Edição digital
Assine já
Construção

Estudo: Procura por profissionais no sector da construção e engenharia acelera em Portugal

Apesar do dinamismo no recrutamento que se faz sentir, factores como a guerra na Ucrânia, o elevado aumento dos preços dos materiais e a crescente falta de mão de obra qualificada, poderão ter impacto significativo no sector

CONSTRUIR
Construção

Estudo: Procura por profissionais no sector da construção e engenharia acelera em Portugal

Apesar do dinamismo no recrutamento que se faz sentir, factores como a guerra na Ucrânia, o elevado aumento dos preços dos materiais e a crescente falta de mão de obra qualificada, poderão ter impacto significativo no sector

CONSTRUIR
Sobre o autor
CONSTRUIR
Artigos relacionados
Painéis Steni dão nova vida ao edifício Solmar nos Açores
Empresas
Portugal marca presença em feira mundial de equipamentos para a construção
Empresas
Explorer e Pedro Seabra adquirem gestora de fundos imobiliáros Refundos
Imobiliário
Dstgroup e Ordem lançam prémio Manuel Graça Dias
Arquitectura
ACL apresenta Slimcrete o revestimento de betão flexível e leve
Empresas
Alojamento local em Lisboa e Porto recupera 2.500 apartamentos no último ano
Imobiliário
Panasonic acelera investimento na produção de bombas de calor na fábrica checa
Empresas
Fortera e Horizonte Urbano Group reforçam activos na Área Metropolitana do Porto
Imobiliário
Cushman & Wakefield vende terreno industrial em Loures
Imobiliário
Pontes Inteligentes são o novo desafio da BERD
Engenharia

O recrutamento das empresas no sector da construção e engenharia está em alta, mas enfrenta cada vez mais o problema da escassez de pessoas. De acordo com o mais recente estudo da Michael Page, a falta de talento no sector da construção, que se tem vindo a verificar nos últimos anos, tem tendência a aumentar e a generalizar-se a todas as áreas de engenharia directamente ligadas ao sector da construção, nomeadamente, engenharia civil, engenharia mecânica e engenharia eletroctécnica.

Esta é uma das conclusões da análise “Como Atrair Talento no Setor de Engineering & Manufacturing“ elaborado pela Michael Page, referente a 2022, onde são abordadas as competências mais valorizadas, as soft skills relevantes e as estratégias mais adequadas para atrair talento num mercado com poucos profissionais especializados disponíveis.

Segundo a análise, o sector que tem sido profundamente afectado pela falta de mão de obra essencialmente técnica em funções mais operacionais, depara-se actualmente com a escassez de talento que se torna cada vez mais transversal às várias áreas.

A procura por profissionais qualificados para a área da construção tem-se sentido, sobretudo, nas zonas urbanas de Lisboa e Porto. As profissões mais procuradas, no segmento onde a Michael Page actua, são os directores de obra, encarregados gerais, preparadores e engenheiros orçamentistas para a construção. A intenção de contratação faz-se sentir também no sector imobiliário, sendo o perfil mais procurado o de project manager.

Apesar do dinamismo no recrutamento que se faz sentir, factores como a guerra na Ucrânia, o elevado aumento dos preços dos materiais e a crescente falta de mão de obra qualificada, poderão ter impacto significativo no sector.

De forma idêntica, a área de engenharia civil, em grande escala absorvida pelo sector de Property&Construction, tem-se mostrado resiliente, registando e mantendo níveis de actividade de recrutamento muito activos.

A procura de engenheiros com diferentes backgrounds académicos, como mecânica, química, gestão industrial, eletrotécnica, tem-se verificado sobretudo na indústria. Os perfis de Eletrotecnia e áreas afectas à Energia são cada vez mais valorizados e procurados, dada a sua relevância, nomeadamente na conversão e transição energética, e no papel das energias renováveis em termos de investimento e recuperação económica para Portugal.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Artigos relacionados
Painéis Steni dão nova vida ao edifício Solmar nos Açores
Empresas
Portugal marca presença em feira mundial de equipamentos para a construção
Empresas
Explorer e Pedro Seabra adquirem gestora de fundos imobiliáros Refundos
Imobiliário
Dstgroup e Ordem lançam prémio Manuel Graça Dias
Arquitectura
ACL apresenta Slimcrete o revestimento de betão flexível e leve
Empresas
Alojamento local em Lisboa e Porto recupera 2.500 apartamentos no último ano
Imobiliário
Panasonic acelera investimento na produção de bombas de calor na fábrica checa
Empresas
Fortera e Horizonte Urbano Group reforçam activos na Área Metropolitana do Porto
Imobiliário
Cushman & Wakefield vende terreno industrial em Loures
Imobiliário
Pontes Inteligentes são o novo desafio da BERD
Engenharia

GRUPO PUMA e a SUSTENTABILIDADE

Soluções inovadoras que melhoraram o impacto ambiental

Brand SHARE

A inovação sustentável há muito se tornou o vetor transversal da ação do Grupo Puma. A busca contínua por soluções inovadoras que permitam gerir e melhorar o impacto ambiental e social, e influenciar diretamente na melhoria dos espaços habitados e no bem estar das pessoas.

Nesse caminho, o Grupo Puma associou-se no final de 2021 ao Pacto Mundial Red Espanhola e durante o ano de 2022 publicou o seu Primeiro Relatório Sustentável. Este marco representa um importante foco estratégico, pois nos desafia anualmente a estabelecer metas mensuráveis ​​para melhorar em todas as áreas da empresa. Trata-se de mostrar de forma pública e transparente a importância que o meio ambiente e a sustentabilidade têm para o Grupo Puma desde há muito tempo. Ser pioneiro no setor na ISO 9001, no desenvolvimento de DAPS para os produtos e em políticas de consumo de energia 100% renovável é reflexo do que falamos. Fomos os primeiros do setor a apresentar as DAPS de todos os produtos que fazem parte do nosso portfólio em 2016. As DAPS são declarações ambientais feitas voluntariamente, onde é apresentado o perfil ambiental do produto. É um documento que descreve o produto, o seu ciclo de vida e dados quantitativos e verificados de diferentes parâmetros ambientais estabelecidos.

O compromisso com o Pacto Mundial é trabalhar os ODS e as metas que mais impactam o dia a dia da empresa. Medir e planificar melhorias ano após ano, como o projeto de redução da pegada de carbono da empresa, é a resposta que o Grupo Puma oferece a um setor imerso em importantes desafios e mudanças. Os resultados mais significativos podem ser lidos no Relatório de Sustentabilidade 2021 encontrado em www.grupopuma.com.

Outra área de pesquisa que afeta diretamente a melhoria ambiental do planeta é o desenvolvimento de produtos comprometidos com a economia circular.

Avanços em sistemas como o ETICS, focados na poupança de energia, que vão mais longe tanto em isolamentos mais sustentáveis ​​e circulares, como a cortiça ou a lã de rocha. E nos acabamentos, trabalhando produtos com rendimentos e desempenhos melhorados.

