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    Central Park Oeiras com investimento de 350M€

    Com o Plano de Pormenor do território quase concluído, o empreendimento da CSCEC – China Construction Portugal, sociedade de direito português integrada no Grupo liderado pela “China State Construction Engineering Corporation”, e da Teixeira Duarte, em Oeiras, deverá avançar ainda este ano. O empreendimento de uso misto – escritórios, residencial e comercial – denominado Central Park Oeiras irá nascer em Caxias e tem um investimento estimado de 350 milhões de euros

    Manuela Sousa Guerreiro
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    Central Park Oeiras com investimento de 350M€

    Com o Plano de Pormenor do território quase concluído, o empreendimento da CSCEC – China Construction Portugal, sociedade de direito português integrada no Grupo liderado pela “China State Construction Engineering Corporation”, e da Teixeira Duarte, em Oeiras, deverá avançar ainda este ano. O empreendimento de uso misto – escritórios, residencial e comercial – denominado Central Park Oeiras irá nascer em Caxias e tem um investimento estimado de 350 milhões de euros

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    Manuela Sousa Guerreiro
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    A parceria entre a construtora Teixeira Duarte e a CSCEC – China Construction Portugal, a sociedade de direito português integrada no Grupo liderado pela China State Construction Engineering Corporation, nasceu há quase quatro anos, quando a segunda adquiriu à construtora portuguesa 50% de uma participada do grupo Teixeira Duarte há muito detentora dos terrenos localizados na zona das Pedregueiras, em Caxias norte, no concelho de Oeiras. Na altura em comunicação ao mercado, o grupo português deixou já bem claro a intenção de desenvolvimento de um projecto imobiliário “A Teixeira Duarte informa sobre parceria com o Grupo “China State Construction Engineering Corporation” para desenvolvimento de projecto imobiliário, em Oeiras, através de venda de 50% de uma sua participada pelo montante de 31,1 milhões de euros. (…) O empreendimento será constituído por diversos edifícios de escritórios, habitação e comércio, integrados num grande parque verde, num modelo que se pretende que seja uma referência de inovação e sustentabilidade”, avançou na altura a construtora. Esta alienação teve um impacto nos resultados da “Teixeira Duarte, S.A.” de cerca de 22,2 milhões de euros, como reportou o Grupo.

    Desde então o projecto tem estado em desenvolvimento à espera de que o Plano de Pormenor daquele território, que abrange um total de 42 hectares, esteja concluído. Ao CONSTRUIR fonte ligada ao processo sublinha que esse passo parece estar já ultrapassado, uma vez que o documento está pronto e deverá ser apresentado e discutido publicamente nos próximos meses, reunindo, assim as condições para o investimento avançar ainda este ano.

    350 M€ numa nova centralidade
    Com um investimento orçado em 350 milhões de euros, valor que consta na listagem de projectos em desenvolvimento da CSCEC, o Central Park Oeiras pretende criar uma nova centralidade num município que, ao longo das últimas duas décadas, tem conseguido atrair um conjunto de empresas internacionais com forte potencial de inovação tecnológica. E esse parece ser um dos desígnios do Central Park já que, de acordo com os termos de referência do Plano de Pormenor, 51% da área de construção, 115 833 m2, será destinada à instalação de actividades económicas, escritórios. Outros 49%, cerca de 111 290 m2, será para habitação (40%) e comércio/serviços (9%). O projecto, que abrange uma área total 420 600 m2, deverá reservar cerca de 20 a 25% da sua área, para uso municipal.

    O conceito de “sustentável” assume-se também, desde a primeira hora, como uma referência para o projecto “enquanto potenciadora de cenários urbanísticos valorizadores do espaço urbano e que represente um contributo significativo face às estratégias de requalificação urbana que se pretendem introduzir na presente área de intervenção”.
    “A diversificação e qualificação do sector dos serviços, associado ao incremento das acessibilidades permitem definir um quadro favorável à instalação de empresas e indústrias na área criativa, biotecnológica e de energias renováveis, que integradas, e em articulação com os restantes usos complementares, promovem o desenvolvimento da cidade sustentável”.

    Ainda que a Teixeira Duarte dispense apresentações em Portugal, o seu parceiro chinês tem ainda uma presença tímida no mercado nacional, contrastando com o peso e dimensão do Grupo “China State Construction Engineering Corporation”, no palco internacional, sendo um dos dez maiores conglomerados de investimento e construção a nível mundial, (número 9 no ranking “Fortune Global 500” de 2022).

    Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

    Manuela Sousa Guerreiro

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    Câmara de Coimbra lança concurso para requalificar Escola Eugénio Castro por 10,5M€

    O concurso agora lançado, para uma obra que se espera que esteja concluída dentro de dois anos, está enquadrado num pacote de investimentos previstos na Região Centro, região que tem a maior fatia dos 450 milhões de euros afectos a este aviso de abertura, num valor de 150 milhões de euros de investimento

    Ricardo Batista

    Estão avaliados em 10,5 milhões de euros os trabalhos de beneficiação e requalificação da Escola Básica Eugénio de Castro, uma iniciativa promovida pela autarquia de Coimbra que recorre a financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência para inverter o avançado estado de degradação em que se encontra o equipamento, construído em 1972.
    O concurso agora lançado, para uma obra que se espera que esteja concluída dentro de dois anos, está enquadrado num pacote de investimentos previstos na Região Centro, região que tem a maior fatia dos 450 milhões de euros afectos a este aviso de abertura, num valor de 150 milhões de euros de investimento.
    De acordo com a autarquia liderada por José Manuel Silva, este projecto de beneficiação e reabilitação visa fundamentar o investimento previsto na cláusula terceira do Acordo Sectorial de Compromisso no domínio da Educação celebrado entre o Governo e a Associação Nacional de Municípios Portugueses, a 22 de Julho de 2022, no qual o Governo assumiu o compromisso de “realizar ou assegurar o financiamento de investimentos de construção de novas infraestruturas e de recuperar/reabilitar/ampliar um conjunto de escolas dos 2º e 3º ciclos e escolas secundárias, cuja propriedade passou para os municípios e identificadas como necessitando de intervenção prioritária, ou seja, de intervenção mais profunda”, o que é o caso da EB Eugénio de Castro.

    Envelhecida e desgastada
    Construída em 1972 para o então designado ensino preparatório, a escola Eugénio de Castro tem uma capacidade para 1.008 alunos, distribuídos por 18 turmas do 2º ciclo e 18 turmas do 3º ciclo do EB. É constituída por oito blocos. O seu estado de conservação é mau, embora com nova cobertura (executada em 2022) e sem problemas estruturais graves, está muito envelhecida e desgastada por 50 anos de uso intenso sem manutenção adequada. O seu maior problema construtivo é a questão térmica, uma vez que não tem qualquer tipo de isolamento nem nas paredes, nem nos tectos ou pavimentos e as grandes áreas envidraçadas sem estores ou palas de protecção, realizados numa série de alumínio muito deficiente e com vidros simples, concorrem para uma grande perda de energia durante a estação fria e uma grande acumulação de calor na estação quente. Ao nível dos arranjos exteriores, embora com áreas amplas e bastantes zonas verdes, acusa problemas nos muros de vedação e suporte e também nos pavimentos partidos e envelhecidos e com muitos desníveis. As principais alterações funcionais pretendem libertar os blocos destinados a aulas exclusivamente para esse fim, alocando a biblioteca e o auditório noutros locais. O refeitório e a cozinha vão ser objecto de uma pequena ampliação para rentabilizar os espaços. No pavilhão gimnodesportivo pretende-se demolir o bloco existente de balneários, insuficiente e degradado, e executar quatro blocos modulares, soltos do pavilhão, sendo três com a valência de balneários e uma sala de dança/ginástica.
    Do projecto de execução agora aprovado, e da autoria dos serviços da própria Câmara, constam os projectos de arquitectura, de estabilidade, de instalação de gás, de redes prediais de água e esgotos, de águas pluviais, de alimentação e distribuição de energia eléctrica, de instalações eletromecânicas (AVAC), de infraestruturas de telecomunicações, de arquitectura paisagista, de condicionamento acústico, de segurança contra incêndios em edifícios, bem como o estudo de comportamento térmico e os planos de segurança e saúde, de gestão de resíduos de construção e demolição, as condições técnicas especiais, medições e orçamentos, incluindo, ainda, o sistema solar fotovoltaico para autoconsumo, segurança integrada, sistema de gestão técnica centralizada e certificação energética.

    Investimento alargado

    “Além da reabilitação e beneficiação das infraestruturas, serão melhorados os espaços específicos para as disciplinas artísticas, laboratoriais e desportivas”, sublinhou Ana Cortez Vaz. Na sua intervenção, a vereadora, que conta também com a pasta da habitação social, referiu que a Câmara de Coimbra já assinou um termo de responsabilidade para acelerar os processos de construção e reabilitação associados ao Programa 1.º Direito, do PRR. Aproveitando essa medida avançada pelo actual Governo, o município já viu aprovada a reabilitação de 33 fogos no bairro Fonte do Castanheiro, cuja candidatura tinha sido submetida há nove meses e continuava sem resposta por parte do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU). Também no período antes da ordem do dia, o presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva deu conta de que espera que os procedimentos para comprar 30 autocarros eléctricos, anunciado este ano, “possa acontecer em 2025”. O autarca congratulou-se ainda com a inauguração de um centro da multinacional Constellation Automotive Group, que opera no mercado automóvel, no Estádio Municipal de Coimbra, que conta já com 50 trabalhadores e que perspectiva chegar aos 250 até 2026.

    Sobre o autorRicardo Batista

    Ricardo Batista

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    Xavier Vilajoana, presidente da CONSTRUMAT

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    “Trabalhamos para que a CONSTRUMAT seja um ponto de encontro para mostrar o presente e vislumbrar o futuro”

    Em entrevista exclusiva ao CONSTRUIR, o presidente da CONSTRUMAT explica a importância de uma maior aposta em áreas como a industrialização ou a construção em madeira, atendendo a que Portugal e Espanha estão hoje perante um cenário de transformação. Xavier Vilajoana fala da importância da presença de empresas portuguesas num evento que procura aproximar-se da referência europeia na fileira da construção

    Ricardo Batista

    Ao CONSTRUIR, enquanto decorria a edição deste ano da CONSTRUMAT, o presidente do salão explicou que os expositores marcam presença no evento porque têm a garantia de que se trata de uma iniciativa de negócio, mais do que uma mostra de produtos. Xavier Vilajoana  ainda digere a edição deste ano sem, no entanto, ambicionar que o evento, promovido pela Fira de Barcelona, possa crescer tanto em espaço como qualitativamente.

    Abertas as portas da CONSTRUMAT deste ano, em que ponto do mercado estamos, da economia, no mercado deste negócio de construção?

    Estamos num bom momento. Continuamos a crescer de forma sustentada e, além disso, estamos em plena transformação. Ou seja, estamos em um momento em que é preciso construir mais e de forma mais sustentável. É necessário construir pensando no presente, mas sobretudo no futuro. E, além disso, há muitas necessidades do nosso sector, tanto a nível residencial como a nível de infraestruturas.  Portanto, estamos numa fase particularmente positiva, de crescimento. E mais: estamos numa fase de expansão tanto quantitativamente quanto qualitativamente, o que também é muito importante.

    Esta foi há alguns anos uma das melhores e maiores feiras de construção na Europa. Que caminho importa percorrer agora para recuperar esse posicionamento?
    Acho que ainda somos uma feira de referência. O que é certo é que, evidentemente, não estamos nos níveis em que estivemos no início do Século e estou certo de que esses são tempos que não voltarão mais. Mas também porque queremos voltar às origens. Procuramos ser uma Feira muito profissional, onde o networking e as oportunidades de negócio sejam muito fortes, tanto na perspectiva dos expositores como dos visitantes, mas que também seja uma montra de soluções tão transversal como era naquela altura. Aqui pode-se encontrar desde inovação em maquinaria, em materiais, novos sistemas construtivos, novas tecnologias, startups, ou seja, muitos subsectores da construção que são muito importantes estão aqui representados, neste que é um ponto de encontro para todos os que querem ver onde estamos e sobretudo para onde vamos.

    Falando com alguns dos expositores, sublinharam que esta é uma feira muito especial porque, diziam, “aqui não somos meros expositores, somos negociantes. Aqui faz-se negócio”. É assim?

    Exactamente. De facto, é um dos valores acrescentados que tem a CONSTRUMAT. Os expositores, no final, o que vêm procurar é isso. Campanhas de marketing e de promoção de marca quase todas as empresas já o fazem fora das Feiras. Portanto, aqui, principalmente, o que eles vêm procurar é negócio. E se crescemos em relação à edição anterior em 50%, é porque a resposta é muito positiva e a satisfação também. “De boca em boca” é o que melhor funciona quando se trata de uma campanha de marketing. E esperamos que a edição do próximo ano seja ainda melhor do que foi a deste ano e possamos ocupar, se possível, outro pavilhão maior. No final, se conseguirmos que os expositores e visitantes se sintam bem e estejam, pelo menos, tão satisfeitos quanto na edição anterior, eu acredito que continuaremos a crescer e poderemos voltar a ser o salão de referência de construção em Espanha e, por que não, rivalizar com outras feiras de referência na Europa como a Batimat (Paris, França) ou a Bauma (Munique, Alemanha).

    Xavier Vilajoana, presidente da CONSTRUMAT

    Percorrendo a feira, percebi que há uma mudança efectiva até ao nível dos expositores.
    Falamos de novos sistemas construtivos, construção em madeira, novos métodos de construção, industrialização da construção. Isso é mudança comum tanto em Portugal como em Espanha, desde logo porque partilhamos um problema derivado da falta de mão-de-obra. Seria também uma mudança na forma de fazer construção?

