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    João Miguel Pinto e Rui Nunes Santos, Lead Architects da Quadrante Arquitectura

    Arquitectura

    “Não pretendemos ser um gabinete de autor. Procuramos, sim, estarmos mais alinhados como uma empresa de projecto”

    João Miguel Pinto e Rui Nunes Santos, Lead Architects da Quadrante Arquitectura, explicam, em entrevista ao CONSTRUIR, a importância crescente da área de arquitectura num grupo marcadamente impulsionado pela engenharia. Promotores de uma lógica de ‘serviço completo’, admitem que o mercado interno é curto para a estratégia, mas não enjeitam qualquer oportunidade. As novas tecnologias e a forma de encarar o projecto como um todo assumem um carácter diferenciador

    Ricardo Batista

    João Miguel Pinto e Rui Nunes Santos, Lead Architects da Quadrante Arquitectura

    Arquitectura

    “Não pretendemos ser um gabinete de autor. Procuramos, sim, estarmos mais alinhados como uma empresa de projecto”

    João Miguel Pinto e Rui Nunes Santos, Lead Architects da Quadrante Arquitectura, explicam, em entrevista ao CONSTRUIR, a importância crescente da área de arquitectura num grupo marcadamente impulsionado pela engenharia. Promotores de uma lógica de ‘serviço completo’, admitem que o mercado interno é curto para a estratégia, mas não enjeitam qualquer oportunidade. As novas tecnologias e a forma de encarar o projecto como um todo assumem um carácter diferenciador

    Ricardo Batista
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    (fotos créditos: Rui Lourenço / Frame It)

    Liderando uma equipa com 35 arquitectos, João Miguel Pinto e Rui Nunes Santos explicam no CONSTRUIR a lógica por trás da metodologia ‘total design’, em que o cliente chega à Quadrante e consegue ter a oferta do serviço completo de ‘A a Z’, com um interlocutor apenas.

    Qual é a lógica por trás do funcionamento da Quadrante Arquitectura, nomeadamente a sua organização num grupo fortemente marcado pelo peso da área de engenharia?

    João Miguel Pinto (JMP): No grupo Quadrante, a arquitectura começou há aproximadamente 20 anos e, basicamente, cresceu a pedido do cliente. A Quadrante tem a sua génese associada à engenharia civil, foi crescendo e ganhando especialidades, foi ganhando capacidade de oferta e chegou a um ponto em que tínhamos as disciplinas todas à excepção da arquitectura. Nessa altura, os clientes, nomeadamente clientes da área industrial, acabaram por desafiar a administração da empresa para a constituição de uma área dedicada a estes trabalhos. Parte dos problemas de coordenação, na relação entre arquitectura e engenharia, acabavam por existir na mesma. Portanto, se conseguíssemos ter o serviço completo seria interessante. E começou por aí. Começou por ser uma pequena divisão de arquitectura que dava resposta às necessidades que chegavam dos projectos de engenharia. Foi crescendo, também porque são demasiado evidentes as vantagens de se trabalhar com tudo integrado. A ideia de ter tudo inhouse é a nossa proposta de valor. Temos uma metodologia a que chamamos ‘total design’ que é isso mesmo: o cliente chega à Quadrante e consegue ter a oferta do serviço completo de ‘A a Z’, com um interlocutor apenas. Para os nossos clientes, que são clientes cada vez mais profissionais, é uma vantagem e é o que nos diferencia no mercado. A forma como o fizemos, com o rigor, a questão do prazo e o controlo absoluto sobre todos os stakeholders do projecto permitiu que fossemos ganhando mais projectos deste género. Nos últimos cinco anos, esse crescimento foi mais evidente, de onde se pode destacar o projecto do Novo Aeroporto do Montijo e isso fez com que a nossa equipa, que há 6 anos era de seis pessoas, tenha agora 35 arquitectos.

    Rui Nunes Santos (RNS): Vencer desafios faz parte da nossa génese, encontrar formas de resolver problemas. Tem sido essa forma de estar que nos tem permitido crescer. Não temos medo de uma tipologia de projecto em que não temos experiência. Se for necessário, estabelecemos parcerias seja com quem for e encontraremos forma de chegar ao que o cliente pretende, prestando um trabalho de qualidade, diferenciado. O facto de termos todas as engenharias à nossa volta, é mais um desafio. Somos desafiados diariamente com um monte enorme de obstáculos, mas depois temos também a visibilidade transversal de um monte de tipologias diversas de projecto que nos permitem, perante um cliente que está muito habituado a um mercado específico como a habitação, ter uma experiência diversa que nos dá um contributo que o cliente não está à espera. Isso dá-nos uma postura diferenciadora no mercado.

    Esse englobamento de várias valências nas vossas propostas, é hoje uma realidade consolidada ou ainda há uma margem significativa para crescer, atendendo a que há, de facto, um peso significativo da vertente engenharia?

    RNS: Hoje em dia, os projectos mais interessantes para o grupo são os projectos em que tudo é feito dentro da empresa, com arquitectura e especialidades desenvolvidas internamente. São projectos que conseguimos abordar de forma eficiente. Nós temos uma forma de estar organizada, daí que tenhamos um conjunto de regras que nos permitem fazer ‘bem à primeira’. De facto, quando temos arquitectura, especialidades, conceitos, o desenvolvimento de projecto feitos internamente, são os projectos mais interessantes para o grupo e, por conseguinte, para a equipa. É evidente que isto não é estanque. Conseguimos a fazer projectos de especialidades para outros gabinetes, projectos de arquitectura para com outros gabinetes de especialidades…

    JMP: Nós temos as três geometrias a funcionar: temos projecto em que só temos arquitectura; projectos em que só temos engenharia; e temos os projectos mais interessantes, em que temos o pacote completo. Na parte da tipologia de projecto que mais procuramos, projectos mais complexos e completos como aeroportos, hospitais, estádios, é fundamental. Esses são projectos com muita complexidade e necessidade de coordenação, muita necessidade de optimização de soluções para conseguirmos atingirmos os nossos objectivos e os do cliente. Achamos que é uma vantagem poder controlar tudo. Numa empresa que tem agora 470 pessoas, uma divisão de arquitectura com 35 pessoas não tem significado em termos de percentagem mas para o mercado nacional temos a noção de que estamos a fazer o portfolio. Os projectos que temos actualmente em mãos têm bastante significado, nomeadamente dois estádios, vários projectos de aeroportos a decorrer, projectos de habitação em grande escala…Temos tido sempre uma postura low profile face ao mercado pois não pretendemos ser um gabinete de autor, nem um gabinete ‘de nome’. Procuramos, sim, estarmos mais alinhados como uma empresa de projecto como existem no Reino Unido, nos Estados Unidos. Fazemos edifícios, não fazemos só arquitectura. Muitas vezes, a questão da marca e do autor é importante para o cliente e para conseguirmos estar nesse mercado temos algumas parcerias estratégicas em tipologias ou mercados que sabemos que o nome é importante. Isso, essencialmente, em projectos de habitação ou de interiores. Temos vindo a crescer apoiados nessas parcerias estratégicas que nos ajudam a mitigar falhas que ainda temos.