Sistemas para pavimentos que permitem não demolir e ainda reabilitar pavimentos antigos.

A linha Pegoland Profissional de assentamento e rejuntamento cerâmico com tecnologia Tecno-Adapt focada em facilitar o assentamento para profissionais e com melhorias como 0 emissão de pó para não contaminar o ambiente.

Produtos de reparação e impermeabilização que prolongam a vida útil dos edifícios, reparando e protegendo estruturas e armaduras.

Um desafio baseado na promoção da construção saudável para as pessoas e para o planeta.

 

Para mais informações sobre qualquer um dos nossos sistemas ou produtos, o GRUPO PUMA
dispõe da Oficina Técnica:
Email: [email protected]
Web: www.grupopuma.com

Sobre o autorBrand SHARE

Brand SHARE

Mais artigos
Construção

Coimbra candidata-se a 500M€ do próximo quadro comunitário

Se no caso da nova maternidade de Coimbra tudo está a correr tal como previsto no cronograma, já na área da justiça o presidente da Câmara aponta críticas à ausência de respostas do Governo para alguns investimentos fundamentais na cidade. “Fomos informados de que não há financiamento para o novo Palácio da Justiça

CONSTRUIR

A Câmara Municipal (CM) de Coimbra tem intenções de investimento de cerca de 500 milhões de euros para o próximo quadro comunitário, afirmou o presidente da Câmara de Coimbra, que assumiu funções há um ano.

Na página do município na Internet, que cita uma entrevista de José Manuel Silva à Lusa, o autarca sublinha que “há uma diferença significativa relativamente ao passado. Ao PT2020, a Câmara de Coimbra apresentou projetos no valor de 100 milhões de euros. Ao PT2030, a Câmara de Coimbra apresentou projetos no valor de 500 milhões de euros”, disse à agência Lusa José Manuel Silva, que tomou posse como presidente da CM de Coimbra há um ano. Segundo o presidente da Câmara de Coimbra, a autarquia tem “muitos projetos diferenciadores para a cidade”, sendo agora necessário “começarem as negociações” com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

“Algo que também é consensual na CIM [Comunidade Intermunicipal] é de que o desenvolvimento de Coimbra é fundamental para o desenvolvimento da região. É importante que Coimbra se assuma como motor de desenvolvimento de toda a região e, nesse sentido, os projetos são fundamentais para alavancar o desenvolvimento de toda a região”, realçou. Entre os projetos previstos, está um “plano Marshall” para a Baixa da cidade de aquisição e requalificação de prédios naquela zona da cidade, o Centro de Arte Contemporânea de Coimbra e a transformação do antigo Pediátrico num espaço com valência de residências artísticas, mas que também acolha associações do concelho.

Nesse último caso, José Manuel Silva salientou que há abertura “total” do Governo para a transferência da dominialidade daquele antigo hospital para a Câmara de Coimbra. Questionado sobre a criação de um pavilhão para eventos de maiores dimensões, o autarca assumiu que Coimbra tem essa necessidade, mas a ideia inicial de o localizar “no espaço intramuros do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova” poderá não avançar face aos condicionamentos de utilização de parte daquele monumento para um projeto hoteleiro. Outra possibilidade, notou, será na construção da nova estação intermodal de Coimbra, já que o projeto inicial do arquiteto catalão Joan Busquets que o atual executivo recuperou previa “uma nave de eventos naquela zona”.

Em entrevista à agência Lusa, José Manuel Silva disse que a relação com o Governo tem sido “excelente”, apesar de não receber acolhimento de tudo o que é pedido pela autarquia.

Se no caso da nova maternidade de Coimbra tudo está a correr tal como previsto no cronograma, já na área da justiça o presidente da Câmara aponta críticas à ausência de respostas do Governo para alguns investimentos fundamentais na cidade. “Fomos informados de que não há financiamento para o novo Palácio da Justiça e não aceitaremos que Coimbra esteja à espera deste projeto há 50 anos e que o Governo considere na área da justiça qualquer outra obra prioritária que não o Palácio”, protestou. Relativamente à Prisão de Coimbra, o autarca também não aceita que a sua deslocalização seja “relegada para segundo plano”.

Questionado sobre o acordo de utilização do Estádio Cidade de Coimbra com a Associação Académica – Organismo Autónomo de Futebol, o presidente da Câmara referiu que, na revisão do acordo, que termina em 2024, estará “em debate o modelo de exploração” daquele espaço, nomeadamente um maior uso da infraestrutura para grandes eventos culturais e musicais. “Isso implica, desde logo, encontrar uma solução alternativa para a pista de ‘tartan’ e estamos a trabalhar nisso, num processo de triangulação com a Universidade de Coimbra e uma possível valorização do Estádio Universitário”, referiu.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Construção

VGP Park Loures estará pronto no 1º semestre de 2023

O VGP Park Loures é o primeiro projecto dedicado à logística de last mile, depois da entrada do grupo belga em Portugal, em 2019. Este é já o segundo investimento do grupo em Portugal e o primeiro localizado na Área Metropolitana de Lisboa

CONSTRUIR

Foi lançada a primeira pedra do VGP Park Loures, o primeiro projecto dedicado â logística last mile que tem como promotor o grupo Belga VGP. O parque logístico está situado em Santo António dos Cavaleiros, junto ao nó das autoestradas A40/A9, muito perto daquele que será o novo entreposto logístico do Lidl em Loures, e a 15 minutos de distância do centro da cidade de Lisboa.

Num terreno com cerca de 53 mil metros quadrados e 20 mil metros quadrados de área bruta locável, totalmente dedicado à logística de última milha, o novo VGP Park Loures estará pronto no primeiro semestre de 2023, estando já cem por cento arrendado às empresas DPD e DHL, dois grandes players no panorama da logística mundial.

No dia em que foi lançada a primeira pedra, que assinalou o início da construção do VGP Park Loures, o presidente da Câmara Municipal de Loures, salientou que “este é o exemplo que queremos fazer”. “O que hoje aconteceu foi o resultado daquilo que é a função de uma Câmara Municipal. Alguém que escolheu Loures por aquilo que é, pela centralidade, pelas vias de comunicação e acessibilidades que tem. Somos um concelho que está no centro de tudo”.
Ricardo Leão agradeceu à VGP por ter escolhido Loures para fazer este investimento. “Este é um Município amigo do investimento privado. Encaro os parceiros privados como determinantes para o sucesso daquilo que é o objectivo de cada um dos concelhos, em particular, o de Loures. E é importante que o empresário sinta que valeu a pena escolher este território para investir”.