    Sim. Veja: sempre disse que este é um sector muito resiliente. Sempre foi. É um sector que sempre olhou para o futuro, sempre antecipou as necessidades do futuro, tanto da sociedade como do planeta, e a industrialização é uma parte da solução. Além disso, a industrialização pode ter muitos níveis: pode ser na totalidade, pode ser em módulos, pode ser em pequenos detalhes ou espaços como cozinhas, casas-de-banho. Além disso, a industrialização tem uma vantagem, que é permitir a incorporação de mão de obra, por exemplo, do sector feminino, mas, além disso, reduzir tempos de obra. Por outro lado, em cidades muito consolidadas é mais complicado de fazer. Ocupar um espaço entre dois edifícios existentes é difícil recorrendo a um processo industrial. Mas é verdade que é um sector que é uma soma de muitas soluções. Felizmente, aqui na CONSTRUMAT, podemos ver muitas dessas soluções. E há mais: este é um sector onde os diferentes actores colaboram e cooperam muito entre si. Não é a primeira vez que vêm duas empresas diferentes, com produtos diferentes, e se olham, falam, trocam ideias e dessa colaboração surge um novo produto como consequência dessa transmissão de conhecimento. E isso para nós também gera um valor agregado muito alto. Depois, a sustentabilidade. É evidente que agora não só se olha os edifícios pensando no presente, ou seja, quando estiverem construídos, mas também se tem em conta a sua vida útil, o consumo que sustentam, as emissões de CO2, como também ao nível de manutenção. Ou seja, os edifícios têm que ser sustentáveis economicamente, ambientalmente e socialmente.

    Há um ciclo de vida muito longo de um edifício…
    Exactamente. E tem de ser levado em conta. As pessoas já olham quanto vai custar a manutenção e os custos que vai ter esse edifício, ou a casa, ou o apartamento onde vai morar.

    E considerar também o processo de eventual demolição
    A reciclagem e a reabilitação são muito importantes. Actualmente avançou-se muito. Há empresas de demolição que já implementam, no mesmo terreno onde se demoliu, pequenas estações de reciclagem dos materiais, que depois são reutilizados na nova construção. Isso já funciona há algum tempo e cada vez a economia circular na construção está mais difundida.

    Procuramos ser uma feira muito profissional, onde o networking e as oportunidades de negócio sejam muito fortes, tanto na perspectiva dos expositores como dos visitantes, mas que também seja uma montra de soluções tão transversal como era naquela altura

    O que Portugal pode trazer para CONSTRUMAT? Que valor acrescentado podem ter os expositores de Portugal?
    Portugal e Espanha são pontos de união entre a América e a Europa. São pontos de entrada. Além disso, têm muitas semelhanças. Têm o mesmo tipo de cidades consolidadas mas, ao mesmo tempo, têm municípios afastados das grandes cidades que precisam dessa comunicação para que possam crescer de forma sustentável. Acredito que em Portugal também têm um problema de acesso à habitação principalmente em grandes cidades como Lisboa por exemplo, e esse é um problema comum. Isso só se resolve construindo mais e fazendo mais apartamentos, porque se a promoção de novas casas é mais célere que a construção dos mesmos é muito evidente que haverá tensões no mercado. Mas isso não se pode só limitar às grandes cidades. A resposta a estes problemas depende, também, da execução de boas redes de comunicação e de mobilidade.  É importante considerar que o cálculo de distâncias seja feito em minutos e não apenas em quilómetros. Quando conseguirmos isso teremos mais facilidade para crescer.

    Consolidar novas áreas urbanas…
    Exacto, e bem comunicadas. Dou sempre este exemplo: se planificar agora uma viagem a Londres, vou ter vários aeroportos onde aterrar. Seja Luton, Gatwick, Stansted. Para termos uma ideia: Stansted está a uma distância quase equivalente à distância entre Barcelona e Girona. E, no entanto, quando tu vens a Barcelona e aterras em Girona, não pensas que estás a vir para Barcelona. E, no entanto, estás à mesma distância que, por exemplo, o aeroporto de Stansted. De Stansted ao centro de Londres demoras 25 minutos. Quando conseguirmos isso, aliviaremos o peso e a pressão que há nas cidades como Lisboa ou Barcelona, por exemplo, que são tão solidárias e tão maduras.

    Este ano têm um país convidado, Marrocos. O que significa isso? Um piscar de olho ao Mundial, que Espanha organiza em conjunto com Marrocos e Portugal?

    Sim, também. É o primeiro ano que temos um convidado de honra. Neste caso, a escolha acabou por ser Marrocos porque na edição anterior da CONSTRUMAT, quase 30% dos visitantes era desse País, naquela que foi a nacionalidade mais representativa entre os visitantes. Além disso, se considerarmos que Espanha passou a ser o primeiro país na relação comercial com Marrocos, ultrapassando a França, também nos fez pensar nesta opção. A isto junta-se, claro, o facto de Espanha, juntamente com Portugal, organizar conjuntamente o Mundial de 2030 de futebol. Então dissemos que este era o melhor momento. Mas evidentemente, nas próximas edições haverá outros países e porque não Portugal? É um dado curioso que muitas vezes olhamos para o perfil do visitante como um perfil europeu por estarmos tão perto. Mas há um número considerável de visitantes de outros continentes. Há uma conexão muito grande com estas feiras. Eles podem trazer e beber muito desta informação que nós partilhamos neste tipo de eventos. De facto, somos a porta de entrada para a Europa para o continente africano e, portanto, eles também têm de aproveitá-lo. Somos a porta de entrada para a Europa e eles são a nossa porta de entrada para África. Portanto, é normal que com os países do norte de África tenhamos este tipo de relação. Além disso, eles também precisam crescer muito em infraestruturas. As empresas europeias, e quase todas espanholas, são especialistas. Temos grandes empresas nacionais que trabalham por todo o Mundo, muito importantes, e, portanto, é um factor a ter em conta. Mas não só o continente africano, o continente asiático também traz muitos visitantes. E o americano. Tanto o norte-americano como o sul-americano. Realmente estamos num lugar, Barcelona neste caso, que é um nexo de união de muitas culturas, de muitos países e de muitos continentes. E temos de aproveitar isso.

    Pode-se saber um pouco mais sobre a próxima edição? O que têm planeado?
    De momento estamos a desfrutar desta. E estamos, felizmente, sobrecarregados porque o sucesso, por enquanto, está a ser muito alto. Está a corresponder às expectativas que tínhamos. E para o ano queremos crescer. Queremos alcançar um volume não só quantitativo, mas qualitativo, para podermos competir com feiras como a Batimat ou a Bauma. Porque se para o ano conseguirmos alcançar o volume que queremos, passaríamos a edições bienais para competir ombro a ombro com estas duas grandes feiras europeias. A intenção da CONSTRUMAT não é que se torne numa feira de mostra de produto. Ou seja, aqui tentamos que todos os expositores acrescentem valor, que apresentem soluções inovadoras, as novidades que saem no mercado, novas formas de construir. Trabalhamos para que a CONSTRUMAT seja um ponto de encontro para mostrar o presente e vislumbrar o futuro. E eu acho que isto é muito importante, porque se não, não te diferencias das outras feiras. É muito importante que haja essa diferenciação, como disse, qualitativamente em relação às outras feiras

    Sobre o autorRicardo Batista

    Ricardo Batista

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    Industrialização com forte presença num evento onde portugueses marcam pontos

    Novas técnicas construtivas, novos processos. A industrialização enquanto motor de uma construção mais sustentável teve um forte impacto na CONSTRUMAT deste ano, num evento onde as empresas portuguesas procuraram consolidar presença num mercado em crescimento

    Ricardo Batista

    Se há áreas em que Portugal e Espanha estão manifestamente unidos e empenhados é na necessidade de encontrar soluções, emergentes, que respondam de forma eficiente e sustentável à necessidade de colocar mais casas no mercado. Se na falta de oferta de imóveis à venda incidem os elevados custos dos materiais, as dificuldades dos promotores para obter financiamento ou desenvolver as promoções, a burocracia e, fundamentalmente, a escassez de solo e de mão de obra; no caso dos imóveis para arrendamento, a oferta contrai essencialmente devido aos desincentivos dos proprietários para manter essas moradias no mercado, bem como pelas mudanças na legislação.

    Durante três dias, o parque de feiras e exposições da Gran Via, em Barcelona, foi palco de excelência para 314 empresas poderem apresentar soluções que respondem a muitos desses desafios. A construção industrializada, como ferramenta para uma actividade construtiva mais sustentável, foi a grande protagonista da 23ª edição da CONSTRUMAT, que decorreu entre 21 e 23 de Maio e que encerrou portas com um balanço muito positivo depois de três dias de grande actividade, nos quais registou um total de 21.027 visitantes, 40% a mais que na edição de 2023. Dessa forma, a CONSTRUMAT consolida sua reactivação e se reafirma como o grande evento de feira da construção espanhola, procurando espaço para rivalizar com outras feiras de referência no contexto europeu, como afirmou Xavier Vilajoana em entrevista ao CONSTRUIR.

    Na edição deste ano, uma edição marcada pelo crescimento e pela dinamização de negócios, bem como por uma clara aposta do sector na inovação e na sustentabilidade, o destaque foi mesmo a construção industrializada, que consiste na fabricação dos elementos estruturais em fábrica para sua posterior montagem na obra. Esta prática destacou-se no evento como uma das tendências presentes e futuras mais eficazes da indústria, junto com a construção em madeira, novos materiais ou sistemas para tornar os edifícios mais eficientes em termos de economia de energia e água. Além de ser uma das melhores montras comerciais do sector, a CONSTRUMAT contou com um amplo programa de conteúdos e actividades profissionais. Assim, exibiu uma casa de dois andares fabricada em madeira e outros elementos naturais, que foi um dos grandes atractivos da edição deste ano. Além disso, contou com mais de 120 palestrantes no Sustainable Building Congress, onde Marrocos, como país convidado desta edição, apresentou os seus projectos de infraestruturas para acolher o Mundial de Futebol de 2030. Mais de 20 startups na área da construção participaram no PropCon-Hub, realizaram-se 10 workshops práticos e foram entregues os Prémios CONSTRUMAT, comissariados pela Fundació Mies van der Rohe, que reconheceram duas obras, uma em Cornellà (Barcelona) e outra na Alemanha, edificadas sob critérios de sustentabilidade.

    Durante três dias, o parque de feiras e exposições da Gran Via, em Barcelona, foi palco de excelência para 314 empresas poderem apresentar soluções que respondem a muitos desses desafios

    Portugueses em destaque

    Entre os expositores, várias foram as empresas portuguesas que aproveitaram o certame não apenas para apresentar as soluções como para estreitar relações com um mercado que tem mantido um crescimento interno invejável, graças à procura interna, tanto privada como pública, já que resolveu o problema do défice de forma inteligente no período expansivo do ciclo económico. E sendo um País próximo de Portugal, tem a particularidade de funcionar como 18 mercados distintos, tantos quanto as províncias autonómicas.


    Ao CONSTRUIR, o director Técnico e de Marketing do Grupo Preceram explica que “este evento acaba a ser muito interessante porque congrega muito a arquitectura, os arquitectos técnicos espanhóis, que têm um perfil diferentes dos portugueses, com a distribuição”. Ávila e Sousa acrescenta que a CONSTRUMAT “é uma feira essencialmente profissional, uma feira de três dias, muito concentrados e que apela mesmo ao público profissional. Aqui faz-se negócio”, sublinhando que “mais do que noutros eventos em que muitas vezes nós estamos numa perspectiva mais expositiva ou mais informativa, aqui estamos presentes numa perspectiva de concretizar algumas parcerias ou abrir portas para parcerias”. Para o responsável técnico de marcas como a Gyptec, Nexclay ou Volcalis, é notória uma “grande presença da construção industrializada, da construção em madeira ou em aço leve e de muitas empresas que são integradoras dos vários materiais apresentando soluções”, explicando que materiais como a lã mineral (Volcalis) ou as placas (Gyptec) têm, efectivamente, “um papel importante neste contexto de construção industrializada”. Ávila e Sousa vai, no entanto, ainda mais longe, explicando que o sucesso da feira de Barcelona está, desde logo, ligado ao seu posicionamento geográfico. “É um local da Península Ibérica muito próximo do resto da Europa, ou seja, nós estamos aqui numa zona em que temos muitos clientes e muitos visitantes que vêm de toda esta região, como vêm do País Vasco ou Valência, das Baleares e até das Canárias”. “Há toda uma dinâmica de mercado que torna importante e interessante a nossa presença na CONSTRUMAT, a que acresce o facto de, este ano, Marrocos ser o País convidado. 2030 é ‘já ali’ e há muita obra para ser feita. Mesmo que não sejam necessariamente os estádios do Mundial, há todo um conjunto de infra-estruturas que vão ter de ser construídas tal como alojamento”. “Se olharmos bem, não é necessariamente Marrocos que está a abrir as portas, é Espanha que está a abrir caminhos para Marrocos”, conclui. Não sendo necessariamente novidades, o Grupo Preceram apostou na marca Volcalis, nomeadamente a lã mineral com um coeficiente baixíssimo de transmissão térmica e uma absorção sonora máxima. O incêndio de Valência trouxe para cima da mesa a importância de uma apertada regulamentação em matéria de isolamento do edificado, colocando em evidência, por exemplo, a incombustibilidade da lã mineral enquanto isolamento. “Somos competitivos em termos de preço, temos capacidade de produção, e isso faz com que sejamos também apetecíveis como parceiros em alguns negócios”, refere.