    Mas há, de facto, uma lógica diferenciadora entre o que é a vossa actividade e a de um atelier de média/grande dimensão em Portugal?

    JMP: Efectivamente, há uma diferença na forma como estamos estruturados e como abordamos o projecto. Como abordamos o projecto no sentido mais prático de relação objectivo/cliente, custo, relação com as engenharias, relação com os stakeholders. Mas na prática, o desenvolvimento da arquitectura é um desenvolvimento transversal a qualquer equipa de arquitectura. Os nossos arquitectos não são diferentes dos arquitectos que estão nos ateliers. O que conseguimos foi ter essa parte mais criativa e mais romântica da arquitectura, mas conseguindo, ao mesmo tempo, uma estrutura regrada, com metodologias e passos que permitem uma resposta, no nosso entendimento, mais interessante.

    RNS: Penso que há uma coisa que pode ser um factor diferenciador que é a experiência diversa e nós tentamos colocar-nos no lugar do cliente. ‘Eu sou um promotor, tenho este negócio que vou levar avante, tenho um negócio que tem de correr bem. O que eu preciso para que este negócio corra bem? O que preciso, no processo, para que este negócio seja diferenciador?’ Pela diversidade de experiências que temos internamente, conseguimos entender se é uma construção mais eficiente, se é necessária uma solução de especialidades mais inovadora porque vai ser mais importante em termos comerciais ou se vai ter uma exploração mais económica. Nós conseguimos, pela tal visibilidade macro que temos em muitos ambientes, geografias, tipologias de clientes bastante diversificados, fazer com que o cliente pense fora da roda, fora da caixa, fora da sua área de conforto. E isso faz com que, por vezes, se consiga inovar e evoluir.

    Em que medida é que esse carácter diferenciador é mais valorizado face a uma forma mais tradicional de lidar com o projecto?

    JMP: Esta nossa metodologia, que designamos ‘total design’, tem uma base muito interessante: como temos todos os especialistas in the house, na primeira reunião de projecto em que nos sentamos à mesma mesa conseguimos ter os diversos especialistas fundamentais para esse projecto. A primeira discussão de ideias, o primeiro workshop, já tem o melhor de cada um. Nós conseguimos, de uma forma mais eficiente chegar a uma solução mais interessante no final. Não temos uma equipa de arquitectura que vai, sozinha, e que depois faz com que as engenharias tenham de adaptar ao desenho. Nós conseguimos desenhar o projecto em conjunto. Isso não castra, de forma alguma, a arquitectura por si pois, na verdade, a arquitectura é a resolução de um problema associada a questões estéticas e de harmonia de composições. Nós fazemos isso tudo, sabendo que no final das contas terá de ser construído, alguém terá de pagar, alguém vai utilizar e alguém vai manter. Tentamos dar resposta a isso tudo. Um dos pontos importantes nessa metodologia é a questão da sustentabilidade e do ambiente. Temos um departamento de ambiente e sustentabilidade que faz parte do nosso projecto sempre. Desde o inicio estamos a pensar já com esses inputs em cima da mesa. A Quadrante tem um conjunto de compromissos ligados à sustentabilidade que têm de ser cumpridos nos projectos… Desenvolvemos, igualmente, uma ferramenta em que conseguimos pontuar os nossos projectos em termos de eficiência energética, de boas práticas. Acho que o que nos diferencia é isso. Nós já tivemos a experiência de que esta forma de projectar tanto resulta num estádio de futebol, num projecto complexo, ou um hospital, como para habitação de grande escala. Os ganhos são evidentes. Quando o cliente nos pede um projecto, estamos a falar de um negócio e nós conseguimos perceber qual é o negócio do cliente e conseguimos ajudá-lo nisso, não descurando a qualidade da arquitectura. Acho que é isso que nos diferencia. Eu acho que conseguimos, aqui na Quadrante, estar um passo mais à frente porque, no final de contas, a responsabilidade está toda debaixo do mesmo chapéu.

    Olhando para a realidade nacional, do mercado interno, em que é que essa forma de actuar encaixa na realidade do mercado, atendendo a que não há assim tantos projectos, com frequência, como um hospital ou um aeroporto?

    RNS: A Quadrante está estruturada de forma a optimizar tanto o processo de produção como de comunicação com o cliente e os vários intervenientes do projecto. Perante o cliente, temos um project-manager, um client manager e um porta-voz que são as pessoas que dão resposta ao cliente de forma sustentada e concertada. São pessoas que estão habituadas a comunicar com o cliente final e a trazer, para os nossos projectistas, o feedback do cliente. Esse interlocutor, é a figura que perante o dono da obra dá conforto e dá garantias de que as soluções que estão a ser desenvolvidas estão alinhadas com os objectivos. Sempre que é necessário um apoio técnico, os projectistas e equipas de projecto juntam-se ao cliente e a garantia de que tudo o que está a ser feito dentro desta empresa, seja um ou 10 projectos – por vezes, um projecto tem 10 disciplinas ou mais associadas, garante que todas essas disciplinas trabalham de acordo com o mesmo planeamento, com o mesmo prazo, o mesmo objectivo, evitando inconsistências de projecto, elementos em falta quando é lançado o concurso de empreitada e evitando problemas em obra, problemas esses que têm sempre um custo gigantesco quer em temos financeiros quer de prazo. Esta forma de estar ajuda-nos a dar credibilidade perante um cliente e a criar relações de confiança. O nosso desígnio é prestar um serviço diferenciado, de qualidade e criar relações de confiança que permitem que os clientes confiem em nós.

    João Miguel Pinto rejeita a ideia de arquitectura de autor

    Quais são os vossos objectivos? Qual é a vossa estratégia? Já percebemos que há um esforço e um aproveitamento da dinâmica internacional mas olhando, também, para o mercado interno por onde passa o vosso caminho de crescimento?