Segundo José Ferreira, country manager da VGP para Portugal, “este é o segundo projecto do grupo em Portugal, o primeiro na Área Metropolitana de Lisboa, neste caso, no concelho de Loures, e o primeiro cem por cento dedicado à logística de última milha”. “É um projecto desenvolvido essencialmente para duas grandes marcas mundiais, a DPD e a DHL, e que visa responder às preocupações ambientais de todos os intervenientes. Terá certificado Breem Excelente e será composto por materiais o mais sustentáveis possíveis, reduzindo a nossa pegada ecológica”, frisou.

Totalmente arrendado à DPD e à DHL, dois dos principais operadores logísticos mundiais, o VGP Park Loures pretende ser um exemplo da logística de last mile do futuro, de sustentabilidade e do uso de energias renováveis, estando dotado por um conjunto de infraestruturas rodoviárias e públicas para o funcionamento da logística de proximidade.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Construção

Grupo Sacyr na fase final de concurso para hospital no Canadá

O Grupo Sacyr, do qual faz parte a empresa portuguesa Sacyr Somague, em consórcio com dois grupos locais, é finalista num concurso público em Ontário, no Canadá para a construção de um hospital no valor de 1000 milhões de dólares canadianos, aproximadamente 742 M€ à taxa de câmbio actual

CONSTRUIR

O vencedor do concurso será responsável pela concepção, construção, financiamento e manutenção da infraestrutura hospitalar de South Niagara, que será edificado próximo das famosas Cataratas do Niágara.
Este projecto faz parte do mais recente plano estratégico do Grupo multinacional, que consiste na expansão internacional, com um foco importante nos mercados anglo-saxónicos, nomeadamente o canadiano, onde no ano passado conquistou os seus dois primeiros contratos, com um valor de 50,5 milhões de euros, para expansão de um corredor ferroviário.

Posteriormente, o Grupo Sacyr conquistou também naquele país um projecto de 63 milhões de euros para o financiamento, concepção e construção de uma infraestrutura social para crianças com necessidades especiais, o Grandview Children’s Centre, também em regime de concessão.

O Grupo Sacyr tem no seu portfólio a construção ou renovação de mais de 60 hospitais, representando mais de 14.000 camas, em sete países. Através da subsidiária Sacyr Somague Concessões, destaca-se em Portugal por participar na gestão de três hospitais, que representam mais de 1.200 camas disponibilizadas e servem uma população de quase 2 milhões de utentes: Hospital de Vila Franca de Xira, Hospital de Braga e Hospital da Ilha Terceira.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Construção

Novo Eurostars em Lisboa abre ao público em Dezembro

Com “alma portuguesa e vocação universal”, o hotel boutique inspira-se no conceito do famoso Elétrico de Lisboa. O design interior é rico em azulejos, veludos, mosaicos e tem até uma recriação da calçada portuguesa. O investimento rondou os 19 M€

CONSTRUIR

O Eurostars Baixa Lisboa 4*, na Rua da Prata, muito perto do elevador de Santa Justa e da Praça do Comércio, encontra-se num edifício clássico que ainda conserva a sua fachada original de estilo Pombalino. Esta é já a nona unidade hoteleira da Eurostars Hotel Company em Lisboa, a cadeia de hotéis do Grupo Hotusa e a 24ª em Portugal, cujo investimento rondou os 19 milhões de euros.

Em fase final de obra, o novo Eurostars Lisboa Baixa 4* tem previsto entrar em funcionamento ainda este ano, durante o mês de Dezembro.

Com “alma portuguesa e vocação universal”, o hotel boutique, inspira-se na cidade que o acolhe. O design interior é rico em azulejos, veludos, mosaicos e tem até uma recriação da calçada portuguesa, bem como fotografias que imortalizam a sua beleza nostálgica. O projecto de arquitectura tem assinatura do atelier espanhol TYPSA e o design de interiores da PF1 Interiorismo Contract.

Anteriormente conhecida como Rua Bella da Rainha, este enclave começou a albergar, no século XVIII, as oficinas dos ferreiros de prata e as lojas dos livreiros locais. Além disso, sob as suas típicas calçadas estão escondidas galerias romanas que foram descobertas após o terramoto de 1755.

A decoração do hotel, concebida em torno do conceito do famoso Elétrico de Lisboa, recorre a toda a história que o rodeia, permitindo aos hóspedes descobrir a capital portuguesa através dele.

O Eurostars Lisboa Baixa dispõe de 57 quartos (54 duplos, duas suites e um quarto adaptado para hóspedes com mobilidade reduzida) que combinam “tradição e modernidade”. Todos os quartos, onde predomina a utilização de madeira e mármore, têm janelas e murais inspirados nos azulejos tradicionais locais.

A unidade hoteleira inclui, ainda, um ginásio, restaurante e bar-cafetaria, estão equipadas com as últimas inovações tecnológicas.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Construção

“É relevante para o Sector exigir uma adequada definição dos investimentos estruturantes e a respectiva calendarização”

Reis Campos lembra que este é o momento para um consenso político alargado em torno dos investimentos estruturantes para o País

Ricardo Batista

O presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário defende que este é o momento certo para promover consensos políticos alargados em torno dos projectos estruturantes para o País. Mas o Sector tem outros desafios pela frente, como explica Reis Campos em entrevista ao CONSTRUIR.

Mostrou-se recentemente ‘preocupado’ com a execução do PRR, nomeadamente pela calendarização das obras e pela falta de trabalhadores. Que medidas defende para responder a estas preocupações?
As empresas do Sector identificam, inequivocamente, enquanto principais constrangimentos operacionais, a anómala subida dos preços das matérias-primas, da energia e dos materiais de construção e a falta de mão-de-obra qualificada e, por isso, defendemos medidas orientadas para estas dificuldades. Uma primeira resposta por parte do Governo, foi a criação do novo Regime Excepcional de Revisão de Preços, publicado no passado dia 20 de Maio e que foi agora prorrogado até 30 de Junho de 2023, tratando-se de um importante mecanismo que tem de ser plenamente utilizado, mas há outras questões como, por exemplo, a necessidade de conferir maior celeridade às adjudicações já que é essencial assegurar a continuidade dos investimentos em curso e a execução daqueles que estão planeados. No que diz respeito à falta de mão de obra consideramos que é essencial reorientar a formação profissional, tirando partido dos centros formação de excelência do Sector, o CICCOPN e o CENFIC e, em simultâneo, promover uma maior mobilidade transnacional dos trabalhadores, questão a que o Governo tem procurado responder, tendo recentemente implementado alterações ao nível da legislação relativa à mobilidade e liberdade de circulação no espaço da CPLP. Estes são exemplos de medidas importantes, mas consideramos que é igualmente prioritário planear, calendarizar e contratualizar o investimento público que está previsto, quer no PRR, quer no PT2020 que encerra no final de 2023, já que esta definição é essencial neste contexto macroeconómico marcado pela incerteza e pelas pressões inflacionistas e, como temos afirmado, factores externos à dinâmica da produção do sector e não podem pôr em causa os investimentos planeados, sobretudo quando estamos perante um exigente calendário de execução.