    Entre os expositores, várias foram as empresas portuguesas que aproveitaram o certame não apenas para apresentar as soluções como para estreitar relações com um mercado que tem mantido um crescimento interno invejável, graças à procura interna, tanto privada como pública, já que resolveu o problema do défice de forma inteligente no período expansivo do ciclo económico

    Quem também percebeu a importância de estar presente nesta montra de soluções foi a Efapel. A fabricante de Serpins (Coimbra), especialista em produtos para instalações eléctricas de baixa tensão, telecomunicações, som ambiente e calhas, foi também presença notada. Ao CONSTRUIR, o director comercial da Efapel em Espanha não tem dúvidas de que a CONSTRUMAT  vai voltar a ser uma das feiras de referência na Europa. Eduardo Rincón explica que esse caminho passa também pelas empresas. “A questão está na atitude que nós, enquanto fabricantes, temos perante estas iniciativas e a forma como funcionamos como motores do mercado ou apoiamos esta dinâmica”, diz, acrescentando que “esta é uma feira muito importante para o Sector da Construção e é, também, por isso que marcamos a nossa posição”.  Sobre a presença da empresa na iniciativa, Rincón explica que “a Efapel tem uma presença muito forte no mercado espanhol. Quando, em 2014, a Efapel inaugurou o armazém robotizado em Serpins com capacidade para seis mil paletes, atingiu um salto muito significativo de serviço que nos colocou num patamar muito competitivo. Neste momento temos equipas comerciais em 15 áreas de Espanha e em mais de 400 pontos de venda profissionais”. O director comercial da Efapel em Espanha salienta que ser fabricante com esta capacidade permite uma qualidade-preço impressionante, a que se junta a própria qualidade de fabrico exemplar. Esta combinação de factores permite que possamos ter uma óptima qualidade de serviço em Espanha e responder a encomendas num prazo não superior a 72 horas”, explica. Estes factores, no entender de Eduardo Rincón, representam uma séria diferenciação competitiva naquele mercado. Já Hugo Rodrigues salienta a importância da CONSTRUMAT para reforçar a presença num mercado em crescimento. O director comercial da Bragmaia, empresa com experiência no fabrico e comercialização de soluções para espaços urbanos, explica ao CONSTRUIR que aproveitam a presença na feira promovida pela Fira Barcelona para “consolidar a distribuição na região da Catalunha, além de procurarem novos distribuidores”. O director comercial da empresa explica que o mercado espanhol representa 30% da facturação do grupo, justificando que os números atestam, desde logo, “o reconhecimento de um bom produto, que pode ser customizado e à medida do cliente”.

    *O CONSTRUIR viajou a convite da Fira Barcelona

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    Barómetro: Velux aponta medidas urgentes para melhorar qualidade de ar interior e iluminação natural

    A saúde e o conforto interior nos edifícios europeus estão seriamente comprometidos. Um em cada quatro europeus vive em edifícios onde a qualidade do ar interior é inferior às normas nacionais e mais de 30 milhões de cidadãos são afectados por viverem em espaços demasiado escuros, com um impacto negativo na saúde mental e física. O Barómetro de Edifícios Saudáveis, que a marca dinamarquesa de janelas promove desde 2015, coloca não apenas em evidência estes indicadores como aponta medidas emergentes para inverter tendência

    Ricardo Batista

    A tónica do estudo deixa antever que a necessidade de mudança é manifestamente evidente. “O contexto é de urgência”. A conclusão consta do Barómetro de Edifícios Saudáveis, uma análise elaborada pelo Instituto Europeu de Desempenho de Edifícios (BPIE) e promovida pela Velux, que se dedica, desde 2015, a identificar a necessidade de acções significativas rumo a edifícios saudáveis e apontar caminhos a seguir, incluindo uma definição e enquadramento para edifícios saudáveis, sustentáveis e resilientes. A urgência mencionada é, até, vertida em números: 1 em cada 4 europeus vive em edifícios onde a qualidade do ar interior está abaixo dos valores padrão europeus. Pior: um em casa seis adultos europeus vivem num ambiente, numa casa, cujo ambiente interior é insalubre, sendo que no caso das crianças estamos a falar de uma em cada três crianças.

    Em Madrid, numa iniciativa dedicada à imprensa e que contou com a presença do CONSTRUIR, a fabricante dinamarquesa de janelas promoveu uma conferência dedicada à apresentação das principais conclusões desta análise. “Os edifícios saudáveis e acessíveis deviam ser o único tipo de edifícios em que as pessoas vivem, aprendem, trabalham, se divertem ou recuperam. Acreditamos que este relatório pode servir tanto de inspiração como de ferramenta concreta para os decisores políticos, apresentando recomendações e exemplos concretos,” afirma Fleming Voetmann, vice-presidente de Relações Externas e Sustentabilidade do Grupo VELUX. Os edifícios saudáveis também beneficiam a economia e o clima, pois os estudos apresentados mostram um retorno do investimento de 11,5% na renovação de um edifício público, e uma redução de 30% do impacto climático. Além disso, os locais de trabalho mais saudáveis poderiam gerar um valor acrescentado bruto adicional de 40 mil milhões de euros por ano para a economia europeia por cada 1% de melhoria no desempenho dos trabalhadores.

    Almudena López, Specification Manager da Velux Espanha, explica que “começar um projecto de arquitectura ou fazer uma remodelação é uma enorme oportunidade para criar um espaço que não seja apenas sustentável para o planeta, mas que também favoreça os seus ocupantes. É da responsabilidade do arquitecto zelar pelo bem-estar dos utilizadores em cada momento do dia e dos legisladores estabelecer critérios de saúde e de energia.” O estudo BPIE/VELUX não se limita a diagnosticar o estado do edificado, mas recomenda soluções e a aplicação de boas práticas para ultrapassar o problema que atinge uma dimensão preocupante.

    UE longe das metas
    O contexto é de urgência já que a União Europeia está longe de atingir os objectivos climáticos para 2050 em matéria de energia e renovação. O mesmo se passa quando se trata de melhorar a saúde do parque imobiliário, como mostra o presente relatório. Para fazer face a esta situação, o Barómetro dos Edifícios Saudáveis introduz não só um quadro para monitorizar os edifícios saudáveis e sustentáveis na Europa, mas também um conjunto de recomendações políticas para alinhar colectivamente os esforços em matéria de edifícios saudáveis com os objectivos de descarbonização do Acordo de Paris para 2050. As políticas climáticas devem colocar as pessoas em primeiro lugar. Estabelecer um novo quadro em que a sustentabilidade, a resiliência e a acessibilidade económica possam ser alcançadas ao mesmo tempo.

    Os números revelados pelo estudo são inquietantes. Em termos de reabilitação e renovação, o atraso é enorme: “As renovações têm de ser aumentadas em 1400% para atingir os objectivos da UE” – constata o estudo. Em 2020, apesar de vivermos ainda os efeitos da pandemia, ainda assim “as emissões de CO2 foram 18% superiores ao que deveriam ter sido para atingir os objectivos climáticos da UE”.

    Mas o estudo BPIE/VELUX também revela perspectivas esperançosas se, entretanto, autoridades e protagonistas do mercado imobiliário europeu “arrepiarem caminho”. “O custo da renovação de todo o parque habitacional ineficiente da UE poderia ser recuperado em apenas 2 anos e poupar 194 mil milhões de euros em benefícios sociais equivalentes (como menos dias de doença, melhor desempenho no trabalho e na escola, etc.)” – adianta a publicação. Em termos habitacionais, “O cumprimento das normas de eficiência energética da UE poderia poupar 44% da energia final utilizada para aquecimento”. E renovação dos hospitais poderia conduzir à quebra de 21% de gastos médicos, a 19% da taxa de mortalidade e a uma baixa de 20% da taxa de rotatividade do pessoal hospitalar”.

    ‘Herança’ Covid
    Embora de uma forma menos evidente, a Europa vive, ainda hoje, resquícios de um período de confinamento forçado à conta da pandemia de Covid 19. Entre esses efeitos está uma maior consciencialização para as debilidades das habitações. O confinamento e o crescimento da tendência do teletrabalho permitiram a milhões de pessoas olharem para as suas casas a partir de uma nova perspectiva. De um dia para o outro, começámos a ver problemas em detalhes que antes talvez passassem mais despercebidos para muitos. Falamos de questões que agora nos parecem tão vitais quanto a falta de luz, as deficiências térmicas, o excesso de humidade… Para garantir o bem-estar de todos e a preservação do planeta, o edifício sustentável impõe-se como nova norma. É, por isso, de elementar importância destacá-lo, uma vez que a saúde e o conforto no interior dos edifícios europeus estão numa situação, no mínimo, preocupante. Os números não deixam margem para dúvidas e alertam-nos: um em cada quatro europeus reside em edifícios onde a qualidade do ar interior está abaixo dos padrões nacionais e mais de 30 milhões de cidadãos são afectados por viverem em espaços demasiado escuros, com um impacto negativo na saúde mental e física. Sem sublinhar, especificamente, a importância de janelas eficientes na equação, Almudena López alerta que a qualidade do ar interior é provavelmente o dado que mais facilmente afecta a qualidade de vida das pessoas dentro de um espaço, seja uma casa, um escritório, um hospital. “Ambientes com uma qualidade de ar adequada promovem um bem-estar maior, maior produtividade, menor propensão a erros, melhoria de capacidade de concentração e de estudo”, o mesmo se passando com a importância da luz natural promovida por uma eficiente colocação e disposição de janelas. O período de confinamento expôs um conjunto de debilidades que a maior parte das pessoas desconhecia porque, até então, não as tinha experienciado de perto. 24 horas sobre 24 horas a viver e trabalhar num mesmo espaço tornaram evidentes algumas dessas falhas, nomeadamente ao nível da iluminação natural em contexto de (tele)trabalho ou a renovação de ar interior. O mesmo se passa ao nível da climatização. “As crescentes ondas de calor que temos vindo a notar com cada vez maior frequência têm também um impacto muito importante”, assegura a Specification Manager da Velux Espanha, acrescentando que “o aumento do número de mortes nos últimos anos colocou em evidência como os edifícios não estão preparados para estes fenómenos”. “Se olharmos para a realidade de Portugal, um pouco como em Espanha, um terço dos portugueses manifestam a sua incapacidade para manter estável a temperatura nas suas casas”, acrescenta Almudena, sublinhando que uma janela ou uma porta que não isole, seja no Inverno ou no Verão, pode representar um sério problema. Estamos a falar de protelar a entrada de calor o tempo suficiente até chegar a melhor altura de voltar a ventilar o espaço”.

    Visão holística
    De acordo com a Velux, o Barómetro define um novo enquadramento inovador baseado em investigação científica sólida e ilustrado através do estudo de 12 casos práticos na Europa. O enquadramento baseia-se em cinco dimensões interrelacionadas com as seguintes características e objectivos, nomeadamente melhorar a saúde mental e física; Concebido para as necessidades humanas; Construído e gerido de forma sustentável; Resiliente e adaptável e Empoderar as pessoas. Cada dimensão compreende um conjunto de indicadores, com um total de 24, que orientam as partes interessadas no seu processo de tomada de decisões para conseguir edifícios verdadeiramente saudáveis, sustentáveis e resilientes.

    Os edifícios que cumprem as cinco dimensões delineadas no novo enquadramento têm um impacto mensurável na saúde mental e física, com menos dias de doença e um melhor desempenho no trabalho e nas salas de aula, incluindo um aumento de 10 a 18% resultante apenas de uma maior exposição à luz natural. A esse respeito, o Barómetro propõe, até 2030, uma maior colaboração entre os diferentes recursos a nível nacional e da UE para desenvolver regulamentos e normas mais holísticas para edifícios saudáveis que vão além do desempenho energético; Incluir indicadores de edifícios saudáveis no observatório do parque de edifícios (BSO) e integrá-los nos instrumentos políticos nacionais (por exemplo, legislação, aconselhamento, financiamento, ferramentas de construção, planos de renovação); Aplicar a nível nacional as novas disposições da DEEE (Directiva do Desempenho Energético dos Edifícios) sobre a qualidade do ar nos edifícios e ampliar o alcance dos passaportes de renovação de edifícios e dos planos nacionais de renovação de edifícios para integrar as avaliações da qualidade do ar e os controlos de qualidade nas novas construções e renovações; Para evitar a fragmentação nacional, introduzir um quadro harmonizado da UE para calcular a avaliação do ciclo de vida (ACV) e estabelecer limites obrigatórios de emissões de carbono a nível da UE com base na ACV para os edifícios novos, tal como solicitado na reformulação da DEEE; Introduzir uma legislação sobre edifícios mais holística, que tenha em conta o funcionamento de um edifício ao longo de todo o ano, os parâmetros de conforto tanto no Verão como no Inverno e o uso de dados climáticos futuros; Incluir indicadores de edifícios saudáveis para promover tecnologias de edifícios inteligentes como a automatização de edifícios, a detecção, a modelação de informação de edifícios e os gémeos digitais (DBL).

