos servir milhares de pessoas e famílias, satisfazendo as suas necessidades culturais, fortalecendo assim o sentido de comunidade.” 

    CONSTRUIR

    A Câmara Municipal de Sintra assinou o auto de consignação que marca o arranque da construção do Multiusos de Fitares, num investimento de 2,5 milhões de euros. 

    Segundo adiantam os responsáveis municipais em comunicado, o valor desta empreitada corresponde à criação, de raiz, de um edifício multiusos em Fitares, na freguesia de Rio de Mouro, com dois pisos e implantado num lote com cerca de 6.800 m2, sendo que a sua área total de construção será de 1.034 m2 (incluindo zonas técnicas). 

    Para o presidente da autarquia de Sintra, Basílio Horta, este investimento é “a cara de uma estratégia de descentralização e de proximidade e vem humanizar o território. Com esta obra pretendemos servir milhares de pessoas e famílias, satisfazendo as suas necessidades culturais, fortalecendo assim o sentido de comunidade.” 

    O edifício Multiusos de Fitares, com uma lotação prevista até 270 lugares, pretende, como o nome indica, ter um carácter polivalente e permitir a realização de eventos de várias naturezas tais como espetáculos, conferências, exposições e outras atividades coletivas, constituindo um contributo importante para aumentar a oferta cultural nesta freguesia. 

    O edifício será constituído no R/C por um foyer que integra a recepção com zona para bengaleiro, pequena cafetaria, instalações sanitárias e acesso à cabine de som. O foyer tem acesso direto à sala multiusos onde decorrerão todos os espetáculos e atividades. Do outro lado da sala multiusos existe a área destinada aos artistas com acessos independentes a partir do exterior. Essa zona será constituída por camarins masculinos e femininos incluindo instalações sanitárias, zonas de arrumos de material de cena e posto de socorro. O 1º piso é constituído apenas por áreas técnicas interditas ao público. 

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos

    Mota Engil – Eng. Carlos Mota Santos

    Construção

    Mota-Engil ganha nova obra de mais de 135M€ no Brasil

    Com este contrato, a Mota-Engil destaca continuar “a reforçar a sua presença na América Latina, através do sucesso na contratação de novos projetos de grande dimensão nos mercados ‘core’ na região”

    CONSTRUIR

    A Mota-Engil anunciou ter celebrado um novo contrato no Brasil, em consórcio com duas empresas, num valor superior a 135 milhões de euros.

    Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o grupo português de construção e engenharia avança que o novo contrato assinado pela sua sucursal no Brasil, no valor de cerca de 791 milhões de reais, está relacionado com a implantação do Veículo Ligeiro de Transporte ferroviário (VLT) de Salvador e Região Metropolitana trecho Águas Claras – Piatã, de 10,52 quilómetros (km) de extensão e com um prazo de execução de 50 meses.

    “O novo contrato […] tem por objeto a elaboração e o desenvolvimento dos Projetos Básico, Executivo e ‘As Built’, execução das obras civis e de urbanização, fornecimento e implantação dos sistemas de energia (rede aérea de tração e subestações) e trabalho Técnico Social para fins de desapropriação, visando a implantação do VLT” detalha.

    Com este contrato, a Mota-Engil destaca continuar “a reforçar a sua presença na América Latina, através do sucesso na contratação de novos projetos de grande dimensão nos mercados ‘core’ na região”.

    Sobre o autorCONSTRUIR

    CONSTRUIR

    Mais artigos
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB
    PUB

    Navegue

    Sobre nós

    Grupo Workmedia

    Mantenha-se informado

    ©2024 CONSTRUIR. Todos os direitos reservados.