Não há nenhum indicador, até ao momento, que aponte para uma recalendarização do PRR. Como avalia o risco de incumprimento dos compromissos assumidos e, por conseguinte, de perda de verbas destinadas ao Programa?
A perda de verbas é um cenário impensável, que não pode suceder e, como temos afirmado, há todas as condições para que os projectos sejam implementados como planeado e temos de trabalhar com a calendarização que foi apresentada à Comissão Europeia. É evidente que há riscos e isso exige uma acção firme, por parte do Governo, na implementação das medidas que temos vindo a identificar e um acompanhamento permanente da evolução desta conjuntura macroeconómica que está a ser profundamente marcada por elevados níveis de instabilidade. O Sector está, como sempre esteve no passado, preparado para responder aos desafios do País, pelo que reitero a importância de assegurar, como referi, o planeamento, a calendarização e a contratualização dos investimentos.

A alta-velocidade volta a estar na ordem do dia, depois da apresentação das linhas fortes do programa que vai executar as ligações entre Lisboa e Porto e ainda entre Porto e Vigo. Que avaliação lhe merece aquilo que foi apresentado?
Sempre entendi que o que é relevante para o Sector não é tomar posição sobre um qualquer projecto ou opção de natureza técnica ou política, mas sim exigir uma adequada definição dos investimentos estruturantes e a respectiva calendarização. Cabe ao Sector executar as obras que o País identifica como necessárias, pelo que a avaliação que faço é positiva, porque o Governo assumiu um conjunto importante de investimentos a realizar até 2030 e é muito importante para as empresas portuguesas saberem com o que podem contar. Esta ligação ferroviária de alta-velocidade representa, de acordo com o Governo, um montante total de 4,9 mil milhões de euros, mas recordo os demais projectos que integram o PNI – Programa Nacional de Investimentos 2030, o qual inclui os principais projectos em infra-estruturas e equipamentos a realizar entre 2021 e 2030, num total de 43 mil milhões de euros. Este é um momento em que, tal como sucede noutros países europeus, é indispensável a existência de um acordo de regime que assegure a estabilidade à execução destes investimentos estruturantes e o País não pode continuar a adiar o seu futuro pelo que este é o momento certo para que sejam assumidos os compromissos políticos firmes que são necessários e materializar os consensos suprapartidários que são indispensáveis a este nível.

Segundo a apresentação pública deste programa e olhando para a realidade ao ‘dia de hoje’, as empresas portuguesas estão capacitadas para ter uma parte activa relevante na alta-velocidade?
Claro que sim. A questão da capacidade técnica e da qualidade das empresas portuguesas não está em questão e temos provas dadas, quer no plano interno, quer nos mercados externos. O que é preciso é que as obras e os respetivos concursos sejam devidamente planeados e as empresas nacionais tenham oportunidade para se posicionarem de forma competitiva.
Olhando para o agravamento dos custos energéticos e mesmo da inflação, qual a expectativa para a evolução dos principais indicadores da Construção neste último trimestre?
Continua a ser uma expectativa positiva. Veja-se que, mesmo com as sucessivas revisões em baixa dos cenários macroeconómicos, continua-se a apontar para um crescimento do investimento e, recordo, o sector é responsável por 51,9% do investimento total da economia. A generalidade dos indicadores económicos mais recentes, continua a registar uma evolução positiva. O consumo de cimento no mercado nacional nos primeiros oito meses do ano apresenta uma variação homóloga de 2,1%, a área licenciada para habitação e para edifícios não residenciais aumentou, até Julho, respectivamente, 1% e 2,5% em termos homólogos e o número de fogos novos licenciados cresceu 3,2% no mesmo período. Os sinais que têm surpreendido pela negativa estão sobretudo associados aos volumes de contratos promovidos e celebrados e de empreitadas de obras públicas, que continuam em queda, trajectória que se espera que seja invertida, até porque temos de contratualizar o investimento público que está previsto.

Segundo os mais recentes barómetros, afectos à Reabilitação e Obras Públicas, o nível de actividade está em quebra (-4,6% na reabilitação), do mesmo modo que caíram os Concursos promovidos (-18%) e adjudicações (-47%). Que leitura faz destes números?
Não são números positivos, mas sabemos que o Orçamento do Estado para 2022 só entrou em vigor no final de Julho pelo que esperamos uma atitude diferente por parte das entidades públicas ao longo dos próximos meses, por forma a que sejam cumpridos os objectivos e as metas orçamentais que foram estabelecidos.

Que importância tem a extensão do regime de revisão de preços de contractos públicos até meados de 2023 e, já agora, que balanço faz da adopção desta medida, que remonta a Maio deste ano? Teve o efeito esperado? Carece de medidas complementares para potenciar o seu efeito? Quais?
É um mecanismo importante para as empresas e para os donos de obra pública porque permite fazer reflectir nos contratos as subidas anómalas dos preços das matérias-primas, da energia e dos materiais de construção que se tem verificado. Os parâmetros previstos são razoáveis atendendo à realidade actual, uma vez que basta verificar-se uma variação homóloga de 20% num qualquer tipo de material, de mão-de-obra ou equipamento de apoio que represente pelo menos 3% do total da empreitada para se poder aplicar este regime. Sobretudo, o que é necessário para potenciar este mecanismo é que os donos de obra pública sejam capazes de dar uma resposta adequada e célere às empresas e apliquem este instrumento na sua plenitude.

No contexto em que estamos e em que se desenvolve actualmente a actividade do Sector, que importância pode ter a chamada Construção 4.0?
A Construção 4.0. ou mais precisamente, a Construção e Reabilitação 4.0 representa o futuro do Sector e constitui um percurso essencial, que têm vindo a ser desenvolvido pelo tecido empresarial, mas que tem de ser intensificado e alargado à generalidade do tecido empresarial, em particular às micro e PME’s. Domínios como os novos materiais e processos construtivos, a construção industrializada, a reengenharia de procedimentos e a utilização de ferramentas digitais como o BIM – Building Information Modeling, são essenciais para promover maiores níveis de produtividade e de eficiência no uso de recursos, bem como soluções mais sustentáveis e competitivas e, consequentemente, são determinantes neste contexto de escalada de preços da energia e de todo o tipo de materiais utilizados no Setor. Por esse motivo temos defendido a criação de apoios à transição digital e tecnológica das empresas, já que estamos perante uma oportunidade única para desenvolver a formação em áreas de futuro, capazes de atrair os mais jovens e, também, de potenciar a inclusão de todos os trabalhadores, pelo que é imprescindível desenvolver uma agenda de mobilização e capacitação de todo o Sector.