    *O CONSTRUIR viajou a convite da Velux

     

    Sobre o autorRicardo Batista

    Ricardo Batista

    Director Editorial
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    Imobiliário

    “Vamos continuar na Alta de Lisboa com um novo investimento de 300M€”

    Quase 10 anos depois de iniciarem a sua actividade, a Solyd Properties adaptou a sua estratégia às necessidades do mercado. Posiciona-se como um promotor de ‘mini-cidades’ para a classe média, com o foco no bem-estar e na qualidade. É também um dos primeiros promotores a ter políticas muito concretas de ESG e a criar uma estratégia de actuação em torno desses objectivos, onde acredita que a construção off-site vem dar respostas a muitos destes desafios

    Cidália Lopes

    Ao CONSTRUIR, Gonçalo Cadete, co-fundador da Estoril Capital Partners e chief executive officer da Solyd Property Developers revelou os investimentos previstos em novos projectos na Alta de Lisboa e em Loures, assim como a intenção de recuperar uma ideia já antiga – o Built to Rent

    Na promoção imobiliária desde 2015, ou seja, quase 10 anos depois de terem iniciado a vossa actividade, que balanço fazem?

    Na verdade, para ser mesmo correcto, começámos em 2014. E começámos como Estoril Capital Partners no dia 3 de Julho, sendo que, no entanto, o primeiro investimento só foi formalizado em Maio de 2015. Entretanto, em Portugal, estávamos a sair da crise depois de anos muito complicados como foram 2012, 2013 e 2014 e começou a haver alguma actividade de reabilitação. Já existiam pelo menos dois promotores mais especializados que tinham começado a comprar e a desenvolver projectos. E, nesse sentido, achamos que era uma área onde valia a pena investir.

    Começámos, então, em 2015, na reabilitação a fazer o percurso normal: comprar edifícios degradados ou em mau estado e depois reabilitá-los. Os primeiros projectos foram em Lisboa e no Monte Estoril.

    Houve, portanto, uma primeira fase da nossa existência, digamos assim, onde apostámos nesse tipo de projectos, até 2019. Entretanto, começámos a ter uma perspectiva de escala diferente e que não seria possível com projectos de reabilitação no centro das cidades, onde no, máximo, conseguíamos ter 40 apartamentos. Até porque o nosso parceiro, a Oaktree, enquanto investidor institucional, precisava de um volume de investimento, que se tornava mais difícil atingir apenas com projectos de reabilitação.

    Então, a partir de 2018, pensámos que o mercado estava a ficar um bocado saturado. Era um mercado que estava muito dependente dos compradores estrangeiros e dos Golden Visa. Foi quando pensámos: “Vamos diversificar”. Começámos, então, a olhar para construção nova, para o segmento médio, médio-alto. Havia muita disponibilidade de terrenos, custos de entrada bastante baixos e um desequilíbrio brutal entre procura e oferta.

    No fundo, isso acabou por ser um percurso natural do vosso crescimento também, não é?

    Sim. No fundo, perante uma análise dos diferentes segmentos de residencial, obviamente que nós começámos a desenvolver esta expertise. Na nossa equipa, todos tínhamos experiência, fosse na óptica do investidor, ou na óptica mesmo do promotor e do desenvolvimento ou da gestão imobiliária, mas, como empresa digamos, de promoção, não tínhamos.

    Começámos na reabilitação e depois, então, foi muito natural evoluir para a construção nova porque, lá está, em busca de escala, em busca de um segmento de mercado onde, estruturalmente, houvesse um maior desequilíbrio entre procura e oferta e onde pudéssemos investir com escala e com margem. E também, de alguma forma, responder a uma necessidade do mercado, que se irá continuar a verificar.

    Sim, até porque este tipo de projectos têm de ser pensados, também, a longo prazo…
    Sim. Isso é uma questão que nós temos tido no nosso País, enfim, e que agora temos esperança, que com o novo Governo e o Simplex estes processos possam ser melhorados. A verdade é que temos tido sempre uma instabilidade legislativa relativamente grande, à qual se junta a questão de processos de licenciamento muito longos.

    É curioso que quando começámos e, porque ainda havia poucos projectos a vir para o mercado ou em processo de licenciamento, as câmaras eram muito rápidas. Mas depois, rapidamente, entupiram e os processos começaram a demorar muito tempo e, obviamente, isso é muito frustrante na óptica do ciclo de desenvolvimento do projecto e que leva, muitas vezes, à necessidade de rever os planos de investimentos.

    Como se posicionam neste momento no mercado?
    A nossa estratégia tem sido ir ao encontro das necessidades do mercado. Iniciamos no segmento alto, com a reabilitação. Depois o empreendimento Mirear, em Miraflores é para um segmento, claramente, de classe média alta. O Altear é classe também média / média alta, eu diria, abaixo desta. E Loures, Santo António dos Cavaleiros, claramente, segmento mais médio.
    Mas o nosso desígnio é ir ao encontro, digamos, da maior massa de portugueses, que são famílias de classe média. E, portanto, estamos muito atentos aos programas todos das câmaras, do Governo, e o nosso desígnio é ir nesse sentido.

    Quando entraram no mercado da habitação nova começaram a ter projectos apenas em Lisboa ou na Grande Lisboa. O que procuram quando desenvolvem um projecto?
    Não temos muitas localizações, mas nas localizações onde estamos, temos uma dimensão significativa e, de alguma forma, dominamos ou somos o promotor preponderante nessa localização. E, sim, tem sido de facto uma estratégia.

    A ideia é escolher uma localização que vá ao encontro, digamos, das tendências, tendências estas que até acabaram por ser muito acentuadas com o Covid, ou seja, o facto de as pessoas passarem cada vez mais tempo nas suas casas.

    Não só em lazer, mas também a trabalhar, portanto, em inglês, ‘homification’, em que a casa passou a ter uma importância muito maior do que tinha.

    Para nós que fazemos habitação nova, esta tem que ser confortável e tem que oferecer uma série de infraestruturas que permitam também tornar essa vivência mais agradável. Por estes motivos faz-nos sentido apostar em projectos maiores.

    No fundo, como uma ‘mini cidade’ ou as chamadas cidades dos 15 minutos…
    Exactamente. Sim, no fundo é que tentamos recriar. Para a Solyd este conceito já é o presente. Temos de olhar para a localização e pensar no que se consegue criar nessa localização, tanto na nossa casa como na infraestrutura do condomínio e na envolvente.

    Por exemplo, o Mirear, aqui em Miraflores. De um lado temos um parque municipal, de outro lado temos Monsanto, perfeitamente acessível, porque tem uma passagem subterrânea. Ao mesmo tempo, no que diz respeito ao condomínio, temos uma série de infraestruturas que nos permite, se quisermos, sair de casa e estar a trabalhar no condomínio, ou ir dar um mergulho numa piscina, ou ir correr no ginásio, e depois, ao mesmo tempo, na nossa casa, temos varandas muito grandes, janelas com vãos também muito generosas e, portanto, eu estou em casa, mas tenho quase um prolongamento para a rua, obviamente, numa lógica de apartamentos, que é o que nós fazemos.

    Estamos sempre a olhar para novas localizações nesta lógica e em zonas que permitam, também uma lógica de continuidade, como é o caso da Alta de Lisboa, que se desenvolveu muito a partir do momento que começámos ali a construir, em particular porque estamos numa área que percepcionada como sendo pouco segura e que estava abandonada há anos.

    Em que fase se encontra actualmente o Altear?
    O Altear conta com 10 edifícios, dos quais sete já estão concluídos e entregues. Temos um que até ao final do ano ficará, também, concluído e depois vamos ter mais dois. São no total 536 apartamentos e 27 espaços comerciais e está praticamente todo vendido. Temos muito poucas unidades que restam no Altear Jardins 1 e 2, que são os últimos dois edifícios que ainda se encontram, digamos, numa fase intermédia de construção. A ideia é, que até ao próximo ano, consigamos entregar a totalidade dos dez edifícios.

    E prevêem continuar a investir na Alta de Lisboa?
    Sim, na realidade vamos avançar para uma segunda fase do Altear e que será ainda maior. Prevemos um investimento na ordem dos 300 milhões de euros [o do Altear I foi de 225 milhões de euros], porque se trata de um plano ainda maior, mas que neste momento se encontra em diferentes fases de licenciamento.

    Dado que o vosso plano de construção nova continua, que outras localizações vos poderiam, igualmente, despertar interesse?
    Eu diria que não somos um promotor do centro de Lisboa e indo ao encontro da ideia de fazer empreendimentos para o segmento de classe média alta e de classe média, com as tais características que já falámos, procuramos localizações na periferia, nomeadamente Área Metropolitana de Lisboa, tanto na margem Norte como na margem Sul.

    Zonas com uma boa rede de transportes, educação, saúde, serviços, que tenham escala e que permitam, no fundo, desenvolver de forma continuada, para o futuro, a localização.

    Neste sentido, ainda temos capacidade para desenvolver mais projectos tanto na Alta de Lisboa, como em Santo António dos Cavaleiros, onde temos o Élou.

    Como é que se processa essa continuidade?
    Vamos comprando lotes, vamos aprovando projectos e vamos desenvolvendo. Nós temos o desígnio, mas, enfim, como gostamos de fazer as coisas de forma
    sustentada e já analisámos várias oportunidades, mas nunca acabámos por concretizar, tanto na área Metropolitana do Porto, como no Algarve. Mas, portanto, vemo-nos nessas três localizações.

    Os vossos projectos têm, também, uma grande preocupação com sustentabilidade e a mobilidade. De que forma estes aspectos são hoje determinantes para o tipo de habitação que querem desenvolver?
    Tentamos, por um lado, que as infraestruturas de transporte sejam muito boas e depois também apostar em tudo o que é mobilidade eléctrica. Em todos os nossos empreendimentos temos pré-instalação para a instalação de carregadores eléctricos e gestão inteligente desses carregadores.

    Claro, hoje há todo um novo paradigma ao qual não é possível ficar alheio. Aliás, temos uma parceria com a EDP para termos acesso às soluções mais sofisticadas, tanto a nível de carregamento, como depois da gestão.

    E essa parceria está presente em todos os vossos empreendimentos?
    Sim, em todos eles. Há uma preocupação grande a vários níveis. Por um lado, com a eficiência energética e neste sentido, o Élou é NZEB. Não obstante, tratar-se de um projecto para a classe média, existe um conjunto de equipamentos como painéis solares, bombas de calor, elevadores de alto rendimento, com poupança de energia e que geram a sua própria energia no movimento descendente. Também os revestimentos, assim como as caixilharias com todas as janelas a apresentarem um comportamento térmico e acústico também de elevado desempenho.

    Por exemplo, o tema da água e da poupança da água é importantíssimo e neste capítulo temos uma parceria com a Grohe, já que é uma empresa que têm uma serie de sistemas com poupanças de até 70% do consumo de água. Por exemplo, os chuveiros têm injecção de ar para terem pressão e, ao mesmo tempo, consumir menos água, sem que se perca a experiência do duche.

    Depois, temos também uma preocupação muito grande ao nível dos resíduos, da utilização de materiais reciclados e que possam, por sua vez, ser também recicláveis. Este aspecto está cada vez mais presente nos nossos projectos, até porque somos dos poucos promotores com relatórios de sustentabilidade publicados e onde detalhamos tudo o que fazemos em termos de sustentabilidade e ESG.

    Como é que isso se traduz na prática?
    Por exemplo, todos os nossos contratos com os empreiteiros, com os fornecedores, têm uma série de cláusulas que obrigam à gestão de resíduos, a uma série de preocupações, também, com a mão de obra. Portanto, com todas as fases. Temos, também, promovido, a industrialização, tanto fora, como na própria obra. Para quê? Para termos menos resíduos, para aumentar o nível de reciclagem.

    Existe uma série de medidas que vão no sentido de fazer com que haja menos emissões, menos resíduos, um tratamento muito mais eficaz desses resíduos, uma incorporação muito maior de materiais reciclados e recicláveis.

    E, depois, uma série de componentes de eficiência energética, tanto ao nível da electricidade, como quanto à água. A incorporação de bombas de calor, painéis solares ou fotovoltaicos. Somos um promotor com uma grande preocupação técnica. Mais de metade da nossa equipa são engenheiros e arquitectos, o que acaba por nos dar outra visão dos projectos.

    O que é que muda?
    Temos muito cuidado com os projectos, com a contratação desses projectos, com o acompanhamento próximo dos empreiteiros e do produto final. O facto de fazermos parte de uma organização internacional, imputa-nos essa responsabilidade. Estamos agora a preparar o nosso terceiro relatório. Tudo isto é um processo, em que estamos continuamente a melhorar.

    Mas ter poucos projectos também nos permite ter um maior impacto, uma maior intervenção no próprio território. E trabalhar com as várias entidades. E fazer a diferença no fim do dia. É isso que nós queremos.

    Há aqui uma ‘democratização’ da qualidade?
    Exactamente. Ou seja, não estamos a fazer um produto diferente só porque tenho públicos-alvo diferentes, seja em termos de conceito arquitectónica, seja ao nível das comodidades, das áreas ou dos materiais. Queremos padronizar e julgo que neste caso a industrialização veio dar um importante impulso.

    Acompanhar as diferentes tendências, tanto em termos de materiais, como de industrialização e de padronização, permite ir nesse sentido?
    Porque é que para nós a escala é importante? Obviamente, é nesta perspectiva de criar cidade, mas também é no sentido de ter uma escala grande que permita diluir os custos e, portanto, permite-nos também ter um melhor produto.

    Sabemos que os custos de construção têm um peso enorme e que isso se reflecte no preço final. É muito mais difícil oferecer o produto de Loures ao preço que está, do que o preço em Miraflores. É por isso que poucos promotores investem nesse segmento.

    É necessário fazer uma grande gestão ao nível dos custos e a industrialização permite-nos isso. Por exemplo, no Élou o desafio foi criar um produto funcionalmente muito agradável e com padrão alto e por isso desenvolvemos um projecto em que determinados elementos pudessem ser padronizados. Isto acontece, por exemplo, ao nível de todas as grades das varandas ou com os armários ou, até, com as casas de banho que são pré-fabricadas e instaladas posteriormente.