    JMP: A nossa área de arquitectura, actualmente, está também a navegar a onda do imobiliário que estamos a viver. Temos vários projectos de grande escala de habitação. Sabemos quanto tempo ainda vamos poder beneficiar desta onda, mas o nosso posicionamento e o nosso objectivo é conseguir estar nas duas frentes: conseguir estar nestes projectos residenciais ou de escritórios enquanto o mercado estiver disponível e houver oportunidades, mas ser igualmente a empresa de referência quando for necessário executar hospitais, estádios e tipologias mais complexas. Tentamos também, olhar para as tendências. Temos um forte posicionamento no mercado dos data centers, sabemos que é um mercado em crescimento, continuamos a ter uma forte componente industrial. Estamos, aliás, a desenvolver o maior projecto industrial já feito em Portugal, nomeadamente uma giga factory de baterias para carros eléctricos, que equivale a qualquer coisa como 400 mil m2 só na primeira fase…

    Combina arquitectura e engenharia?

    RNS: Desde o estudo de impacto ambiental ao projecto de execução final.

    JMP: Claro que uma empresa com a escala que a Quadrante, não olhando apenas a área de arquitectura, não se consegue alimentar apenas no mercado nacional e, por isso, o nosso foco está em continuar a internacionalização e aí temos umas alavancas muito interessantes para a nossa divisão de arquitectura que é o facto de termos diferentes áreas de negócio. Temos áreas como Transportes, em que a arquitectura dá resposta a estações de caminho de ferro ou portos, ou a área da Energia que vão precisar de arquitectura. Temos também a área de Special Projects que faz a angariação, por todo o Mundo, de projectos especiais onde também pode entrar arquitectura. A nossa visão está muito mais além do que o mercado nacional em termos de crescimento. No mercado interno claro que queremos ser uma referência em termos de arquitectura, não pela questão da arquitectura de autor mas num posicionamento diferente.

    RNS: Nós acompanhamos o que está a acontecer no Mundo inteiro. Hoje em dia há uma transformação energética e digital e nós estamos a acompanhar isso com as nossas equipas. É um trabalho em que a arquitectura está presente juntamente com todas as disciplinas. Temos o mesmo foco e o mesmo designio um pouco por todo o Mundo. Esta experiência nacional permite-nos estar em outras geografias a fazer o mesmo tipo de trabalho e a responder ao mesmo tipo de tipologias.

    Nesse capítulo, em que é que a área de arquitectura se torna mais competitiva nessa escala internacional?

    RNS: Nestas tipologias de projecto, é preciso ter uma consciência muito grande do que é que aquele projecto é e o que a arquitectura representa para aquele projecto. São tipologias em que o alinhamento com as outras disciplinas é muito importante, não é propriamente um objecto escultórico muito bonito, mas um desenho que resulta de uma componente técnica muito vincada. É quase uma coisa mecânica. Temos sempre, claro, as preocupações normais como a integração…A nível global, know how é muito importante. O nosso País, em termos regulamentares, legislação, está alinhado com o pensamento europeu e nas geografias em que estamos presentes são países em desenvolvimento onde conseguimos acrescentar valor.

    JMP: Neste processo de internacionalização, conseguimos também estar próximos dos grandes empreiteiros nacionais, das grandes construtoras. Para um empreiteiro, o serviço que nós temos é muito vantajoso, daí que tenhamos muitos processos de concepção construção. Há muitos problemas que são ultrapassados à conta desta nossa forma de pensar. Há cerca de 10 anos, começámos a desenvolver o BIM e o Revit e, actualmente, desenvolvemos todos os projectos em BIM. Temos mesmo um departamento dedicado ao desenvolvimento dessa metodologia. Essa é outra das vantagens que conseguimos oferecer. Já não fazemos nada em CAD.

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    Estamos a falar de uma nova forma de trabalhar que mostra já, de certa forma, um novo paradigma na forma como se projecta?

    JMP: Nós tentámos ser pioneiros e actualmente a nossa posição já não é um plus. Já é a nossa forma de trabalhar. Já não damos a opção ao cliente de o projecto não ser em BIM. Só trabalhamos assim porque as vantagens são tão evidentes para ambas as partes que é a nossa forma de trabalhar e está alinhada com os mercados internacionais mais evoluídos. Em Portugal, saiu uma lei que vai forçar a que nos projectos públicos passe a ser obrigatório. Já não vendemos isso como um extra ou que nos diferencie, mas sim estarmos alinhados com os mercados mais evoluídos e os mercados onde queremos chegar.

    RNS: Em termos de produção, todas as disciplinas estão a trabalhar na mesma ferramenta. Estamos a construir um modelo tridimensionalmente antes de ir para obra e, de facto, isso é vantajoso pois os problemas complicados em obra deixam de existir, evitando custos adicionais, problemas em prazos e uma série de outras questões. Sentimos que por vezes, o mercado não está preparado para acompanhar o desenvolvimento. As construtoras também já deviam ser capazes de receber e olhar para modelos e fazer a preparação da obra e isso ainda não acontece. Umas conseguem, mas outras não. Os próprios donos de obra, e aqueles donos de obra que fazem a operação do edifício depois de construídos também se estão a formatar para lá chegar, mas ainda não estão todos. Em termos de projecto é a nossa realidade, mas o mercado terá de se adaptar rapidamente porque não faz, hoje em dia, sentido que seja de outra forma.

    Quando olhamos para essa perspectiva de o dono de obra não estar preparado…o dono de obra não está preparado porque, a montante, ainda não há uma preparação tão evidente do lado do projectista?

    RNS: Depende da tipologia do dono de obra. Há o dono de obra que constrói para vender e esse claramente não tem interesse ou é muito residual. O interesse, aí, seria do empreiteiro para ter um modelo em que assente a preparação de obra, mas depois temos o dono de obra que constrói para explorar. Esse tem um monte de vantagens associados ao BIM e à manutenção que ele pode tirar partido. Há uns que estão preparados, mas é preciso preparar equipas, formas de estar, uma série de procedimentos, uma série de trabalhos que estão a começar em Portugal.

    O que dificulta que esta seja uma realidade? Os custos associados? A formação?

    JMP: Diria que os custos de formação e o retorno para as pequenas empresas é difícil de alcançar. Os valores das licenças também dificultam a que se alcance essa rentabilidade e a sua implementação. Depois é uma implementação que não se esgota. Temos um departamento BIM que trabalha todos os dias na forma como podemos melhorar a nossa forma de trabalhar. O nosso departamento BIM tem a dimensão média dos ateliers portugueses. É uma barreira difícil de ultrapassar para que se torne mais generalizado.