Sobre o autorRicardo Batista

Ricardo Batista

Director Editorial
Mais artigos
Construção

Vector Mais constrói interiores da nova sede da Cofidis

Os materiais de origem portuguesa como a madeira, o burel e a cortiça, assim como a utilização das cores que caracterizam a marca Cofidis, também desempenharam um papel essencial no projecto

CONSTRUIR

Com um investimento de 46,5 milhões de euros, as Natura Towers, localizadas em Telheiras, em Lisboa, marcam uma nova fase da empresa em Portugal e reflectem três eixos estratégicos: sustentabilidade, transformação e abertura ao exterior. As duas torres que compõem este empreendimento foram adquiridas, no âmbito do processo de liquidação da MSF Ativos Imobiliários, em maio de 2020.

No total, são 10.400 metros quadrados (m2) de superfície divididos por duas torres de escritórios que passam a acolher os cerca de 750 colaboradores da Cofidis, que até recentemente estavam distribuídos por dois edifícios. O projecto de interiores, da Cushman & Wakefield, o fit-out esteve a cargo da Vector Mais.

A inauguração coincide com um momento de transformação organizacional, com a empresa a promover o mindset colectivo, bem como a comunicação e trabalho de equipas multidisciplinares. O futuro passa por continuar a apostar no desenvolvimento da tecnologia e dados e na diversificação do modelo de negócio de forma a proporcionar experiências diferenciadoras a clientes e parceiros.

Além dos espaços de trabalho amplos e luminosos, a nova sede apresenta salas de colaboração inspiradas em ‘super-heróis’, escolhidos pelos próprios colaboradores, transformando o escritório num ambiente lúdico, inspirador e saudável.

Para isso, contribuem espaços como a sala de trabalho com longas mesas com plantas liofilizadas, o work café e restaurante, também abertos à comunidade, salão de jogos, área wellbeing (ginásios, espaços médicos e de aleitação). Existem ainda outros ambientes dinâmicos, como os lounges, phone booths, salas de reunião, formação e auditório, também acessível à comunidade.

Os materiais de origem portuguesa como a madeira, o burel e a cortiça, assim como a utilização das cores que caracterizam a marca Cofidis, também desempenharam um papel essencial no projecto, tornando a sede da Cofidis num ambiente de trabalho único e inovador.

É um espaço coerente com a evolução que assistimos, nas formas de trabalhar, de cooperar e comunicar, bem como facilitador da vida pessoal dos nossos colaboradores. Um espaço de inovação, assente numa cultura de sustentabilidade, confiança e feedback, tendo a particularidade de ser aberto a experiências com a comunidade. Um lugar, onde os colaboradores co-criam um futuro sustentável da empresa”, afirma Manuel Nóbrega, director de Risco e Ecossistema da Cofidis e coordenador do projecto.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Construção

Programa BIPZIP a caminho de se tornar uma fábrica de startups sociais

O programa da Câmara Municipal de Lisboa para os bairros e zonas de intervenção prioritária entra na sua 12ª edição envolvendo 152 entidades, 249 actividades e o montante de 1,6 M€

CONSTRUIR

O BIP/ZIP, programa da Câmara Municipal de Lisboa para os bairros e zonas de intervenção prioritária reflecte a participação das pessoas nas políticas de desenvolvimento da cidade de Lisboa, através do seu envolvimento em iniciativas pensadas e propostas pelas mesmas. O programa, que já vai na 12.ª edição, envolve este ano 152 entidades, das quais 108 parceiras e 44 promotoras, bem como 249 actividades; abrange 51 territórios BIPZIP, 121 341 habitantes e um montante de 1 607 869 euros.

No total, 67 territórios BIPZIP em toda a cidade foram já abrangidos com projectos envolvendo directamente mais de 1/4 da população de Lisboa.

“Este é um programa pioneiro e original. (…) Queremos avançar neste programa de forma a tornar-se uma verdadeira fábrica de startups sociais que agora têm de ganhar maturidade para andar sozinhas”, sublinhou Filipa Roseta, vereadora da Habitação e Obras Municipais durante a cerimónia de assinatura dos protocolos com as diferentes entidades promotoras e parceiras do programa.

Nos últimos 11 anos foi possível apoiar 463 projectos, com a participação de 669 organizações (sem repetições), responsáveis pela promoção de 2 646 actividades locais.
O investimento municipal em territórios prioritários, até à data, foi aproximadamente de 18 milhões de euros, adicionados a recursos financeiros e não financeiros disponibilizados pelas organizações locais parceiras.

O grande impacto que o Programa BIPZIP tem nos territórios prioritários passa pela capacidade de promover formas criativas e inovadoras de parceria local, concorrendo para a melhoria da qualidade de vida das comunidades e cumprindo os objectivos da inclusão socioecónomica e territorial.

O trabalho de “imaginar” novos modelos de enraizamento e autonomização dos projectos nos territórios será feito em conjunto com os parceiros, referiu ainda a Vereadora, declarando que o ano de 2023 será dedicado ao desenvolvimento local, no âmbito das comemorações dos 30 anos do PER.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Construção

Governo assina contratos-programa de 8,9M€ para acções de emergência na serra da Estrela

Governo assinou contratos-programa de apoio a acções de emergência nos cinco concelhos afectados pelo incêndio da serra da Estrela

CONSTRUIR

O Governo assinou contratos-programa, no valor global de 8,9 milhões de euros, para acções de estabilização dos solos e reabilitação de redes hidrográficas nos concelhos afectados pelo fogo de Agosto na serra da Estrela.
A cerimónia decorreu na Covilhã, distrito de Castelo Branco, e contou com a presença do Ministro do Ambiente e da Acção Climática, Duarte Cordeiro, e do Secretário de Estado da Conservação da Natureza e Florestas, João Paulo Catarino, para além dos presidentes dos municípios abrangidos nestes contratos (Celorico da Beira, Guarda, Covilhã, Manteigas, Gouveia e Belmonte).

Os contratos foram assinados pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas e pela Agência Portuguesa do Ambiente.

Serão executados pelas cinco autarquias afectadas, bem como por entidades gestoras dos baldios e entidades gestoras de zonas de caça, visando dar resposta às “necessidades de estabilização urgentes” daquele território, destacou o Ministro.

“Tivemos uma época de incêndios exigente e intensa. Mas temos a nossa vontade, os nossos projectos. Temos a vontade de querer fazer melhor e, em conjunto, superar os obstáculos e darmos uma resposta aos que foram afectados. Estes contratos são expressão dessa solidariedade e do empenho, aqui renovado, do Governo, mas também do território, para continuarmos a trabalhar e atingirmos os nossos objectivos”, sublinhou Duarte Cordeiro.

Sobre o autorCONSTRUIR

CONSTRUIR

Mais artigos
Construção

“Temos uma carteira de investimentos avaliada em cerca de 30 milhões de euros”

Com mais de 400 equipamentos para gerir, número em constante mutação atendendo ao património que ora é colocado no mercado, ora é entregue à instituição por beneméritos, o Departamento de Gestão Imobiliária e do Património da Santa Casa de Lisboa tem pela frente um conjunto de desafios, desde logo associados ao financiamento das operações de recuperação do património. Ao CONSTRUIR, a administradora da Santa Casa para a área do património, Ana Azevedo, explica que estratégias estão a ser delineadas para fazer face aos problemas e antecipa a importância dos privados nessa estratégia

Ricardo Batista

Ao CONSTRUIR, a administradora da Santa Casa de Lisboa para a área do Património revela a estratégia da organização para colocar em andamento as operações que têm calendarizadas. A diminuição de receitas globais e a inflação dos preços de construção estão entre as medidas que carecem de solução prioritária. Ana Azevedo explica o caminho a seguir.