    Há um conjunto de técnicas industriais e de escolha de materiais modernos que fazem com que a percepção seja de grande qualidade, tanto em termos de durabilidade e que, ao mesmo tempo, seja eficiente em termos de custos.

    Nós começámos os ensaios no segmento alto, mas queremos ir, cada vez mais, para um segmento popular, mas não é uma coisa muito fácil de fazer. É uma discussão que temos muitas vezes com as Câmaras, muitas vezes com os bancos e que todas essas entidades nos têm apoiado neste movimento, mas é um desafio.

    Sobre o Simplex, como olham para as alterações que este programa está a trazer?
    Estamos todos bastante optimistas. Mas da nossa parte, que temos projectos com dimensão e que, por isso, desenvolvemos uma relação relevante com as Câmaras, mas também com os bancos, que não se irá alterar com estes novos processos.
    Obviamente que, tudo o que diminua prazos de licenciamento, de regulamentações e de procedimentos é muito positivo para o mercado.

    Também ao nível da exigência de um maior acompanhamento da obra não nos parece problemático, até porque na maior parte dos financiamentos bancários, já tínhamos fiscalização externa alinhada com as entidades financiadoras.

    Mas isso já existe noutros países, já é assim noutros países, e de alguma forma também era o que a indústria pedia há muitos anos. No fundo, há aqui algumas ‘dores de crescimento’, mas que é normal.

    Ainda no residencial, que outros segmentos não descartam e que é uma possibilidade de investimento?
    Há um que é natural e que nós, no fundo, estamos a analisar. No passado até dissemos que gostávamos de entrar, que é o Build to Rent. Portanto, o desenvolvimento de projectos voltados para arrendamento.

    A rentabilidade desses projectos é mais baixa do que o Build to Sell, portanto, de projectos para venda. E, portanto, quer dizer, quando nós pesamos na balança, tem sido economicamente muito mais favorável. Mas é qualquer coisa que está no nosso radar e não descartamos, inclusivamente, fazer um piloto para ensaiar um projecto para arrendamento.

    E procuram alguma parceria para esse tipo de projecto?
    Não, não. Nós temos as competências para fazer. E depois o que acontece, tipicamente, é que esses projectos, depois de estarem feitos e com os apartamentos arrendados, são adquiridos por investidores institucionais, como seguradoras, fundos de pensões, esse tipo.

     

    Sobre o autorCidália Lopes

    Cidália Lopes

    Jornalista
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    DIGITALBuilt o balcão único de apoio à transição digital do sector

    O pólo de inovação digital para o sector AEC, DIGITAL Built, arrancou oficialmente em Maio e pretende ser uma “one stop shop” de apoio às empresas do sector no seu percurso de transição digital. Formar, financiar e validar são alguns dos serviços que irá prestar

    Os pólos de inovação digital são consórcios que visam ser uma one-stop-shop, um balcão único, para as pequenas e médias empresas, facilitando-lhes uma porta de entrada no ecossistema de inovação, da digitalização, da automação e, por esta via, da sustentabilidade. A rede portuguesa de pólos de inovação digital é composta por 17 consórcios, dos quais três pertencem à rede europeia (European Digital Innovation Hub, EDIH), com a qual a iniciativa portuguesa está em linha. A medida é financiada pelo Programa de Recuperação e Resiliência, componente C16 – Empresas 4.0, que reúne os investimentos que visão reforçar a digitalização das empresas. Esta medida conta com uma dotação de 60 milhões de euros do PRR e tem como metas a criação de 16 pólos de inovação digital e prestar serviços a 4000 empresas até 2025.

    Sendo o esforço de digitalização transversal aos vários sectores da economia os diferentes pólos divergem nos sectores a apoiar. Para as empresas do sector AEC, Arquitectura, Engenharia e Construção, o “balcão único” dá pelo nome de DIGITALBuilt. Este consórcio integra o cluster AEC, via Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção (PTPC) que é a entidade líder de consórcio, e os clusters da Ferrovia (via Portuguese Railway Cluster Platform Association, ou Plataforma Ferroviária Portuguesa) e dos Recursos Minerais (Associação Cluster Portugal Mineral Resources). Aos três clusters juntam-se ainda as entidades prestadoras de “serviços”: o Itecons, a Associação Centro de Competências Ferroviário (CCF), StoneCITI, BUILT CoLAB, INESC TEC, FI Group e a FNWAY Consulting & Innovation. O pólo de inovação digital do sector AEC é um dos três pólos que integram, simultaneamente, a rede europeia EDIH.

    Testar antes de investir, validar, capacitar e financiar
    Em primeiro lugar importa desde logo salientar que o DIGITALBuilt, bem como qualquer um dos outros pólos de inovação digital, não têm como missão realizar actividades de inovação e desenvolvimento per si, antes ajudar o ecossistema nacional. “O objectivo é criar um hub que ajude as empresas no caminho da inovação, da sustentabilidade e eficiência, com incentivos financeiros muito significativos. Os verdadeiros actores são as entidades a quem compete prestar os serviços, cabendo aos clusters disseminar este hub entre o seu universo de empresas”, sublinhou Rita Moura, presidente da comissão executiva da PTPC, na recente apresentação pública do DIGITALBuilt.

    A ideia é “possibilitar a testagem e experimentação, facilitar a criação de ecossistemas e sinergias, facilitar e apoiar o financiamento, a formação e capacitação dos seus recursos e disponibilizar as infraestruturas para que as empresas possam criar competências digitais”, sintetizou.

    Os sete parceiros irão dividir entre si os serviços a prestar os quais estão agrupados em torno de cinco grandes áreas: “Capacitação e treino; diagnóstico de maturidade digital; serviços de incubação; apoio à procura de investimento; e ‘test before invest’”.

    “A capacitação e treino é uma das principais valências, para o sector AEC estamos a falar, por exemplo, da capacitação em BIM, programação aplicada à construção, Autocad, que continua a ser um desafio para muitas empresas, de gestão de projectos. O diagnóstico de maturidade digital, a ‘awereness’ que cada empresa terá das suas capacidades digitais é fundamental para saber para onde devem ir “, explicou João Moutinho, director do BUILT CoLAB. “A incubação será prestada sobretudo pelo parceiro INESC TEC, estamos a falar de mentoria para start-ups, laboratórios de co-criação. Financiamento, há um grande potencial na procura destes serviços e estudos financeiros e de mercado, de identificação de negócios, grande potencial na procura de serviços. E, por fim, o ‘test before invest’, porque é crucial testar antes de investir, e estamos a falar de montantes elevados e de investimentos que podem mudar o curso de uma empresa”, sublinhou o responsável do BUILT CoLAB, que é também um dos parceiros do consórcio DIGITALBuilt.

    Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

    Manuela Sousa Guerreiro

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    Os desafios da reabilitação urbana

    É na reabilitação urbana que assenta muito do trabalho desenvolvido pelo atelier Posto 9, fundado pelos arquitectos Joana Castanheira e André Ferreira há já duas décadas. Em conversa com o CONSTRUIR, passaram em revista alguns dos projectos em curso e reflectiram sobre os desafios que os mesmos colocam, sobre o conhecimento profundo da legislação urbanística que quem se aventura na reabilitação urbana em Lisboa precisa ter e sobre os indícios históricos que é preciso preservar

    O atelier Posto 9 nasceu em 2002. Actualmente o gabinete fundado pelos arquitectos Joana Castanheiro e André Ferreira tem em mãos mais de duas dezenas de projectos, a maioria de reabilitação, uma área que apaixona os arquitectos pelos desafios intricados que coloca. Numa conversa franca com o CONSTRUIR falaram da dedicação com que abordam cada trabalha. “Acreditamos numa arquitectura simples e intemporal, capaz de adicional valor e qualidade de vida aos seus utilizadores. Ao projectar procuramos soluções que correspondam aos objectivos dos nossos clientes, sem comprometer a natureza de cada espaço”.

    Fundaram este atelier em 2002. Mais de duas décadas, depois este ainda é um desafio?
    Joana Castanheira (JC): É um desafio, em Lisboa, em Portugal, gerir e manter um atelier
    Uma das grandes dificuldades reside no facto de não haver um vínculo definitivo com os promotores, o que faz com que a determinada altura do processo este possa desistir e avançar ou ficar por ali, ou porque vendeu, ou por uma razão qualquer. E isso em termos de planeamento no atelier, em termos de equipa, é bastante difícil de gerir. Creio que este é um dos desafios principais. E depois há a questão de termos apoio da Ordem dos Arquitectos, da Câmara… A nossa disciplina acaba por ter muito pouco apoio, muito pouco sustento.

    André Ferreira (AF): Sentimos isso na pele, ao longo destes anos. Diria que só quando começamos a acumular alguma experiência e a ter alguns clientes continuados, é que essas oscilações do mercado deixaram de ter menos impacto

    JC: Uma grandes apostas do atelier foi essa fidelização com os clientes. Para a qual foi decisiva o conhecimento que temos sobre a legislação, uma área em que a nossa disciplina é mesmo exigente. Temos uma legislação urbanística bastante extensa e, dependente da zona da cidade, bastante complexa. Depois, a forma como acompanhamos de uma forma muito pessoal os processos nas câmaras, especialmente a Câmara de Lisboa, que é extremamente difícil, transmitiu confiança e os clientes foram-se mantendo connosco. Eles sabem que quando nos entregam os projectos não os largamos até as coisas irem a bom porto.

    E isso não sempre é certo. O que pode dificultar o processo de aprovação de um projecto?
    JC: A abordagem ao projecto pode ser feita de várias formas. Mais fácil para ser mais rapidamente realizado. Ou mais difícil, mas que nos permite ganhar mais em termos de áreas, em termos de soluções, e é uma luta muito maior com a Câmara. E nós normalmente vamos sempre para a segunda opção, que é a mais difícil. Traz mais desafios, mas resulta num melhor projecto.

    Não existe aqui um compromisso entre o que a legislação permite e o que é possível?
    JC: O que acontece é que a legislação muitas vezes, não sendo muito complexa, não é absolutamente clara para todos os exemplos, para todos os projectos. Isso obriga-nos a fazer uma pesquisa exaustiva nos arquivos municipais da Câmara, fazemos quase que um histórico todo, bem consolidado, e depois reforçamos com muitos exemplos, para conseguir provar à Câmara que a nossa abordagem está certa.
    Mas isto exige um trabalho no terreno bastante exigente. Às vezes, com maior sucesso do que outras vezes. Isto para responder à sua pergunta: não, muitas vezes, em quase nenhum projecto destes nas zonas históricas, temos uma resposta clara da legislação que sim ou não. Não existe isto. Há formas de interpretar. Até a própria Câmara, diz sistematicamente “a nossa interpretação interna”, que é uma frase típica deles, “não está vinculada a nenhum regulamento, a nenhuma lei em específico”. Precisamente porque há essas lacunas, há essas situações não previstas na legislação. Nós escodamo-nos na legislação, mas tentamos sempre fazer uma interpretação que melhora consideravelmente o projecto e que também sirva aos interesses do promotor.

    AF: É algo que gostamos de fazer, que beneficia o promotor e tem contribuído para o crescimento exponencial do atelier e do trabalho que desenvolvemos.

    Que projectos passam habitualmente pelo atelier?
    JC: Habitação e educação, diria que são duas componentes fortes do atelier. Projectos privados de reabilitação urbana.

    E, por certo, muito investimento estrangeiro. Esta procura internacional foi essencial para a recuperação de Lisboa?
    JC: Sim, a maior parte dos nossos clientes são estrangeiros. Franceses, ingleses, e, lá está, outra característica que nos fez também destacar um bocadinho em relação aos clientes estrangeiros, é o facto de conseguimos sempre cumprir prazos. Nisso somos muito rigorosos, porque acho que é fundamental os arquitectos serem vistos também com esse rigor, porque a nossa profissão é muitíssimo exigente. E não faz sentido falharmos no cumprimento de um prazo.

    Prazos que agora o Simplex veio acelerar. Que impacto terá esta nova legislação nos projectos, do vosso ponto de vista?
    AF: O Simplex traz inúmeros desafios, desde logo a questão da responsabilidade sobre o projectista, Mas acho que ainda é cedo para percebermos o que daqui vai resultar. Existem sempre as dores de crescimento há ajustes que naturalmente terão que ser feitos mas
    a nossa expectativa é que haja uma melhoria gradual e que os processos sejam acelerados. A nossa impressão é, por isso, positiva.

    A revolução do sector chegou ao atelier

    Todo o sector AEC está a passar por uma ‘revolução’ seja por força da digitalização seja impulsionada pela sustentabilidade e pelo surgimento de novos produtos e soluções. Como é que esta realidade impacta a reabilitação e o vosso trabalho aqui no atelier?
    JC: Acompanhamos fóruns, feiras, etc.. para conseguirmos estar actualizados. E depois temos parceiros, engenheiros e equipas com quem trabalhamos.
    AF: E, internamente, também nos estamos a adaptar. Ainda não trabalhamos em BIM, temos nos apoiado nos nossos parceiros, mas vamos fazer também esta transição ainda este ano. Tem de ser feito e faz todo o sentido.
    Ao nível dos projectos estamos sempre a testar soluções, diferentes sistemas construtivos. Mas sim isto é tudo muito recente. Tentamos perceber as potencialidades e as vantagens dos diferentes materiais e de que forma podemos tirar partido disso. Por exemplo, estamos agora com um projecto que é a reabilitação campus da Universidade Lusófona, no Campo Grande. É uma área bastante grande, que envolve uma série de diferentes edifícios e é um projecto de transformação bastante grande que pretende construir uma imagem nova do Campus a nível urbanístico o que irá envolver a demolição de alguns edifícios existentes e a sua substituição por construção nova, nuns casos. Outros serão reabilitados… é de facto um projecto muito grande.