    Sobre o autorRicardo Batista

    Ricardo Batista

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    Novo projecto em Marvila pode ser adquirido através de criptomoedas

    O projecto Atelier resulta da combinação de elementos industriais e da “delicadeza” do design a partir da “reimaginação” da antiga casa criativa do artista português Tomaz Hipólito num imóvel de oito lofts. A fase de vendas deverá arrancar ainda este ano

    O antigo espaço criativo do artista português Tomaz Hipólito, em Marvila, vai ser transformado em habitação. Promovido pelos franceses LFV des Vosges, o Atelier, que vai ser colocado à venda ainda este ano, vai poder ser adquirido com criptomoedas.

    Segundo a promotora, o projecto, que resulta da remodelação de um antigo estúdio em oito apartamentos, apresenta traços de arquitectura japonesa e uma fachada de dupla camada, de vidro e malha.

    Situado na Rua Afonso Annes Penedo, os apartamentos, em estilo loft com até quatro assoalhadas, contam com uma sala de estar, uma cozinha e um estacionamento subterrâneo privativo com capacidade para doze veículos. O rés do chão e o primeiro andar vão diferenciar-se pela coexistência de duas realidades complementares: uma varanda na fachada principal, com acesso à casa, e um jardim privativo de 100 m2, nas traseiras, que se vai assemelhar a um casulo verde. Adicionalmente, o edifício vai ser totalmente ecológico, com uma certificação energética de B+.

    “Este equilíbrio entre a dureza dos elementos industriais e a delicadeza do design levou à reimaginação da antiga casa criativa do famoso artista português Tomaz Hipólito num elegante refúgio de oito casas com uma configuração que ecoa o seu passado artístico” comenta Stanislas Maistre, CEO do LFV des Vosges.

    Com desenho da SIA Arquitectura, os apartamentos são marcados por um “design cuidado e uma estética simples”, que confere “calor e textura” a cada espaço. Paralelamente, os pavimentos em madeira natural e os tecidos “suaves e orgânicos” transmitem uma sensação de “tranquilidade” e “simplicidade” que funcionam como “uma tela em branco” para os moradores.

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    Portugal pode entrar na metade de países mais ricos da UE em 2033 com reformas pró-crescimento

    Contudo, sem mudança de políticas, podemos, em contrapartida cair para antepenúltimo em nível de vida em 2033 e ter uma perda significativa de população, refere estudo da faculdade de Economia da Universidade do Porto

    O Gabinete de Estudos Económicos, Empresarias e de Políticas públicas (G3E2P) da faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) apresenta o 2º capítulo do 1º número da publicação “Economia e empresas: tendências, perspectivas e propostas”.

    O capítulo mostra os principais resultados de um modelo de dinâmicas relativas de nível de vida e população na União Europeia, com projecções em retrospectiva e em perspectiva para Portugal. Conclui-se que é a criação de condições de crescimento económico que retém e atrai população (e capitais) para gerar riqueza, dado o nível de vida relativo de partida.

    Aponta-se como objectivo ambicioso, mas realizável, que Portugal atinja a 13ª posição em nível de vida na União Europeia (UE) em 2033, entrando assim na metade de países mais prósperos (com a actual configuração de 27 países), o que levará ainda a uma população superior.

    Para tal, o nosso crescimento económico anual terá de superar a média simples dos valores de crescimento dos países da UE – o novo referencial estratégico proposto no estudo – entre 1,4 e 1,7 pontos percentuais (p.p.), consoante os cenários, o que corresponde a valores absolutos entre 3,1% e 3,8%, mas as metas em diferencial são mais robustas. Diferenciais entre 0,4 a 0,6 p.p. acima da média apenas permitem alcançar a metade de países mais ricos da UE em 2043.

    Sem alteração de políticas, Portugal pode cair para a 25º posição em nível de vida em 2033 e registar uma perda bastante significativa de população (superior à prevista no Ageing Report).

    Apostar em reformas estruturais que elevem o potencial de crescimento da economia, incluindo aproveitar melhor os apoios europeus disponíveis (cujo impacto é reduzido e temporário, atendendo às projecções da Comissão Europeia para o nosso crescimento potencial), é crucial para melhorar o nosso nível de vida relativo e preservar a dimensão populacional – bem como a soberania do País, que não existe sem povo –, preparando o fim previsível desses apoios.

    “Há uma necessidade urgente de adoptar reformas estruturais conducentes a um maior crescimento económico. A sua não adopção resultou numa economia pouco mais que estagnada, em empobrecimento (queda de posições em nível de vida na UE) e numa perda relativa de população entre 1999 e 2022, que se tornará em perda absoluta nas próximas décadas devido ao baixo nível de vida a que chegamos”, destaca o director da FEP, Óscar Afonso.

    Quanto às projecções em retrospectiva, se a nossa economia tivesse crescido ao ritmo da média simples dos países da UE desde 1999 (ou seja, 2,4% ao ano, em vez de 0,9%), em 2022 teríamos alcançado a 12ª posição em nível de vida (em vez da 20ª, a 7ª pior), claramente na metade de países mais ricos, e teríamos mais um milhão de pessoas. Crescendo ao ritmo da UE (1,5%), teríamos ficado na 19ª posição, pouco melhor.

    A média simples de crescimento dos países da UE, o novo referencial estratégico base proposto, em que cada país pesa o mesmo, continuará a ser mais ambicioso nas próximas décadas do que crescer ao ritmo da UE e (pior ainda) a Área Euro, os referenciais dos nossos governos, cuja dinâmica é travada pelo forte peso das três maiores economias da UE (Alemanha, França e Itália), há muito estagnadas, como é demonstrado neste segundo capítulo.

    A substituição de referencial de crescimento é uma reforma estrutural, apontando para um novo rumo em termos de nível de vida e dimensão populacional, como proposto. Se o novo referencial tivesse sido seguido desde 1999, bastaria para ficarmos consistentemente na metade dos mais ricos até 2043, ao contrário do referencial UE, que nos colocaria sempre perto do fundo da tabela.

    Dado o baixo desempenho passado (o nosso crescimento económico de 0,9% ao ano em 1999- 2022 foi o 3º pior entre os países da UE), crescer em linha com o novo referencial estratégico base proposto após 2022 apenas trava a perda de posições em nível de vida até 2033, pelo que atingir a metade de países mais ricos exige os diferenciais adicionais acima apontados.

    “Alcançar um nível de vida e uma população mais elevados requer políticas ambiciosas e consonantes em matéria de crescimento económico, o que implica, desde logo, escolher um referencial com uma dinâmica mais ambiciosa para nos compararmos. As metas de crescimento e nível de vida, de fácil escrutínio, elevarão a exigência dos cidadãos”, revela Óscar Afonso.