Atravessamos um período conturbado, de profunda transformação a vários níveis. Que radiografia consegue fazer da máquina que tem em mãos?
Não há muito essa percepção, mas mais de 80% do património da Santa Casa resulta de benemerências, ou seja, de pessoas que pelo seu falecimento, confiam os seus bens à instituição. São pessoas que, muitas vezes, são apoiadas na sua velhice pelos nossos serviços, mas há muitas outras que não e que são apoiadas por familiares. Temos também casos de pessoas que passaram parte da sua velhice sozinhas. A Unidade de Benemerências do Departamento de Gestão Imobiliária e do Património acompanha sempre aquilo que chamamos de benemérito, mesmo que não exista uma necessidade de acompanhamento social. São inúmeros os casos de pessoas que asseguram que vão deixar património ao cuidado da Santa Casa e acabam por não deixar nada, outros que nada dizem mas que acabam por nos entregar bens, até para grande surpresa nossa. São pessoas que, no fundo, no seu final de vida acabam por ter sempre alguma relação connosco e que nós tentamos acompanhar até ao seu fim. Esse património tem ónus. Quando nos é entregue, há o intuito de contribuir para as boas causas da Santa Casa, ou seja, destinar o imóvel a uma creche, a crianças deficientes, a idosos, casas de acolhimento para jovens. Depois, há todo um outro conjunto de património que não está onerado nem pelo benemérito nem por necessidades nossas. Esse património nós tentamos reabilitar e pode servir de fonte de rendimento da Santa Casa, à semelhança dos jogos sociais, mesmo que numa dimensão diferente.

Os jogos sociais são a nossa principal receita mas, logo a seguir, a principal receita é, de facto, o nosso património. Isso representa uma responsabilidade acrescida. Este património é muito diversificado. Grande parte está localizado na área de Lisboa, mas não é uma exclusividade. Temos, por exemplo, uma grande benemérita em Portalegre, que nos deixou um conjunto de herdades. Grande parte deste património que nos é entregue apresenta evidentes sinais de degradação e, por isso, temos de tentar encontrar formas de financiamento das operações de recuperação para, posteriormente, os colocar ou ao serviço da nossa actividade ou no mercado de arrendamento. Neste caso, tentamos, quando possível, que seja alocado ao mercado livre de arrendamento porque, de facto é isso que nos garante receitas. Mas temos inúmeros exemplos de edificado que é colocado ao serviço da cidade, por via do arrendamento jovem, arrendamento acessível resultante de parcerias com a autarquia ou o próprio Estado… Tentamos que o nosso património vá ao encontro do perfil e das necessidades da cidade de Lisboa…

Há uma vertente social associada ao património…
Há sempre uma causa social, ou porque o destinamos a isso ou porque o produto das receitas reverte para essas causas. A nossa missão não é necessariamente o lucro. Tudo o que é fonte de receita da Santa Casa é alocado a causas. É, no fundo, a grande diferença entre o lucro e a receita. Por vezes as pessoas não entendem bem este princípio… Recentemente, lançámos nas redes sociais uma grande campanha de arrendamento com vários preços e recebemos alguns comentários de pessoas que não entendiam os valores praticados. De facto, temos preços de arrendamento jovem, preços de arrendamento livre. Há de tudo. Acontece que as pessoas se esquecem de que o resultado daquele arrendamento não é o lucro, é sempre o apoio a determinadas causas. Apoiamos mais de 60 mil pessoas. Temos de gerir mais de 400 equipamentos. Isto traz-nos uma necessidade muito grande de angariar receitas para meter a máquina a funcionar. Não é fácil. Temos famílias inteiras que acompanhamos. Temos equipamentos na Santa Casa que não existem em mais lado nenhum, como por exemplo, a Obra Social do Pousal, um equipamento com 100 pessoas, pessoas com algum grau de deficiência mental e muitos deles estão ali quase desde que nasceram, ora porque as famílias não podem cuidar destes utentes, ora porque simplesmente não querem. Como vê, o espectro de perfis que acompanhamos é muito diversificado e as respostas da Santa Casa são quase à medida. A Santa Casa é a Santa Casa, não vira as costas a ninguém e isso, além de um grande desafio, traz-nos uma grande responsabilidade.

A juntar a tudo isto, actualmente deparamo-nos com um sério problema associado aos custos das operações, a começar pelos custos dos materiais ou os custos de construção por metro quadrado. Se já vínhamos a assistir a uma subida significativa destes custos, a pandemia agravou este cenário e o conflito na Ucrânia adensou o problema. As nossas necessidades de financiamento para reabilitação duplicaram. Nós somos uma entidade privada de utilidade pública, mas seguimos os preceitos da contratação pública. Isso dá-nos alguma flexibilidade na gestão mas, por outro lado, temos de seguir as regras. Somos integrados no perímetro orçamental do Estado e cada vez que lançamos uma empreitada identificamos o respectivo preço-base. Tivemos em mãos empreitadas com o preço-base lançado em Março cujo valor acabou por duplicar, um problema sério considerando que nos obrigou a medidas adicionais e soluções para financiar as operações. Houve obras que pararam e outras que estão dependentes de financiamento bancário. Do mesmo modo, vamos procurar financiamento do PRR ou fundos comunitários para prosseguir acções que temos pendentes. Tivemos, no fundo, de abrir um leque de alternativas de financiamento e de estabelecimento de prioridades, avançando apenas com parte dos projectos que tínhamos em carteira.

Dados revelados em meados de Julho apontam para que, desde 2019, houve uma perda de receitas provenientes dos jogos na ordem dos 1500 milhões de euros. Valores significativos. Que implicações teve esta realidade não apenas na gestão do vosso património como na identificação de alternativas de receitas?
As receitas da Santa Casa são repartidas, de acordo com um Decreto e uma Portaria, para quase todos os Ministérios do Estado e não têm aplicação apenas na cidade de Lisboa. São verbas destinadas ao Desporto, Educação, Segurança Social, Cultura ou para o Turismo. Há, de facto, uma fatia significativa que fica efectivamente na Santa Casa, tanto mais que a entidade se substitui integralmente à Segurança Social na cidade, a área mais populosa do País e com as necessidades sociais de maior dimensão. A perda de receita que se tem vindo a sentir desde a pandemia afecta substancialmente a actividade da Santa Casa atendendo a que as competências assumidas por nós, e que cabiam à Segurança Social, tinham como pressuposto um determinado volume de receitas que estava em crescimento. A receita pode descer, mas os nossos compromissos não terminam, ou seja, temos de continuar a assumir os compromissos que nos foram sendo passados pela Segurança Social e pelo Estado. A Santa Casa não assume apenas compromissos da Segurança Social. Basta perceber que gerimos unidades de cuidados continuados, gerimos o Hospital de Alcoitão e da Parede. A Santa Casa acaba, no fundo, por funcionar como um mini-Estado, que toca em várias áreas, desde a acção social à cultura e ao desporto. É uma casa muito diversificada. A diminuição de receita afecta uma boa parte das nossas respostas sociais e é uma preocupação. Mas estão a ser tomadas providências para inverter essa tendência, nomeadamente diversificando as fontes de receitas. Uma dessas formas pode passar pela rentabilização do património, na medida do possível. Por outro lado, essa diminuição de receitas do jogo, não permite o lançamento de muitos dos projectos que, mais tarde, poderiam servir como fonte de receita.