    Qual o valor do investimento neste projecto? Haverá um aumento da capacidade da Universidade?
    AF: São mais de 50M€ de investimento. O Campus da Lusófona será sede da FilmEU, [Universidade Europeia de Cinema e Artes dos Media que reúne quatro instituições de ensino superior: Universidade Lusófona (Lisboa, Portugal); Baltic Film, Media and Arts School (Tallinn, Estonia); LUCA School of Arts (Bruxelas, Bélgica); e IADT Dún Laoghaire Institute of Art Design and Technology (Dublin, Irlanda)], mais do que aumentar a capacidade o objectivo é o de transformar os vários para receber as novas valências, melhores equipamentos, melhores salas de aula…

    JC: O edifício principal era originalmente uma fábrica de lanifícios no século XIX, que depois foi adaptado para o quartel e depois para universidade e, por isso, precisa também de uma intervenção.

    AF: Ainda estamos em fase de projecto, o objectivo é que a intervenção seja feita ao longo dos próximos cinco anos. Para isso, os novos edifícios serão em construção modular, à partida com base no sistema CREE. Um sistema pré-fabricado, mas que ainda nos dá alguma margem para o podermos “moldar” e adaptar à nova imagem.

    A paixão pela reabilitação urbana

    O que é que vos apaixona por esta área da reabilitação?
    JC: Também fazemos construção nova, mas creio que a reabilitação representa um desafio muito maior. E posso dar-lhe como exemplo o projecto do Terreiro do Trigo (ver caixa), que na realidade são dois edifícios em Alfama que na sua origem estiveram unidos de forma quase que orgânica e o exercício que se teve de fazer para conseguir cumprir a legislação em vigor e, ao mesmo tempo, manter essa orgânica que foi estabelecida ao longo destes últimos séculos. É quase um jogo, não é? Como é que vamos conseguir dar resposta a uma coisa tão complexa, ainda por cima nesta área da reabilitação? E depois temos a reinterpretação das coisas, por exemplo, nesse edifício do Terreiro do Trigo, encontrámos umas pinturas existentes que, por acaso, estavam tapadas com tinta, conseguimos recuperá-las, eram uns desenhos bucólicos lindíssimos. E o que fizemos foi recolocá-las, mas dar-lhes uma atmosfera um bocadinho mais contemporânea. Porque também não ficamos agarrados só ao histórico. Assim, como com os azulejos que encontrámos, vamos recolocá-los, embora não tendo composição completa. Vamos colocá-los com umas propostas que não são as mesmas.
    As coisas que vamos encontrando dão-nos as pistas para o que fazer a seguir, o que difere da obra nova, que é mais uma folha em branco, completamente livre, não tenho nenhum pressuposto. Na reabilitação estamos sempre a tropeçar nos pressupostos.

    AF: Estou a lembrar-me também de um outro projecto que temos, que foi agora aprovado na arquitectura, está na fase das especialidades, que é a adaptação do Palácio do Vimioso, no Campo Grande para o Instituto Politécnico da Lusofonia (IPLUSO). O edifício estava muito alterado, muito (mal) adaptado e subaproveitado. O nosso objectivo foi, no fundo, “limpar” e tentar perceber a parte mais original. E então, vamos começando a “descascar”. O edifício já era um edifício escolar a intenção é a de passar de uma escala mais doméstica, para uma escala mais institucional.

    As décadas de construção ilegal é um problema comum na reabilitação em Lisboa?
    JC: Sim, e depois há esse trabalho junto com a Câmara de perceber essas sobreposições todas. Acontece-nos imenso. Todos estes edifícios históricos onde intervimos nenhum estava igual ao que tinha sido originalmente aprovado na Câmara. É como que um quebra-cabeças. Esse deslindar do que é que é legal, do que é que é original, de origem, do que é que a Câmara aprova, essa sobreposição é bastante difícil, mas faz-se

    Que materiais são privilegiados numa reabilitação?
    JC: As soluções podem ser muito diversificadas e estamos sempre à procura de novidades, projecto a projecto. Mas há algumas repetições, como o reboco à base de cal, as argamassas que têm uma aparência mais manchada, o uso de materiais mais ‘puros” como madeiras e pedras, para manter esta relação histórica com o edifício. Mas depende muito de projecto para projecto. Há aqueles em que não nos sentimos tão condicionais pelo valor histórico e nos permitimos introduzir outro tipo de materiais.

    Têm em mãos a intervenção no complexo as antigas piscinas do Belenenses que será transformado numa escola, o Discovery Center, da British School of Lisbon. Este é um projecto sem essa componente histórica, mas que reabilita o complexo existente. É assim?
    AF: O antigo conjunto olímpico de piscinas é uma construção dos anos 80, em betão armado, que funcionou até há 10 ou 15 anos atrás e que está devoluto. O complexo é composto por um edifício semicircular de três pisos à frente, onde ainda funcionavam até recentemente alguns gabinetes, e depois o edifício das piscinas que está completamente devoluto. A opção de reabilitar esteve sempre em cima da mesa pela velocidade de construção e também pela contenção de custos. A adaptação do edifício das piscinas foi o mais desafiante, pelo novo uso e dada a existência dos tanques. Houve uma ideia inicial de baixar a cota da piscina para servir para nivelar cotas com o edifício, o que acabou por não acontecer porque o terreno é muito rochoso e os custos de escavação eram altíssimos. Acabou por ficar um bocadinho a meio termo. O tanque da grande piscina vai ser um espaço de recreio, com uma bancada grande que será um espaço exterior para os grandes eventos da escola. Uma parte do edifício terá que ser demolida porque a estrutura está em colapso, mas a ideia é precisamente essa: adaptar o que existe e transformá-lo para o novo uso.

    JC: O grande desafio foi não só funcional, mas também o de construir uma imagem global, porque é um edifício muito pós-moderno, com uns vãos muito característicos exteriores. Mesmo a sua posição no terreno, não estava paralela a nada… Foi um projecto que teve também participação do Património, porque o edifício, não sendo classificado, está em zona de protecção da Capela dos Jerónimos, e das duas capelas que ali estão, e por isso houve, muito debate com a equipa do Património.

    Quando é que as obras irão arrancar?
    O projecto está em fase final de aprovação na Câmara e a intenção é arrancar com as obras em Junho.

    Sobre o autorManuela Sousa Guerreiro

    Manuela Sousa Guerreiro

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    “Espanha acaba por ser um destino de expansão natural”

    No ano em que inaugura a primeira unidade em Espanha, o presidente e fundador da Vila Galé fala do potencial do grupo no mercado ‘vizinho’, assumindo que Sevilha e Madrid são destinos atractivos e a considerar num plano de expansão, pelo dinamismo que apresentam. Jorge Rebelo de Almeida garante ao CONSTRUIR que Moçambique e Angola estão no radar mas não são prioridade para já. Até porque, assume, com a entrada em Espanha e Cuba, “já temos bastante trabalho pela frente e muito que fazer”. As prioridades do novo Governo e a crise da Habitação também merecem resposta por parte de Rebelo de Almeida

    Ricardo Batista

    Ao CONSTRUIR, o fundador da Vila Galé explica o sucesso no Brasil, o potencial do mercado espanhol e o que torna a actividade do Grupo tão atractiva em várias regiões. No ano em que inauguram a primeira unidade em Isla Canela e Cuba, Jorge Rebelo de Almeida garante que pouco se faz se não houver uma estrutura financeira sólida e um controlo de gastos muito rigoroso.

    Em Janeiro, quando foram apresentados os resultados do Grupo, apuraram lucros de 100 milhões de euros no final de 2023. Classificaram o resultado como o ‘melhor de sempre’. Em que assentou esta performance?
    De facto, no ano passado o Turismo viveu um ano de grande recuperação e dinamismo, que se refletiu no resultado das empresas do sector. Surpreendeu-nos a todos e superou as expectativas, a conjugação de um explícito aumento da procura e de uma melhoria do preço médio.

    Os resultados de 2023 cresceram 12/13% face a 2022. Quais são as suas expectativas para os resultados de 2024? Há algum indicador que possa acalentar continuar a crescer este ano?
    Para este ano, os primeiros indicadores apontam ainda para um ligeiro crescimento. Por exemplo, Janeiro e Fevereiro estiveram acima do ano passado e as reservas para o resto do ano também estão a um ritmo muito positivo. Se se mantiverem, será excelente.

    Nos últimos dias voltámos a assistir a movimentações bélicas, nomeadamente no Médio Oriente, que podem representar novos factores de incerteza. De que modo um grupo como a Vila Galé se pode posicionar para passar, tanto quanto possível, incólume a estes focos de incerteza?
    Acontecimentos como guerras, crises, desastres ambientais têm sempre impacto na indústria do turismo e na economia. Pode dar-se o caso de as pessoas terem menos hipóteses de viajar – por insegurança e incerteza, por indisponibilidade de rendimento, por redução das acessibilidades. Mas também podem significar mais custos para as empresas do sector, como temos vindo a assistir com a subida do preço da eletricidade, dos combustíveis, dos materiais de construção e de alguns produtos alimentares. A única forma que temos de resistir a estes riscos é estar preparados previamente, ter uma estrutura financeira sólida e um controlo de gastos muito rigoroso, para evitar os desperdícios. Temos de trabalhar mais e melhor, ser inventivos e inovadores, e não podemos paralisar. Por exemplo, durante a pandemia, abrimos quatro hotéis – três em Portugal e um no Brasil –, fizemos uma central de fruta no Alentejo, construímos a nova sede da Vila Galé, em Oeiras.

    Entrar no segmento Habitação faz, de algum modo, parte da vossa estratégia, seja pela conversão de alguma unidade em apartamentos ou por outra via?
    Na Vila Galé estamos muito atentos às questões da habitação no seu todo. Há dez anos que ando a alertar para esse problema em Portugal. Sei que esse é um grande motivo de preocupação das nossas equipas e, por isso, estamos a criar uma fundação em que um dos grandes objetivos será ajudar os colaboradores a ter casa e a pagar os seus empréstimos. O nosso envolvimento na construção de habitação não é mais um negócio, mas apenas uma via para ajudar a resolver este grave problema às nossas equipas.

    A este respeito e numa visão mais global: pode o sector hoteleiro ser parte da solução para a escassez de oferta habitacional?
    A solução para o problema da habitação terá de passar sobretudo por outras medidas com muito mais relevância e efeito, tanto do sector público como do privado, com envolvimento de governo central, do poder local e câmaras, da banca, dos promotores imobiliários, dos fundos de investimento. Está tudo por fazer. Precisamos de garantir que há oferta a preços justos que os jovens e a classe média consigam pagar, ter mais habitação social e dar incentivos à iniciativa privada para construírem casas acessíveis, até para fixarmos os jovens em Portugal e contribuirmos para reduzir as assimetrias no território.

    Há hoje um foco particular no Brasil. O Jorge chegou a dizer, por diversas vezes, que lhe chegaram a oferecer terrenos para a Vila Galé desenvolver projectos. O que vos torna tão diferenciadores naquele mercado?
    Vários aspetos, mas, desde logo, o rigor e empenho constante, o profundo conhecimento do mercado, onde estamos há quase 25 anos, e a confiança na nossa capacidade para cumprir, criando riqueza e gerando emprego. Fazemos um acompanhamento muito próximo de todos os processos, desde a construção das unidades, à formação das equipas, à promoção e divulgação dos produtos e ao posicionamento da marca, legislação, funcionamento do sector. Claro que também é importante a proximidade cultural entre os dois países. Temos dez unidades no Brasil, onde somos a maior rede de resorts, e fomos dos primeiros a oferecer o ‘tudo incluído’, que teve logo uma grande aceitação junto do público brasileiro e permitiu, a partir daí, diferenciar a marca Vila Galé. Além disso, distingue-nos a oferta muito vocacionada para famílias e crianças, a qualidade e a simpatia das equipas, sempre muito próximas dos clientes. Hoje temos um prestígio grande no Brasil e somos muito reconhecidos pelo desenvolvimento que temos promovido em determinadas regiões, criando emprego e gerando riqueza para as comunidades.

    Admito que pode ser manifestamente exagerado pensar tão à frente. Mas além do Sunset do Cumbuco, que prevêem abrir este ano, ou o projecto de Cachoeira do Campo, têm previstas mais unidades no futuro mais imediato?
    Sim, o Vila Galé Collection Sunset Cumbuco abre este ano, a 30 de Novembro. E o Vila Galé Collection Ouro Preto, em Minas Gerais, está previso para 25 de Abril de 2025. Aqui até vamos testar a produção de vinhos e azeites, como já fazemos no Alentejo, com a marca Santa Vitória, e no Douro, com Val moreira. Além destes, estamos também já a trabalhar num segundo resort em Alagoas, o Vila Galé Coruripe Alagoas, que será um resort de praia, que deverá estar concluído em 2026. E temos ainda projetos para Brumadinho, próximo do museu de arte contemporânea de Inhotim, para o centro histórico de São Luís do Maranhão e para Belém do Pará. Na Vila Galé, continuamos a ter um grande prazer em realizar projetos diferenciadores e inovadores e em recuperar património histórico.