    O estudo conclui ainda que o recente surto de crescimento económico não é estrutural, mas um resultado de impulsos temporários do turismo e do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

    Por fim, salienta-se que os resultados do modelo inovador apresentado são muito significativos e as projecções incorporam vários cenários, o que lhes confere uma elevada robustez.

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    Obra de Raulino Silva conquista prémios internacionais de arquitectura

    A casa com uma piscina interior e um generoso terraço sobre a copa dos grandes pinheiros, está localizada nas proximidades do Mosteiro de Pedroso, em Vila Nova de Gaia e é uma das mais recentes obras concluídas do premiado atelier de arquitetura de Vila do Conde

    Uma habitação unifamiliar, em Pedroso, está a merecer destaque em reconhecidos prémios internacionais de arquitetura, com cinco distinções nos últimos meses, no Canadá, Estados Unidos da América, França e Suíça.

    A casa com uma piscina interior e um generoso terraço sobre a copa dos grandes pinheiros, está localizada nas proximidades do Mosteiro de Pedroso, em Vila Nova de Gaia e é uma das mais recentes obras concluídas do premiado atelier de arquitetura de Vila do Conde, com fotografias de José Campos.

    No IDA Design Awards 2023 em Los Angeles, a obra foi premiada com o Gold Winner na categoria arquitectura residencial, no Grands Prix du Design 2023 no Quebec, venceu o Gold Winner na categoria edifício residencial/casa privada, no Architecture MasterPrize 2023 de Los Angeles, foi distinguida com uma Menção Honrosa na categoria habitação unifamiliar, no Paris Design Awards 2023 foi Winner na categoria habitacional/casas e no BLT Awards 2023 em Lucerna venceu na categoria de arquitectura residencial.

    O arquitecto Raulino Silva esteve presente nas duas últimas galas de entrega dos prémios realizados em locais emblemáticos da arquitetura mundial, em Paris no Espaço Oscar Niemeyer do arquitecto brasileiro que deu nome à obra e em Lucerna no Centro de Congressos KKL do arquitecto Jean Nouvel, tendo sido uma oportunidade para conhecer alguns dos melhores arquitectos da actualidade e os mais recentes projectos internacionais na área da Arquitetura, Design de Interiores, Design Gráfico e Design de Produto.

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    Kronos Homes lança ZEN

    Chama-se ZEN, é o quarto empreendimento residencial da Kronos Homes na capital, representa um investimento de 65 milhões de euros e irá adicionar ao mercado residencial mais 169 apartamentos, mais de 40% dos quais já está vendido

    A Kronos Homes, marca de promoção imobiliária residencial da Kronos, anuncia o lançamento de um novo projecto em Telheiras, ZEN, o quarto empreendimento residencial da empresa na região de Lisboa, que inicia agora construção, com 70 apartamentos já reservados.

    No âmbito de um investimento de 65 milhões de euros, este edifício exclusivo promete dinamizar e inovar o mercado imobiliário numa das áreas familiares mais cobiçadas de Lisboa, estabelecendo uma nova referência de qualidade e design, garantindo a integração estética e o respeito pelo meio ambiente envolvente.

    “Este é o nosso quarto projecto de primeira habitação em Lisboa e mais um passo na consolidação da nossa marca em Portugal. A preocupação por encontrar espaços que prezam o conforto e o equilíbrio aumentou e o ZEN é o lugar ideal para proporcionar essas experiências. Direccionado sobretudo a jovens famílias, é um edifício que vai procurar respeitar a natureza e transparecer os pontos mais fortes da sua envolvente, sem abdicar do design arquitectura especial da Kronos”, sublinha Rui Meneses Ferreira, CEO da Kronos Homes. “A localização central, a estética vanguardista e o conceito inovador, complementados por um maravilhoso jardim central e a zona social com piscina e ginásio, fazem deste um projecto único para quem procura um ambiente calmo e harmonioso apesar de urbano”, acrescenta.

    Com disposição por blocos paisagísticos, o ZEN vai reinventar a rede urbana tradicional com 3 blocos de 169 apartamentos de design distintivo e acabamentos de excelência, de tipologias T1 a T4, ao longo de 7 pisos. Os preços das casas variam entre 300.000€ e 850.000€. Para além disso, o empreendimento terá ainda um simpático pátio paisagístico, com uma grande piscina que funcionará como o centro da vida comunitária, assim como um ginásio totalmente equipado. A comercialização é co-exclusiva da Porta da Frente Christie’s e da JLL.

    Pertencente à freguesia do Lumiar, Telheiras é o local ideal para quem procura casa num centro urbano, sem renunciar à riqueza natural dos parques e zonas verdes. Num bairro próximo de comércio, escolas e equipamentos culturais, o ZEN terá acessos privilegiados, graças às linhas verde e amarela do Metro, bem como à estação de Campo Grande, a cerca de cinco minutos. Além disso, oferece diversas soluções de actividades para as pessoas com uma vida mais activa, sendo uma zona privilegiada para a prática de desporto ao ar livre, com um campo de golfe e um clube de ténis ao virar da esquina.

    A Kronos Homes conta, também em Lisboa, com três empreendimentos residenciais em desenvolvimento: The One, localizado na Avenida de João XXI, Distrikt, no Parque das Nações e Native, no Belas Clube de Campo.

    O portefólio de activos inclui ainda a gestão e desenvolvimento imobiliário de Vale do Lobo Golf & Beach Resort e a gestão das vendas imobiliárias do Salema Beach Village, Cascade Wellness Resort, Monte Santo Resort, Conrad Algarve, Salgados Palm Village e Salgados Dunas Suites. Este negócio representa um potencial de mais de 1.000 milhões de euros em vendas de propriedades, localizadas maioritariamente na região do Algarve. Um portefólio que coloca a Kronos Real Estate entre os principais gestores de resorts e promotores imobiliários em Portugal.

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    Vicaima aponta novidades e tendências do design para 2024

    Vicaima abre portas às tendências e novas perspectivas que a arquitectura, a construção e o design podem revelar este ano. Do poder transformador da Inteligência Artificial, à sustentabilidade, muitos são os drivers da evolução

    Como um dos maiores players europeus no design e produção de soluções de vanguarda para portas de interior, portas técnicas, aros, roupeiros, painéis e peças para mobiliário, a Vicaima lista algumas das principais apostas que já estão a ser seguidas pelos profissionais da área e cuja relevância deverá aumentar durante este ano.