Quais são as vossas prioridades neste momento, atendendo também a esta questão das receitas?

Percebemos, nesta fase, que não podíamos ‘ir a todas’. Tínhamos uma série de empreitadas já calendarizadas, quer para a nossa actividade, quer para novos equipamentos sociais ou mesmo prédios de rendimento que foram suspensas. As que mantivemos foram aquelas que considerámos, do ponto de vista da nossa acção social, prioritárias para o efeito. Nesse caso, o que fizemos foi estabelecer candidaturas ao PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), algumas das quais já aceites. No caso dos prédios de rendimento, apostámos em algumas empreitadas. Vamos lançar três empreitadas para prédios de rendimento (Manuel de Arriaga, Rua de S. Paulo e Rua dos Lagares), dado que eram os prédios que nos permitiam ter mais unidades para alocar ao mercado de arrendamento. Relativamente a estas, candidatamo-nos a um financiamento bancário do IFRRU que nos vai assegurar a conclusão destes projectos. No final de 2024, contamos ter estes três edifícios já no mercado de arrendamento. O investimento estimado para as intervenções nestes três edifícios ronda os sete milhões de euros.

Que tipo de utilização terão estes edifícios?
São edifícios destinados a habitação, num total de 40 fracções disponíveis. Além de habitação, haverá igualmente lojas. Além destes, tínhamos muitos edifícios de grande dimensão, nomeadamente alguns conventos. Herdámos espaços de recolhimento da Segurança Social, como o de Santos-o-Novo, o de São Cristovão, as Merceeiras, grandes edifícios degradados que carecem de grandes intervenções em termos de reabilitação e, por conseguinte, grandes investimentos. De acordo com uma nota do gabinete da ministra da Segurança Social, há sérias carências de camas para alojamento urgente, sejam para sem abrigo ou mesmo vítimas de violência doméstica. Olhando a isso, temos um conjunto de 11 edifícios que vamos candidatar à Bolsa Nacional de Alojamento Temporário. Alguns serão geridos por nós, outros serão geridos por outras entidades da economia social, como IPSS ou associações. Entre a Bolsa Nacional do Arrendamento Urgente, a requalificação dos equipamentos sociais a que nos candidatámos, alojamento estudantil. Candidatámo-nos também ao PRR para residências de estudantes, candidatura aceite no valor de 3,5 milhões de euros, que vamos aplicar na requalificação do Convento de Santos-o-Novo. Falamos, neste caso, de um projecto intergeracional, atendendo a que será destinado não apenas a uma residência para estudantes como uma ERPI. Trata-se de um programa integrado em que reabilitaremos todo o convento e teremos as duas valências, que vão acabar por funcionar como um conjunto. Os jovens, no fundo, vão ajudar os mais velhos com aquilo que possam fazer, seja ao nível das compras, programas culturais ou, mais que não seja, companhia. Este é um projecto desenhado pela Santa Casa em articulação com o ISCTE, que é quem tem a gestão da residência de estudantes.

Há uma perspectiva da dimensão global desse investimento?
Temos uma carteira de investimentos avaliada em cerca de 30 milhões de euros, que estimamos que esteja concluída até 2026, altura em que termina o PRR. Mas há todo um conjunto de aspectos nestes processos que não dependem de nós. Um promotor privado avança com uma empreitada num terreno limpo, tem os seus timmings que envolvem a relação com a câmara e que são morosos – e que nós também temos – e depois têm as questões dos valores das empreitadas. No nosso caso, temos sempre questões adicionais: licenciar um projecto numa autarquia não leva menos de dois anos, demora muito tempo. Mesmo com as diligências múltiplas para ultrapassar estes problemas, acaba por haver umas alturas melhores que outras; depois temos a questão da contratação publica, que um promotor não tem. Um procedimento de empreitada não demora menos de nove meses, internamente, a ser lançado, também muito graças às regras e normas vigentes; depois, temos a questão de o nosso património estar, em grande parte, inserido em área de reabilitação urbana e ser património classificado, como é o caso, por exemplo, do convento de Santos-o-Novo e, por isso, sujeito a pareceres de inúmeras entidades. Para lhe dar um exemplo: temos um loteamento no Rio Seco, na Ajuda, onde foram encontrados vestígios arqueológicos. A esse propósito, fomos obrigados a alterar completamente o loteamento. Ou seja, todo o loteamento que estava aprovado na Câmara teve de ser alterado para ir ao encontro dos achados, reduzindo-se substancialmente a área de construção. Esta é uma máquina complexa. O que é que eu acho que esta casa tem e que é um ponto positivo no Departamento do Património? As pessoas. As equipas. São pessoas muito dedicadas à causa que têm muita experiência na área. As pessoas quando estão na Santa Casa vestem a camisola e mesmo com todas as dificuldades, conseguimos ir gerindo. Há alturas muito difíceis, mas vamos tentando fazer o nosso melhor. Claro que temos uma óptima articulação com a Câmara de Lisboa e isso é muito valioso. Basta perceber que a Santa Casa é, quase de certeza, um dos maiores promotores da cidade. Temos certa de 80 processos pendentes, não deve haver promotor nenhum com esta dimensão de processos pendentes, desde empreitadas, intimações pela degradação de prédios que carecem de contenções de fachada, emissões de licença de utilização. Obras várias em diferentes pontos. Esta dimensão burocrática só se consegue ultrapassar com uma boa relação com as diversas entidades. Até porque, convenhamos, a resolução destas questões interessa a todas as partes envolvidas.