    Olhando para o Programa de Governo, e olhando para a política fiscal e de incentivos públicos, enquanto empresário como avalia a estratégia que está pensada? E, não concordando com algo, o que acha que deveria ter sido introduzido?
    Sempre que um novo Governo toma posse, torcemos para que tudo corra pelo melhor. No entanto, à partida, continuam a faltar reformas essenciais para o país – reorganização administrativa do país e da administração pública, que é decisiva sobretudo num período em que se avizinha o risco de instabilidade governativa. Falta também um programa de emergência para resolver o gravíssimo problema da habitação para os mais pobres e também mudanças para a classe média em termos de crédito bonificado, rendas limitadas, propriedade resolúvel, etc. Para este programa é fundamental envolver Governo, câmara municipais, fundos de investimento, bancos, senhorios e todos os empenhados neste processo.

    Na ocasião em que foram apresentados os resultados de 2023, adiantou também que a Vila Galé estava a estudar ou tinha estudado a possibilidade de abrir hotéis em África, nomeadamente a África lusófona. Quais são as prioridades? Cabo Verde? E, já agora, que tipo de hotel seria?
    Vamos vendo alguns projetos e analisando algumas possibilidades, mas, neste momento, não há nada de concreto. Com tantos projetos em Portugal e no Brasil, e com a entrada em Espanha e em Cuba, onde abrimos um resort em Cayo Paredón Grande, numa praia paradisíaca, a verdade é que já temos bastante trabalho pela frente e muito que fazer. No entanto, Cabo Verde e Moçambique continuam no nosso radar.

    O vosso balanço marca igualmente o pontapé-de-saída da vossa estratégia em Espanha. O que tem a Vila Galé para acrescentar a um mercado tão competitivo?
    Sim, abrimos a 15 de Abril a nossa primeira unidade em Espanha, em Isla Canela. O Vila Galé Isla Canela, no Sul, em Huelva, é resort com acesso direto à praia e decoração e arquitetura de influência árabe, muito pensado para receber famílias. E permite começar a mostrar ao mercado espanhol o que diferencia a nossa marca. Acaba por ser um destino de expansão natural, pela proximidade com Portugal e com o Algarve, e que fazia sentido para complementar a nossa oferta. Já tínhamos feito várias tentativas para entrar e, naturalmente, queremos continuar a crescer em Espanha. Madrid e Sevilha são cidades de que gosto muito e em que vejo muito potencial, pelo seu grande dinamismo. A nossa visão não é fazer um hotel em cada sítio só por fazer. Quando entramos, queremos ter uma posição consolidada e forte.

    A proximidade ao Real Madrid, por via da Fundação Real Madrid, pode ser um factor importante na vossa entrada na capital espanhola?
    Sim, fizemos essa parceria com a Fundação Real Madrid para ter clínicas de futebol para crianças nalguns dos nossos hotéis em Portugal, em particular no Algarve e Alentejo. Uma das imagens de marca da Vila Galé é ter propostas atrativas para famílias e para os mais novos e este projeto é mais um exemplo disso. Paralelamente, é claro que é importante ter estes parceiros de peso para ganhar notoriedade junto do mercado espanhol e abrir novas frentes de divulgação e diversificação da oferta.

    Sobre o autorRicardo Batista

    Ricardo Batista

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    Créditos: Paolo Rossell

    Construção

    Nature Based Solutions em conferência

    NBS Summit Urban Edition realiza-se a 23 e 24 de Maio, e trará ao Porto especialistas, investigadores e profissionais. Durante dois dias o debate e a partilha irão centrar-se nas soluções baseadas na natureza (Nature Based Solutions, NBS) e a sua importância no desenvolvimento urbano sustentável e no combate às alterações climáticas. A organização é da Associação Nacional de Coberturas Verdes, com o apoio do município através da Águas e Energia do Porto  

    O NBS Summit Urban Edition pretende ser um palco para a partilha de conhecimento, de práticas e de exemplos de soluções para tornar as cidades mais sustentáveis. A urgência é real e este é um momento decisivo para começar a delinear cidades mais resilientes e capazes de se adaptar às alterações climáticas como nos conta Ana Mesquita, membro da direcção da Associação Nacional de Coberturas Verdes (ANCV), que em conjunto com o município do Porto, através da Águas e Energia do Porto organiza o encontro que durante dois dias reúne especialistas, investigadores e profissionais em torno de um tema cada vez mais vital.

    Ana Mesquita, membro da direcção da Associação Nacional de Coberturas Verdes (ANCV)

    Como é que surge a NBS Summit e qual a sua relevância para o momento actual?

    Este encontro nasce da relevância do tema para as cidades, que têm de se adaptar às alterações e ao stress que terão nas próximas décadas. A intenção é a de criar um evento que agrega todas as partes interessadas: os municípios, os projectistas, a indústria e os centros de investigação e as universidades. Surge também em sequência de um outro evento que realizámos com a Câmara do Porto, o Internacional Green Infrastructure Conference, em 2018, que contou com a presença de uma série de especialistas internacionais.

    Agora, seis anos depois, o palco do debate é o Superbock Arena, podemos fazer a analogia com o significado e a importância destes temas no momento actual?

    Estes temas estão no centro do debate e da discussão de hoje sobre as cidades do futuro e o futuro da urbanização. Estamos todos muito felizes por ir à praia em Abril, mas não temos noção do que é que isso significa, na verdade, não é? Há uma certa ingenuidade da nossa parte, quando estas situações devem-nos alertar.

    As coisas estão a mudar a uma velocidade maior do que aquela que era o expectável, e temos de alterar a forma como pensamos as cidades e desenhamos os edifícios, temos de perceber que já não é uma questão de combate às alterações climáticas, mas é uma questão de tentar adaptar-nos. De sermos resilientes. Este termo que está muito na moda, mas que é uma propriedade física dos corpos de sofrer um impacto, um stress, e voltar à sua forma original. E é isso que as cidades vão ter de conseguir fazer. Vão ter de conseguir lidar com temperaturas extremas e, de alguma forma, conseguir manter algum microclima dentro das ruas.  Vão ter de conseguir lidar com grandes volumes de água em curtos períodos de tempo, sem riscos de inundações.

    Como é que em Portugal é percepcionada esta questão?

    Está a demorar a ser percepcionado quer pelas cidades, pelas entidades públicas e também pelos projectistas. E já nem falo pelos donos de obra.

    Eu diria que a indústria e os centros de investigação, as universidades, estão um passo mais à frente. A indústria está preparada para fornecer esse tipo de soluções, para dar apoio técnico à instalação desses materiais. Os grupos de investigação têm já dados e estudos que comprovam os benefícios e a viabilidade económica das nature based solutions.  Onde é que esbarramos? Muitas vezes nos municípios, que estão a começar a acordar para o assunto, nos projectistas e profissionais que ainda têm algum receio, ou falta de conhecimento, mas sentimos que as coisas estão a mudar. O caminho que percorremos nos últimos 10 anos foi gigante, claro que ainda há um caminho a percorrer.

     

    Para além das coberturas verdes

    Que soluções falamos quando falamos em soluções baseadas na natureza? Em coberturas verdes?

    O summit não irá falar só de coberturas verdes, soluções de base natural são soluções que tentam simular e mimetizar os processos naturais, trabalhando com a natureza e não contra a natureza. Podemos usar as soluções de base natural em conjunto com as soluções de engenharia estática, que são aquelas que estamos mais habituados a fazer. Por exemplo, os túneis de drenagem que Lisboa está a construir. As soluções de base natural não são a única solução ou uma solução no singular, mas têm de entrar para a ordem do dia quando planeamos as cidades e, sobretudo, quando desenhamos edifícios.

    Porque se pensarmos no que vai acontecer nos próximos 30 a 40 anos e nos desafios que as cidades vão ter, que os edifícios vão ter, e se pensarmos que estamos a construir hoje os edifícios que vão existir daqui a 30 anos, percebemos que estamos a agir demasiado tarde. É hoje que temos de agir, não é daqui a 20 anos que vamos começar a pensar nisso, quando sentirmos os problemas na pele. É hoje porque estes são os edifícios que vão estar cá nas próximas décadas.

    E por isso o summit foca-se em soluções para as cidades.

    Porque são as cidades que vão sofrer esse impacto. Até 2050 estimamos que mais de 70% da população viva nas cidades e 2050 é quase amanhã. As cidades têm um impacto muito grande na natureza, são paisagens altamente artificializadas. Pegamos nas paisagens naturais e artificializamos em cidades. Para quê? Porque precisamos de um ambiente construído, para aquilo que são as nossas actividades económicas, sociais… e acabamos por ter um impacto muito grande nos ecossistemas, na natureza…

    Os casos práticos

    O NBS Summit irá focar-se muito em exemplos, que soluções nacionais estarão em destaque?

    Em termos de exemplos do que temos em Portugal, teremos o novo Terminal Intermodal da Campanhã

    É um excelente case study. Estamos a falar de uma zona da cidade que estava degradada e muito esquecida e o projecto alavancou toda uma nova urbanidade e mobilidade urbana, unindo ali três tipos de transporte públicos e isso também é um factor importante. Estamos a falar de perto de 13 mil m2 de cobertura verde, para além do parque urbano que não está sobre o edifício.

    Aliada à componente ambiental, o projecto teve também uma componente social e até estratégica para a cidade e para aquilo que é a vivência na cidade e a movimentação da população, da sua mobilidade.

    Que outros exemplos serão debatidos e estudados?

    Teremos várias visitas nestes dois dias de encontro que se irão centrar no Porto, que é a cidade onde o summit se realiza. Teremos a Praça de Lisboa, junto aos Clérigos, que é outro exemplo de uma área que esteve degradada e ao abandono e que mudou por completo com a instalação de uma cobertura verde que devolveu a natureza ao centro consolidado do Porto. Se perguntasse há uns anos, “é possível ter um jardim ao lado dos Clérigos, ao lado da reitoria, no meio da Praça dos Leões quase, um jardim com árvores, com oliveiras, com relevado, onde as pessoas possam estar?”. A resposta seria “não é possível”, a cidade do Porto está consolidada, a malha urbana está já completamente definida, portanto, não há espaço para trazer a vegetação. Mas, de facto, houve espaço, houve espaço para uma nature based solution. Lá está, uma cobertura verde. E isso também é algo importante, ou seja, em muitos locais, onde já não é possível pôr jardins e parques, as coberturas verdes podem ser a solução. Não queremos que seja percepcionada de alguma forma que as coberturas verdes são a única solução. De todo!

    Outro exemplo bastante emblemático da cidade do Porto, é a Escola do Falcão, que é uma escola que foi também renovada no ano passado e que tem uma série de nature-based solutions.

    Depois teremos também os exemplos internacionais. (Ver caixa)

    O nosso convidado mais especial é o Kongjin Yu, o reconhecido arquitecto chinês, criador do conceito das Sponge Cities, e que nos vem falar exactamente sobre este conceito e sobre a forma como nós lidamos com a água. Yu é reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho inovador na criação de espaços urbanos que harmonizam de forma única a natureza e a função humana nomeadamente pelo conceito Sponge Cities que visa enfrentar os desafios de inundações urbanas e escassez de água por meio de infraestruturas naturais e sustentáveis.

     

    Este evento irá chegar a quantas pessoas?

    Esperamos casa cheia, cerca de 400 a 500 participantes. É essa a nossa expectativa. Não vamos abrir streaming, porque o objectivo foi trazer os especialistas, os profissionais, os investigadores ao local, para uma experiência muito mais imersiva.

    Os últimos dez anos foram importantes, mas como vê que estas questões venham a evoluir nos próximos cinco anos?

    Eu quero acreditar que daqui a cinco anos estamos a lidar com estas temáticas – com a vegetação, com as coberturas, com as paredes, com as soluções para a água – como quem lida com o resto das componentes de um edifício. Tem de ser. Como é que vamos lidar com a água neste edifício? Como é que vamos conseguir reter a água no edifício? Além da eficiência energética os edifícios têm de ser hidricamente eficientes e isso não é só focarmos na torneira, mas temos de pensar na grande torneira que vem do céu. Como é que aproveitamos a água? Como vamos retê-la para depois reutilizá-la? Como vamos reciclá-la? São grandes desafios!

     

    O programa

    Durante os dois dias do evento, a 23 e 24 de Maio, a Super Bock Arena será palco de partilha e debate dos principais focos das metas europeias de sustentabilidade para o ambiente urbano construído. Um leque de especialistas, académicos e líderes do sector abordarão temas cruciais como a conservação de ecossistemas urbanos, infraestruturas verdes, gestão sustentável de águas pluviais, eficiência energética e energias renováveis, com o intuito de partilharem as suas ideias e soluções para tornarem as nossas cidades mais sustentáveis, biodiversas, resilientes e verdes.

    O arquitecto paisagista Kongjin Yu é o nome mais sonante. Yu é reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho inovador na criação de espaços urbanos que harmonizam de forma única a natureza e a função humana nomeadamente pelo conceito Sponge Cities que visa enfrentar os desafios de inundações urbanas e escassez de água por meio de infraestruturas naturais e sustentáveis. Mas o evento trará “outros líderes visionários no campo das Soluções Baseadas na Natureza”, como Laura Gatti, co-autora do famoso Bosco Verticale, em Milão, ou Per Malmos, responsável pelo Copenhill, a cobertura verde que também é uma pista de ski e que está localizada em Copenhaga, na Dinamarca.

    Para além dos projectos, nacionais e internacionais, Luigi Petito, especialista em assuntos públicos europeus, abordará os últimos desenvolvimentos nas políticas e regulamentações relacionadas com a infraestrutura verde na Europa. O discurso de Petito será fundamental para a compreensão do contexto político em evolução na Europa, especialmente no ano de 2024, que marca um período com mudanças significativas previstas nas políticas e regulamentações que impactam directamente a sustentabilidade urbana. Entre estas destaca-se o acordo político entre os Estados Membros e o Conselho da UE sobre o Regulamento Restauro da Natureza e as revisões das directivas de Tratamento de Águas Residuais Urbanas (UWWTD) e de Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), salientando-se, em todos os casos, o compromisso da UE em promover Soluções Baseadas na Natureza para enfrentar desafios ambientais das cidades contemporâneas.