    Um ponto será comum a qualquer sector: o poder transformador da inteligência artificial (IA). Seja no design e decoração de interiores, seja nos processos e softwares de construção, as tecnologias disruptivas irão desempenhar influência na eficiência das diferentes fases de um projecto, desde a geração de modelos 3D, gestão integrada de projectos ou selecção de elementos decorativos, elevando a criatividade e unicidade dos espaços ao agregar a capacidade analítica das ferramentas digitais com a sensibilidade estética e funcional da vertente humana.

    Sustentabilidade vai continuar a desempenhar um papel essencial

    Este ano, o factor da sustentabilidade será um ponto desdobrado em mais do que a escolha de um produto decorativo, através de elementos que reflictam a valorização da cultura local, da proximidade de comunidades e da consideração perante gerações vindouras.

    No sector da construção, permanecerá relevante em projectos distintos a inclusão de produtos com certificação FSC (Forest Stewardship Council), a entidade que promove a gestão responsável das florestas, enquanto é mantida a atractividade estética e performance exigidas.

    Além disso, ganhará ainda mais relevância a reabilitação de edifícios existentes, acrescidos do valor que a recuperação do património histórico pode trazer. Nos seus interiores, destacar-se-á o isolamento térmico como um dos factores chave para reduzir o consumo energético, simultaneamente garantido conforto para os utilizadores, mantendo-se a constante prioridade da iluminação natural pelos utilizadores ao proporcionar um ambiente acolhedor e convidativo.

    A par, ganhará igualmente pertinência o isolamento acústico, factor preponderante quando o silêncio é a resposta mais audível à exigência actual pela tranquilidade e conforto.

    As portas como elemento fundamental da personalização

    A selecção de estilos, tonalidades e relevos elevada a um arquétipo que promete tornar-se na próxima revolução do design. Hoje, regista-se uma crescente procura por portas com designs e acabamentos personalizados adaptadas a necessidades e estéticas específicas, um factor alavancado pela IA no que toca à análise de dados, estilos de vida e preferências.

    Desde a maleabilidade de formas suaves e orgânicas às colaborações arrojadas entre marcas de indústrias opostas, 2024 surge no horizonte como o ano ideal para utilizadores que anseiam o inesperado, numa era em que a liberdade é total e a mutação diária.

    Neste panorama, a autenticidade das escolhas promete revelar-se na opção de revestimentos para as portas, desenvolvendo superfícies em que o relevo pode ser o factor diferenciador. Entre as vastas opções da Vicaima, esta onda criativa já se reflecte na gama de revestimentos portas Dekordor 3D, que marca a diferença pelo seu look moderno e textura pronunciada. No total, disponibiliza uma paleta requintada de quinze designs tendência, em tons claros e escuros.

    Aliás, é precisamente o efeito do tom e da cor a reinar em projectos altamente personalizados, tal como traduz em toda a sua essência a eleição da Pantone para 2024, o Peach Fuzz, que pode destacar-se como diferenciador em qualquer décor.

    A abordagem ecologicamente consciente na construção dos espaços será uma continuação daquilo que os anos recentes têm mostrado, revelando-se na arquitectura através dos materiais naturais, dos sistemas de reutilização e no compromisso ambiental. Um rumo definido pelas escolhas sustentáveis, abre caminho a uma construção mais bem preparada para adaptações às exigências ambientais e aos fenómenos climatéricos. Na camada anterior à estética, resistência e durabilidade integrarão o núcleo de qualquer projecto multifuncional.

    Além da segurança, poupança energética e isolamento assumem-se, desta forma, como requisitos construtivos decisivos nas habitações e que se reflectem na performance técnica do Portaro de Segurança RC2 da Vicaima, uma solução de elevado desempenho que garante, num só produto, resistência à intrusão, excelente capacidade de isolamento térmico, elevada performance ao nível da resistência ao fogo e isolamento acústico, estando certificada por entidades internacionais acreditadas.

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    Largos dias têm 500 edições

    Em quase 21 anos de edições ininterruptas, muito coube nas páginas do CONSTRUIR. 500 edições do jornal de negócio da fileira da Construção, um marco histórico na imprensa especializada. Repassámos alguns dos temas em destaque na primeira edição e, por coincidência, há matérias que ainda hoje continuam na ordem do dia

    Atingir as 500 edições não é, garantidamente para todos. E não o escrevo por soberba, antes pelo contrário. Sublinho, sim, que atingir número tão redondo, em 21 anos de existência, e considerando que falamos de uma publicação de negócio sectorial, exposta aos altos e baixos da economia numa fileira tão particular, é um marco histórico.
    Recuperando algumas das ideias que constam do primeiro número do CONSTRUIR, lançado em Abril de 2003, não deixa de ser curioso que alguns dos artigos publicados então continuam, mais de 20 anos volvidos, a fazer parte do quotidiano do Sector.

    Arco ‘até hoje’
    O Jornal CONSTRUIR nasce num período em que Durão Barroso liderava o XV Governo Constitucional, um executivo que resultou de um entendimento entre PSD e Partido Popular. Uma semana antes da publicação do nº1 do jornal, então dirigido por Ruben Obadia, António Carmona Rodrigues assumia a pasta das Obras Públicas, Transportes e Habitação, sucendendo a Luís Valente de Oliveira que, alegando motivos de saúde, deixa o Governo, poucos dias antes de se assinalar um ano de mandato. Na primeira página, destaque para a proposta do Governo que pretendia colocar nas mãos da Parque Expo a reabilitação urbanística dos terrenos industriais da Margem Sul do Tejo, criando para o efeito uma empresa conjunta entre o Fundo Margueira, a Quimiparque e a Siderurgia Nacional. À margem dos planos de urbanização que foram feitos entretanto, nomeadamente dos terrenos da Quimiparque, no Barreiro, pouco mais que nada foi feito. Aliás, o ambicioso projecto motivou, em 2023, um novo impulso com a aprovação em Conselho de Ministros do investimento para a requalificação urbana que nasce da vontade de revitalizar e requalificar as zonas ribeirinhas entre os concelhos de Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, que pretende “devolver a este território um ambiente seguro, sustentável e atractivo para quem visita a região e para quem nela habita e cresce”. Além da construção de um passeio Arco Ribeirinho Sul, numa via junto ao rio, pedonal e ciclável, com estrutura verde e uma extensão de 38 quilómetros que ligará, sem interrupções, Almada a Alcochete, do reforço das condições de oferta de transporte fluvial e da expansão da operação do Metro Sul do Tejo a todos os concelhos do Arco Ribeirinho Sul, o projecto prevê ainda a criação de um Plano Geral de Mobilidade, a construção de habitação pública com arrendamento acessível e a criação de um novo Pólo de emprego qualificado que beneficie toda a Área Metropolitana de Lisboa. Os projectos previstos ascendem a 350 milhões de euros.