Há aproximadamente dois anos, chegaram a um entendimento para a gestão da maioria do capital do Hospital da Cruz vermelha. Novos projectos com esta dimensão, com estas características, estão no vosso horizonte?
A Cruz Vermelha é um caso particular. Entrámos, em conjunto com a Parpublica, no capital social da Sociedade Cruz Vermelha. Mas em relação aos hospitais da Parede e de Alcoitão, o que pretendemos em termos de obra é tentar recuperar o que existe. Falamos de edifícios antigos, apesar de o Hospital da Parede ter um bloco totalmente novo. O desafio passa agora pela recuperação do edifício antigo para conseguir ter mais camas e para que consigamos um serviço de melhor qualidade e, com isso, uma maior receita. Este é um investimento que está calendarizado e que vamos procurar materializar com recurso à Bolsa de Trabalhos com algumas empresas de construção, o que nos vai permitir executar pequenas reabilitações nos edifícios. Não será, seguramente, para o ano de 2023 mas vai prolongar-se para 2024. Falamos de edifícios muito bonitos mas datados, que carecem de obras que os tornem funcionais à luz das necessidades e das exigências ditadas pela actual legislação. Além do mais, são equipamentos antigos que pertenciam ao Estado e que depois passaram para nós. O que estamos a fazer é a regularização de todo esse edificado em termos de licenciamento e isso está a acontecer tanto na Parede como em Alcoitão, para termos tudo em condições ao nível dos projectos de segurança contra incêndios, etc. Na sequência disso, vamos avançar com as reabilitações necessárias tendo em conta as necessidades dos equipamentos e que todo o corpo directivo das unidades propõe como acções necessárias na área da saúde dos tempos modernos. Há exigências funcionais hoje que não se colocavam há 20 anos.

O departamento tem a particularidade de ter equipas internas de projecto assumindo, de algum modo, uma visão mais corporativa, uma linha de acção própria de uma entidade comum. Nessa actuação, onde cabem conceitos como a sustentabilidade, por exemplo?
Temos essa questão sempre assegurada. Além dos projectistas internos, que concebem a grande parte dos nossos trabalhos, trabalhamos com equipas externas, desde logo porque não temos capacidade para responder a todas as necessidades. Ou seja, subcontratamos projectistas, alguns deles mesmo em modelos de concepção/construção. Há uma série de modalidades a que recorremos. Quando os nossos projectistas desenvolvem o projecto internamente, têm sempre em mente duas preocupações: quando o projecto diz respeito a um edifício de actividade, há a preocupação de seguir integralmente as regras da legislação existente seja na área da saúde, da acção social ou outras; depois a questão da sustentabilidade, seja ao nível da eficiência energética ou em tudo o resto. A Santa Casa, além disso, tem um departamento de Qualidade e Inovação que trata de toda a área de Sustentabilidade, o que confere algumas exigências adicionais aos projectos. Há todo um extenso trabalho que ultrapassa as competências deste departamento de património.

Quais são os grandes desafios que tem em mãos neste momento?
O meu mandato termina no início de 2024. Diria que o grande desafio passa por garantir financiamento para executar os projectos de reabilitação que temos em mãos. Muitas das obras já vinham de trás e para nós é importante concluir essas obras. Em Dezembro, vamos concluir dois edifícios de rendimento, na Calçada da Ajuda e na Rua do Século, um conjunto de 20 fracções repartidas pelos dois edifícios que vamos ter colocar no mercado de arrendamento. A juntar a isso, temos também de considerar forma de sustentar os programas que foram, entretanto, suspensos. Contratámos, recentemente, uma consultora que desenvolveu uma análise integral do património da Santa Casa para nos ajudar a perceber quais seriam os melhores mecanismos de gestão: se seria a Santa Casa sozinha a desenvolver os programas, se há forma de estabelecer parcerias com fundos de investimento. Tudo isso está identificado, até mesmo o conjunto de património que pode ser alienado porque, de uma ou outra maneira, poder representar uma mais-valia. Essa alienação ou a receita de rendimento pode representar um grande input em termos de receita. Já temos o relatório em nossa posse e temos presente que haverá património a ser alienado e o produto dessa venda vai sustentar parte da nossa operação.

Qual a dimensão do património a alienar?
Falamos de 25 unidades, entre fracções e prédios, que serão colocados em hasta pública e com isso, procuramos arrecadar pelo menos 10 milhões de euros. No fundo, procuramos formas de financiar e gerir a nossa operação, encontrar parceiros que nos possam ajudar nessa gestão, sejam fundos de investimento, a possibilidade de arrendamento com obras a cargo. Tivemos, recentemente, essa experiência com entidades publicas. Somos parceiros da Estamo no fundo Imomadalena e esse prédio, na Rua da Madalena, será colocado no mercado de renda acessível, sendo que a obra está já em marcha. Até meados de 2023, esta obra estará concluída, certamente. Este é o maior desafio que temos em mãos. Quanto aos edifícios, ao seu destino, esse trabalho está feito. Além do trabalho com a consultora, já tínhamos anteriormente feito um trabalho interno, um plano estratégico, para avaliar qual poderia ser o futuro do património da Santa Casa nos próximos anos que também nos ajudou bastante. Aliás, este retrato foi também aproveitado pela própria consultora na análise que fez. Esse trabalho está bem identificado e conseguimos perceber, com rigor, quais os edifícios que pretendemos reabilitar, os que queremos vender porque o Capex do investimento é tão grande que não vamos conseguir ter o retorno suficiente para alocar essas verbas a outros projectos. Estamos também a aguardar a abertura do novo Quadro Comunitário de Apoio 2030, os primeiros avisos devem estar prestes a ser lançados. Aí, estamos a falar em património afecto à Saúde ou da Acção Social. Os problemas, de um modo global, estão identificados e o património está radiografado, mas importa, por tudo isso, criar condições para desenvolver os programas previstos. Para isso, reitero, é importante encontrar os melhores parceiros, tanto mais que a Santa Casa não se pode fechar sobre si mesma e pensar que conseguir fazer tudo sozinha.

É importante ter parceiros e abrir horizontes para novas áreas e novos clientes. Os promotores podem ter um papel importante nesse domínio. Além destes edifícios que falámos, temos pronto um edifício em Monsanto, uma obra belíssima que estamos a tentar direccionar para a área da Saúde, mais concretamente na área das demências. Falta no País, designadamente na cidade de Lisboa, respostas para este tipo de utentes que tenham algum problema na área neurológica e que possam ter aqui um espaço adaptado. Este nosso edifício, que foi um edifício doado pela Nestlé, vai ter capacidade para cerca de 62 utentes, já está pronto e aguardamos a licença de utilização. Estamos a montra um projecto com este fim específico. Além deste, temos o projecto da Mitra, um espaço fantástico que terá inúmeras valências. Trata-se de um projecto integrado, designado Lisboa Social, que terá valência de Lar, de empreendedorismo social, que contou com a reabilitação do património pela área exterior e vamos agora avançar com a recuperação dos interiores. Terá igualmente uma creche. Falamos de um projecto ancorado na Sustentabilidade, Empreendedorismo e inovação.

Sobre o autorRicardo Batista

Ricardo Batista

Director Editorial
Mais artigos

Navegue

Sobre nós

Grupo Workmedia

Mantenha-se conectado

©2021 CONSTRUIR. Todos os direitos reservados.