    O NBS Summit contará também com a presença de Martin Košťál e Jürgen Preiss que falarão das políticas a ser implantadas nas cidades europeias de Brno e Viena, respectivamente.

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    KEO abre segundo escritório em Portugal e prepara expansão europeia

    Actuam nas diferentes áreas de projecto e engenharia e entraram em Portugal em plena pandemia, com confinamentos um pouco por todo o lado. Quatro anos depois, já têm clientes em Portugal para projectos noutras geografias. Depois do primeiro passo da internacionalização, o objectivo passa por estar presente em mais países europeus

    Cidália Lopes

    Em entrevista exclusiva ao CONSTRUIR, João Sales, director da KEO Europe, revela como tem sido o percurso da empresa em Portugal, que não só abriu portas à internacionalização do Grupo, como à possibilidade de expansão para outras geografias. Mais do que definir valores ou metas de facturação, o objectivo passa por criar raízes e mostrar a dinâmica de trabalho daquela que é a mais antiga empresa no Médio Oriente, com origens no Kuwait e que conta com cerca de 2500 colaboradores de mais de 60 países.

    Primeiro com um escritório no Porto, abriram este ano a delegação em Lisboa, no Parque das Nações, por uma questão de proximidade dos clientes e do mercado. É expectável, por isso, que, ainda este ano, atinjam os 150 colaboradores em Portugal.

    Há quanto tempo é que estão em Portugal?

    Há quatro anos. Portanto, abrimos a nossa sede primeiramente no Porto, em Campanhã e agora estamos na Trindade, perto da Câmara Municipal, e há seis meses em Lisboa. Estamos a crescer, a expandir a nossa actividade e o, portanto, o edifício onde estávamos já não tinha capacidade. Em Lisboa, estamos no Parque das Nações. E Portugal é o primeiro país da empresa fora do Médio Oriente.

    Sendo uma empresa internacional e com uma actuação muito especifica no Médio Oriente, como é que surge a estratégia de vir para Portugal?

    Foi uma oportunidade, foi um objectivo, um passo estratégico nosso. A KEO, que quer dizer Kuwait Engineering Office, nasceu no Kuwait há 60 anos, é uma das mais antigas do Médio Oriente. O nosso fundador ainda é o Chairman e por isso ainda se mantém um negócio familiar.

    No Médio Oriente somos praticamente líderes de mercado, se não formos, estamos no Top 3 e competimos com os grandes internacionais que têm operações no Médio Oriente.

    A nossa vinda para Portugal está relacionada com uma estratégia de médio e longo prazo de alargar o reach geográfico. Talvez nestes 60 anos da KEO, que celebramos este ano, 99,5% dos projectos que fizemos foram lá.

    Como tem estado a ser a experiência de trabalhar num mercado tão diferente?

    Se por um lado, no Médio Oriente somos uma empresa que não dispensa apresentações toda, a gente no ramo sabe quem somos e o que fazemos, aqui é completamente diferente. Muito poucos sabem quem somos.

    Estou na KEO há 13 anos, sendo que 11 foram vividos em Abu Dhabi, primeiro a trabalhar para uma empresa inglesa e depois nove anos já a trabalhar para a KEO. Há quatro anos vim para Portugal abrir a KEO. E só aí é que comecei a ter que explicar o que era KEO.

    Como tem sido o vosso percurso no Médio Oriente?

    O histórico da empresa está muito ligado, infelizmente, a situações traumáticas de guerras. Não há bela sem senão e depois de uma guerra há toda uma necessidade de infraestruturas e de construção. Ou seja, as crises criam oportunidade.

    Primeiro com a reconstrução do Kuwait, depois nos anos 90 houve um crescimento muito grande quando fomos para os Emirados Unidos, com todo o crescimento do Dubai, Abu Dhabi. Em 2010 o Mundial é atribuído ao Qatar e este, rapidamente, se transformou no nosso maior mercado, tendo estado envolvidos em quatro dos oito estádios construídos. E não só os estádios, mas toda a infraestrutura que é necessário desenvolver, as autoestradas, edifícios, hotéis. Doha sofreu uma transformação enorme com estas obras.

    Nós temos 2500 funcionários e cerca de metade estavam a trabalhar em projectos no Qatar, para ter uma ideia da dimensão do mercado.

    E mais recentemente, de 2020 para cá, e principalmente no pós-pandemia, a Arábia Saudita, com uma pujança que faz lembrar o Dubai dos anos 90, mas com um volume ainda maior.

    Portanto, não há nenhum projecto grande do Medio Oriente em que a KEO não esteja envolvida, de uma maneira ou de outra. O nosso scope é muito abrangente, desde o projecto, à consultoria, passando pela fiscalização.

    Em que aspecto é que Portugal representa, então, uma mais-valia nesta estratégia?

    Além de ser um mercado em crescimento, Portugal pode ser encarado como uma porta para novas geografias. Portugal não deixa de ser um hub, não só para a Europa, como para a África, para os PALOP’s, como para a América Latina. Pois, está aqui num eixo muito importante.

    Por outro lado, a perfomance de trabalho com a pandemia mudou muito. Durante muitos anos a filosofia era atrair talento para o Médio Oriente. Hoje em dia, com tudo ligado todos trabalhos remotamente, na cloud, tudo online, é possível trabalhar à distância. Por isso quando se monta um escritório em Portugal, podemos estar a entregar projectos em qualquer lado. Actualmente, temos 10 escritórios em oito países e todos trabalham colaborativamente, o que significa que fazemos projectos para qualquer sítio e em equipa.

    Inclusive os que são cá em Portugal?

    Exatamente. Neste momento, a maior parte do trabalho que é feito pelas nossas equipas em Portugal não é para Portugal, ainda é para o Médio Oriente, para os grandes projectos que temos lá.

    Seja um arranha-céus no Dubai, ou um Campo de Golfe, na Arábia Saudita, ou um hotel no Qatar, as equipas dos vários escritórios colaboram. Não tem tanto a ver com o escritório que está perto, mas sim onde estão os nossos especialistas e que têm o currículo mais próprio para determinado projecto.

    Ainda sobre a vinda para Portugal, já havia uma vontade dos responsáveis?

    Sim, quando a proposta é feita, esta já estava alinhada com uma estratégia. Nós trabalhamos muito por departamentos, temos várias áreas de actuação. Na altura abrimos no Porto com infraestruturas, ou seja, projectistas de estradas, de redes de abastecimento. E muito rapidamente vimos que havia oportunidade e, entretanto, já temos equipas de arquitectura, de paisagismo, de ambiente.

    No Porto já somos 60 e em Lisboa 12. O nosso objectivo é duplicar este número ainda este ano, com o desafio que é sabido em Portugal da contratação. Portanto, há falta de mão de obra em Portugal e somos muito selectivos, já que é a única maneira de mantermos os nossos standards.

    E porquê a escolha pela cidade do Porto?

    Tínhamos algumas parcerias com empresas com que colaborávamos no Porto e foi um processo natural e uma agradável surpresa. O Porto recebeu-nos muito bem e não fica minimamente atrás em termos de mão de obra disponível e de qualidade. E vemos cada vez mais empresas que estão em Lisboa a abrir escritório no Porto, e vejo isso a acontecer com as grandes consultoras, com os grandes gabinetes de projecto, que aqui em Portugal são a nossa concorrência directa. Não só porque permite estar mais perto dos clientes, como alargar a talent pool. E acaba, também, por facilitar no recrutamento de profissionais ao darmos a possibilidade de trabalharem num dos dois espaços.

    Sendo a questão da mão de obra um tema importante e sensível, de que forma abordam esse recrutamento, junto das universidades, por exemplo?

    Sim, sim, junto das universidades e também junto das feiras de emprego organizadas pelas próprias faculdades. Para nós este trabalho é muito importante, porque sabemos que ainda estamos longe de ter o reconhecimento em Portugal que as empresas nossas concorrentes têm, mas temos todo um portfólio, uma experiência e áreas de actuação e de projecto que chama muito o interesse.

    E um aluno quando vê o tipo de projectos que fazemos, a dimensão, que são coisas que em Portugal não se fazem, nem nunca se fizeram. Nós fazemos cidades de raiz.

    Talvez em termos de comparação temos a Expo’98…

    Sim, sem dúvida. Mas isso é o tipo de projecto que acontece uma vez e não haverá, provavelmente, uma nova oportunidade do género em Portugal.

    E relativamente a projectos, o que é que têm em carteira actualmente?

    Nós em Portugal ainda não temos nada de substancial. É preciso não esquecer que trabalhar em rede e que os nossos escritórios têm muito trabalho mas, para já, ainda para projectos no estrangeiro.

    Lá está, chegámos em pleno covid, em pleno lockdown. No primeiro ano e meio não nos conseguíamos dar a conhecer. Portanto, nos primeiros dois anos não foi possível reunir com ninguém, nem estar presente em eventos deste género. Só de há dois anos para cá é que estamos a investir em marketing.

    Por isso, em relação a projectos, não é algo que surja de um momento para o outro, leva o seu tempo que também está relacionado com todo o processo que envolve a participação e o concurso de projectos. É um desafio entrar em que mercado for.

    Só em 2023 é que assinamos os primeiros contratos em Portugal, numa escala mais reduzida, mas que ainda assim abrangeram três continentes diferentes, a partir de Portugal, ou seja, Europa, África e Ásia.

    O que também vem demonstrar que a nossa aposta em Portugal enquanto hub estava correcta e que as empresas estão cada vez mais a internacionalizar-se e precisam de alguém com experiência nesses mercados.

    Em 2024 contamos que seja o ano em que vá surgir contratos a uma escala a que a KEO está habituada e que estão neste momento ainda em fase de concurso e por isso não é possível revelar.

    O facto de sermos uma empresa internacional que veio para Portugal, o que de certa forma é o percurso ao contrário, tem, também gerado muito interesse por parte dos players com quem interagimos, principalmente quando falamos com potenciais parceiros, e geram-se, neste âmbito, sinergias interessantes.

    Nós nunca olhamos para a competição apenas como concorrência, mas sempre como potenciais parceiros. E isso tem sido, também, um veículo para oportunidades.

    O vosso background acaba por ser a vossa mais-valia…

    Exacto, porque o que temos para vender é realmente diferenciador, portanto, quando andamos a vender uma empresa como a nossa, não é ver realmente a maneira como somos recebidos com entusiasmo, não só pela quantidade de coisas que fazemos, pela dimensão dos projectos, pelo portfólio da experiência, como as pessoas podem imaginar que a indústria do projecto e da construção do sítio de onde vimos não está desenvolvido, mas é o contrário.

    Em sítios como o Dubai, já há muitos anos que se fazem coisas que em Portugal só recentemente se começaram a fazer. Portanto, são países que já têm exigências em termos de sustentabilidade, por exemplo, de implementação de certificação de sustentabilidade, toda a parte de digitalização. Portanto, o BIM, por exemplo, enquanto que, em Portugal, se fala agora de em 2030 ser obrigatório entregar em BIM, nós no Dubai já é obrigatório entregar em BIM desde há cerca de 10 anos.

    Qual é então o vosso plano de investimento em termos de médio e longo prazo aqui em Portugal?

    Nós somos uma empresa com 2500 pessoas, sendo que até ao final do ano temos como objectivo chegar às 150 em Portugal. Temos a noção de que Portugal é apenas uma pequena parte do que é a KEO, e por isso, muito mais importante do que estabelecer uma meta de facturação a dois, três ou quatro anos é muito mais relevante para nós estabelecermo-nos, criar uma pegada, criar raízes nestas geografias.

    Portanto, divulgar a marca, atrair clientes, e manter esses clientes. Uma coisa que nos orgulha é que dos poucos clientes que assinámos o ano passado e que realmente foram para este três Continentes que falei há pouco, já todos nos deram um segundo projecto.

    Na sua opinião e do conhecimento que têm, qual é o mercado que está com mais dinâmica?

    Vive-se um período de muito incerteza geopolítica em diferentes países da Europa e por seu lado, o investimento estrangeiro em Portugal não sentimos que tenha abrandado e por isso mantém-se alguma dinâmica.

    Uma vez que estão agora em Portugal e com todas as sinergias que se geram haverá aqui uma possibilidade de expandirem para outro país europeu?

    Sim, sem dúvida. Nós sendo uma empresa do Médio Oriente que está lá estabelecida há muitos anos, portanto, estamos em sete países do Médio Oriente e o oitavo é Portugal, o objectivo é, sem dúvida, crescer e alargar para outras geografias.

    Não temos necessariamente um plano definido, mas há localizações que estão com mais dinâmica e mais propicias para fazer negócios, que estão mais receptivos ao tipo de empresa como a KEO. Julgo que será, de alguma, um crescimento onde surgirem as oportunidades, onde surjam projectos interessantes e que estes se materializem e que justifique abrir nesse local uma delegação para começar e uma pessoa uma vez pondo o pé, o resto vai aparecendo.

    Portanto, não colocamos nada de parte. E, até nestas sinergias, nas parcerias que fazemos, no tipo de negócios que fazemos, nas geografias para onde vamos, no tipo de projetos que fazemos, nós não colocamos nada necessariamente de parte. Estamos sempre disponíveis para ouvir os potenciais parceiros.

    Sobre o autorCidália Lopes

    Cidália Lopes

    Jornalista
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