    A reforma do 73/73
    Pelo primeiro número do CONSTRUIR, num artigo sobre a apresentação do Ano Nacional da Arquitectura, onde o programa procurava reflectir sobre a revolução urbanística por que passou a cidade brasileira de Curitiba e a forma como o modelo podia ser seguido em Portugal, a presidente da Ordem, Helena Roseta, manifestava interesse em promover “o direito à arquitectura”, sensibilizando os cidadãos para a importância da arquitectura na qualidade de vida, decorrente do espaço construído e do ordenamento do território, no quadro dos direitos consagrados na Constituição. Na altura, Roseta sublinhava a importância da revogação do decreto 73/73 e a sua reforma por um quadro normativo que considerasse que os actos próprios da profissão fossem feitos ‘exclusivamente por arquitectos’. O decreto em causa, surgido numa altura em que eram pouco mais de 500 os arquitectos inscritos na Ordem, estabelecia que as autarquias aceitassem projectos assinados por técnicos não qualificados. A lei acabaria por ser revogada com a aprovação da Lei 31/2009.

    Às voltas com a habitação
    Na primeira de 500 edições do CONSTRUIR, o grande destaque foi dado ao então secretário de Estado da Habitação. Em entrevista, Jorge Magalhães Costa assumia o compromisso do Executivo para com a reabilitação de edifícios, procurando inverter os baixos índices de recuperação de edifícios, preteridos em detrimento da construção nova. “Isto levou a um processo de abandono do que estava construído nomeadamente nos centros das nossas cidades, com consequentes fenómenos paralelos de desertificação, abandono, insegurança e vandalismo”, dizia o governante. Dados oficiais apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística registam que número de fogos concluídos no país em 2003 registou um decréscimo de 34% relativamente ao ano anterior. Olhando para o número deo fogos concluídos em obras de construção nova e reabilitação, 2003 terminaria com 93 mil fogos concluídos em construção nova e ‘apenas’ 5964 em operações de reabilitação. Jorge Costa explicava, na altura, que cabia, também, às associações profissionais a missão de alertar os seus associados [leia-se ‘as construtoras’] da importância de diversificar actividade e não concentrar as estratégias apenas na construção nova. “Há lugar para tudo”, explica Jorge Costa em entrevista ao CONSTRUIR, acrescentando que “há lugar para a construção nova com mais qualidade, mas o grande nicho de mercado será o da reabilitação. As empresas de construção vão também dar mostras de que é possível redimensionarem-se para apostar nesta área da reabilitação, seguindo aquilo que se fez noutras cidades europeias, com sucesso”.

    Crise na Construção
    O primeiro número do CONSTRUIR fica igualmente marcado pelo pontapé de saída numa profícua relação com a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, hoje liderada por Manuel Reis Campos mas que, na altura, era presidida por Rui Viana. Em artigo de opinião, o responsável da associação chamava a atenção para uma “crise profunda, tanto no segmento da construção civil como no das obras públicas. Se no que ao primeiro concerne a crise está, de alguma maneira, à vista de todos, por força da estagnação reinante no mercado imobiliário, já no que toca às obras públicas poderá não passar tão facilmente para a generalidade das pessoas”. Para Rui Viana, “no que toca ao imobiliário, a crise tem, naturalmente várias motivações. E se o fim do crédito bonificado é uma das mais óbvias, é igualmente verdade que o clima de incerteza e mesmo de angústia que se apoderou da generalidade dos portugueses travou muitas decisões de aquisição de habitação própria. Ora, se o que está construído não se vende ou se vende pouco, naturalmente não há investimento em novas edificações, logo não há obras para executar”, acrescentava o então presidente da AICCOPN. “Tal não significa, porém, que não haja inúmeras famílias a necessitar de uma nova habitação. E é aqui que entra a necessidade de se criar em Portugal um verdadeiro mercado de arrendamento destruído há mais de 30 anos – primeiro com o congelamento das rendas – e assim mantido, depois, pela falta de coragem política de alterar profundamente a legislação que regula este mercado”. Contudo, Rui Viana destaca a importância da recuperação deste importante sector. No entender do presidente da AICCOPN, “o grande impulso à recuperação do sector e da economia nacional tem de ser dado pela via das obras públicas”. “É vital e urgente”, acrescenta, “uma aposta forte neste domínio, já que sem infraestruturas de qualidade, sem boas estradas, sem uma ferrovia moderna e capaz de receber comboios rápidos, sem melhores portos e aeroportos, Portugal será incapaz de ser competitivo na economia global em que vivemos”. C

    Sobre o autorRicardo Batista

    Ricardo Batista

    Director Editorial
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    AG8, em Domingos de Benfica

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    Savills comercializa Edifício Alfredo Guisado 8

    A Savills apresenta o Alfredo Guisado 8 (AG8), um edifício de escritórios totalmente renovado, situado no animado bairro de São Domingos de Benfica, em Lisboa.

    Submetido a uma extensa remodelação antes da pandemia, o AG8, que era pouco utilizado, oferece agora um espaço de trabalho contemporâneo e confortável para os seus ocupantes. A sua comercialização foi entregue à Savills.

    Com uma área bruta total de 5.265 m2 distribuídos por dois blocos, o AG8 destaca-se pela sua versatilidade comercial. Disponível no 3º trimestre deste ano, este edifício pode ser comercializado como uma unidade única ou dividido em dois blocos independentes, proporcionando a opção de uma ocupação exclusiva por um único inquilino para todo o edifício ou duas ocupações distintas por dois inquilinos.

    “O edifício de escritórios AG8 é um excelente exemplo do nosso compromisso de integrar no portfólio Savills, soluções imobiliárias que satisfaçam as mais diversas necessidades dos clientes. Este activo não só oferece um espaço de trabalho moderno e flexível que responde à actual tendência de flight to quality, como também goza de uma localização estratégica em Lisboa. Acreditamos que o AG8 é uma excelente solução para as empresas que procuram centralidade e identidade, com valores de renda associados que não se encontram no segmento prime”, refere José Baptista, Offices Consultant da Savills Portugal.

    O AG8, com os seus 9 pisos, é o edifício ideal para atender aos requisitos exclusivos de uma única empresa, proporcionando espaços personalizáveis de acordo com as suas necessidades, ao oferecer grandes áreas por piso, incluindo terraço e rooftop. O  activo está equipado com 4 elevadores para garantir uma maior acessibilidade. O AG8 disponibiliza 39 lugares de estacionamento, oferecendo opções de estacionamento convenientes tanto para funcionários como para visitantes.

    Localizado em São Domingos de Benfica, o AG8 ocupa uma posição estratégica e é facilmente acessível a partir de vários pontos da cidade, seja de carro ou transportes públicos. Este bairro lisboeta oferece uma ampla variedade de comodidades e comércio local, incluindo restaurantes, supermercados, ginásios e instituições de ensino.

     

     

     

     

     

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    Sector da Construção termina 2023 em alta

    O sector da Construção registou em 2023 um acréscimo do valor bruto da produção de 3,4%, enquanto a actividade económica nacional terá registado, segundo o INE, um crescimento de de 2,3%. Para este crescimento terá sido decisivo o aumento de 65,3% do volume total de concursos de empreitadas de obras públicas promovidos

    Segundo a análise da Conjuntura, publicada pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, AICCOPN, o segmento das obras públicas, no ano de 2023 registou-se um crescimento significativo, quer no que concerne aos concursos de empreitadas de obras públicas abertos, quer relativamente aos contratos de empreitadas de obras públicas, objecto de celebração e registo no Portal Base. Efectivamente, em 2023, o volume total de concursos de empreitadas de obras públicas promovidos registou um aumento de 65,3%, para 6.048 milhões de euros. Relativamente ao volume total dos contratos de empreitadas de obras públicas celebrados e objecto de reporte no Portal Base, o mesmo situou-se em 3.699 milhões de euros, o que representa uma subida de 48,2%, em termos de variação homóloga temporalmente comparável.

    No que concerne ao licenciamento municipal de obras, nos primeiros onze meses de 2023, verificou-se uma redução de 8,8% nas licenças para edifícios novos e de 6,3% nas licenças para reabilitação e demolição, em termos homólogos. No entanto, apesar desta evolução negativa no número de edifícios licenciados, apuraram-se crescimentos de 5,8% no número de alojamentos licenciados em construções novas, que totalizaram 29.821, e de 5,7% na área licenciada para edifícios não residenciais, neste período.

    Ao nível da avaliação bancária na habitação, ao longo de 2023, manteve-se uma trajetória valorização, que culminou com um crescimento de 5,3%, no mês de dezembro, face a igual mês do ano anterior, em resultado de variações de 4,3% nos apartamentos e de 5,4% nas moradias.

    Relativamente, ao consumo de cimento no mercado nacional, no ano de 2023, totalizou 3.904 milhares de toneladas, o que corresponde a um aumento de 1,8%, face ao ano anterior, e ao melhor registo desde 2011, ano em que o consumo de cimento ascendeu a 4.552 milhares de toneladas.

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    Edição 500 do Jornal CONSTRUIR

    Mais que um atestado de longevidade, atingir as 500 edições de uma publicação de informação Sectorial é uma prova de coerência e perseverança. E de muito orgulho. Neste número especial, reafirmamos o compromisso de continuar a levar até si, caro assinante, a melhor informação. E a garantia de que por aqui continuaremos, enquanto achar relevante o nosso papel

    Edição 500
    Mais que um atestado de longevidade, atingir as 500 edições de uma publicação de informação Sectorial é uma prova de coerência e perseverança. E de muito orgulho. Neste número especial, reafirmamos o compromisso de continuar a levar até si, caro assinante, a melhor informação. E a garantia de que por aqui continuaremos, enquanto achar relevante o nosso papel

    Dois grupos na corrida ao ‘novo’ CCB
    Há dois grupos nacionais na corrida à construção e exploração dos dois módulos finais do Centro Cultural de Belém. A intenção é ter as duas unidades em funcionamento em 2027

    BEI ganha peso no financiamento da alta-velocidade
    Um mês depois do lançamento da primeira PPP para o projecto de Alta Velocidade as empresas, nacionais e estrangeiras. Uma maior intervenção do Banco Europeu de Investimento pode fazer a diferença

    Krest prepara lançamento de novos projectos
    Claude Kandiyoti, fundador e CSO da Krest explica que cerca de 70% dos activos imobiliários da promotora concentram-se em Portugal. A intenção é a de fazer crescer à razão de dois a três projectos por ano

    Dossier: Climatização
    A necessidade de responder aos desafios da eficiência energética tem levado a indústria do sector de AVAC a ir ao seu limite em termos de inovação e desenvolvimento de produtos

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    Grupo Klépierre integra ‘A List’ da ONG ambiental CDP

    Jean-Marc Jestin, presidente do Conselho de Administração da Klépierre salienta que esta classificação “é um reconhecimento” do trabalho que temos feito, que tem como objectivo, “construir a plataforma de comércio mais sustentável até 2030”

    A especialista no desenvolvimento de centros comerciais, Klépierre, foi novamente reconhecida pela “liderança em transparência” e pelos “resultados ao nível das alterações climáticas” pelo Carbon Disclosure Project (CDP).

    A ONG ambiental incluiu o Grupo Klépierre pelo terceiro ano consecutivo na sua “A List”, que reúne as empresas com as práticas mais avançadas do mundo neste domínio.

    Desde 2018, a Klépierre reduziu o consumo de energia dos seus centros comerciais em mais de 40% e as emissões directas e indirectas de gases com efeito de estufa em 80%, em linha com os compromissos ambientais estabelecidos.

    Em Fevereiro de 2023, o Grupo deu um mais passo no compromisso com o lançamento do Act4Good, um programa que tem o objectivo de construir uma plataforma comercial mais sustentável com base em acções concretas contra as alterações climáticas, o desenvolvimento da actividade ao serviço das comunidades e territórios onde se situam os seus centros comerciais, a promoção da formação e do desenvolvimento de competências de colaboradores, parceiros e clientes e a promoção de estilos de vida sustentáveis.

    Jean-Marc Jestin, presidente do Conselho de Administração da Klépierre salienta que esta classificação “é um reconhecimento do trabalho que temos feito para reduzir a pegada de carbono gerada pela nossa actividade”, cujo objectivo, apresentado no programa de Responsabilidade Social Corporativa, Act4Good, visa “construir a plataforma de comércio mais sustentável até 2030”.

    A Klépierre Iberia também obteve a certificação ISO 50001 pelo seu compromisso com a eficiência energética, que reconhece os esforços da empresa para optimizar o consumo de energia e reduzir o impacto ambiental.

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